Turismo exige qualificação e adaptação às novas exigências do setor, destaca especialista da Unesc
Entrevista abordou os desafios da hotelaria diante das novas regulamentações e a necessidade de profissionalização dos serviços turísticos no Sul catarinense
As novas exigências regulatórias para o setor hoteleiro, incluindo normas relacionadas a diárias, segurança do trabalho e áreas de lazer, têm impulsionado uma reestruturação operacional em meios de hospedagem de todo o país. O tema foi destaque em publicação da Revista Hotéis e pautou entrevista concedida nesta segunda-feira (22) pela coordenadora do curso de Hotelaria e líder técnica do Integratur da Unesc, Tayse Nicoladelli, ao Jornal da Guarujá.
Segundo Tayse, as mudanças refletem um novo cenário do turismo brasileiro, impulsionado principalmente após a pandemia, que trouxe novos perfis de turistas e ampliou a demanda por serviços mais qualificados e seguros.
“Hoje o turismo está diante de novas ofertas turísticas e novos produtos. Isso cresceu muito no pós-pandemia. Com a nova ficha digital da rede hoteleira e outras exigências, entendemos que é necessário profissionalizar cada vez mais a rede hoteleira e os profissionais que trabalham diretamente com o turista”, afirmou.
A especialista destaca que o turismo deixou de ser uma atividade baseada apenas na experiência familiar e passou a exigir gestão profissional e capacitação constante.
“O turismo não é só meio de hospedagem. Ele engloba hotelaria, gastronomia, eventos, lazer e formação técnica qualificada. É necessário entender que existem diferentes públicos, diferentes perfis de turistas e, consequentemente, diferentes tipos de profissionais para atendê-los. Precisamos formar pessoas capazes de impulsionar os destinos turísticos de forma responsável e sustentável”, explicou.
Escola de Turismo busca atender novas demandas
Para atender às necessidades do mercado, a Unesc criou a Escola de Turismo, que oferece cursos de graduação, pós-graduação, formação técnica e capacitações de curta duração.
“Hoje temos cursos de Hotelaria, Gestão de Turismo e Gastronomia na graduação. Também oferecemos pós-graduação em Turismo e Cultura, além do curso técnico de Guia de Turismo, que trabalha diretamente com o receptivo e o acompanhamento dos visitantes. Outra novidade são os cursos rápidos, voltados para temas como precificação, capital de giro e gestão de negócios turísticos”, destacou.
De acordo com Tayse, a proposta é oferecer formação para diferentes perfis de profissionais, desde empreendedores do setor até trabalhadores que atuam diretamente no atendimento ao visitante.
Sinalização turística ainda é desafio na região
Além da qualificação profissional, a infraestrutura turística também está entre os desafios identificados pelo Integratur. Nos últimos meses, equipes da Unesc realizaram levantamentos em municípios da região para avaliar as condições da sinalização turística.
O trabalho já foi desenvolvido em cidades como Orleans, Lauro Müller, Treviso e Urussanga, e agora avança para Nova Veneza, Siderópolis, Criciúma, Forquilhinha e Balneário Rincão.
“Existem placas de sinalização turística em alguns pontos, mas o principal problema é a falta de continuidade. O turista chega a determinado local e muitas vezes não encontra orientações para seguir até outros atrativos. Em alguns casos, as placas estão danificadas, desatualizadas ou não contemplam novos atrativos que surgiram recentemente”, observou.
Segundo a coordenadora, o levantamento servirá de base para a elaboração de projetos que serão entregues às prefeituras participantes do Integratur.
“Nós fazemos o mapeamento dos atrativos, identificamos onde existe sinalização e onde há necessidade de implantação ou adequação. Depois disso, o IPAT, que atua na elaboração dos projetos executivos, desenvolve toda a proposta técnica. A expectativa é entregar esses projetos aos municípios no próximo semestre para que possam ser implementados gradativamente”, explicou.
Tayse ressalta que a melhoria da sinalização é fundamental para fortalecer a integração regional e facilitar a experiência dos visitantes.
“Não basta ter apenas um atrativo turístico. É preciso criar conexão entre os municípios e oferecer condições para que o turista consiga se deslocar e aproveitar toda a região. A sinalização faz parte dessa estrutura que contribui para o desenvolvimento do turismo”, concluiu.
Confira entrevista completa
