Operação combate venda ilegal de “canetas emagrecedoras” e apreende produtos em Santa Catarina
Em entrevista, superintendente da Polícia Federal alerta para riscos à saúde e reforça a importância do uso com acompanhamento médico
O Governo Federal, por meio do Ministério da Justiça e Segurança Pública, deflagrou a Operação Heavy Pen, conduzida pela Polícia Federal com apoio da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), com o objetivo de combater a comercialização ilegal de medicamentos utilizados para emagrecimento, conhecidos como “canetas”.
A ação ocorreu em 12 estados e teve como foco toda a cadeia ilegal desses produtos, desde a importação irregular até a venda sem autorização, muitas vezes sem qualquer controle sanitário.
Em entrevista ao Jornal da Guarujá, o superintendente da Polícia Federal em Santa Catarina, Edson Geraldo de Souza, destacou que o aumento da procura por esse tipo de medicamento também impulsionou o crescimento de produtos falsificados e do comércio clandestino.
“Com o aumento da demanda, tivemos também um crescimento de falsificações e importações ilegais. Isso pode causar sérios problemas de saúde e até levar à morte”, alertou.
Em Santa Catarina, foram cumpridos 12 mandados de busca e apreensão — sendo 10 em Joinville e dois em Lages — dentro de um total de 45 ações realizadas no país. Durante a operação, clínicas foram fiscalizadas e produtos apreendidos.
Segundo o superintendente, os medicamentos ilegais geralmente entram no Brasil por contrabando, vindos de países da América Latina e da Europa. Alguns contêm substâncias autorizadas, mas são comercializados de forma irregular; outros são manipulados sem controle ou até totalmente falsificados.
Entre os princípios ativos citados estão a Semaglutida e a Tirzepatida, que têm uso autorizado no Brasil sob prescrição médica, além da Retratutida que sequer possuem liberação da Anvisa.
Edson reforçou que o problema não está no medicamento em si, mas na forma como ele é comercializado. “Essas canetas são autorizadas e têm eficácia comprovada, desde que utilizadas com acompanhamento médico. O risco está no uso de produtos ilegais ou falsificados”, explicou.
Ele também alertou para os efeitos do uso sem orientação, que podem incluir perda de massa muscular, deficiência de nutrientes e outras complicações.
A Polícia Federal destaca que quem for flagrado comercializando esses produtos de forma irregular pode responder por crimes como contrabando e infrações contra a saúde pública, com penas que podem chegar a até 20 anos de prisão.
Para a população, a orientação é clara: procurar orientação médica antes de iniciar qualquer tratamento e verificar a procedência dos medicamentos. “É fundamental ter certeza de que o produto é original e seguro. Em caso de dúvida, o consumidor deve buscar informações junto ao fabricante ou aos canais oficiais”, concluiu o superintendente.
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