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Junho Roxo: mês de conscientização sobre Lipedema amplia alerta sobre tratamentos enganosos

Especialista alerta que promessas de melhora imediata podem agravar a doença e atrasar o cuidado adequado para uma condição que pode atingir 12,3% da população feminina adulta brasileira

Por Ligado no Sul05/06/2026 11h00
Fotos/ Francine Ferreira

Junho é o mês de conscientização sobre o Lipedema, uma doença crônica do tecido adiposo linfático que afeta pernas e, às vezes, braços, tornozelos e pés. A condição é marcada por desinformação, diagnósticos errados e invisibilidade e, à medida que passa a ocupar mais espaço nas conversas sobre saúde, estética e qualidade de vida, cresce também a preocupação e o alerta contra tratamentos enganosos, que prometem resultados rápidos para uma doença crônica, progressiva e sem cura definitiva.

O Lipedema, que ainda é frequentemente confundido com obesidade, retenção de líquido ou linfedema, pode atingir 12,3% da população feminina adulta brasileira, segundo estimativa de 2025 do Consenso Brasileiro de Lipedema. O Instituto Brasileiro de Lipedema estima que ao menos 5 milhões de brasileiras apresentam sintomas, embora muitas ainda não saibam que se trata de uma doença.

Nesse cenário, a falta de informação, a demora no diagnóstico e a fragilidade emocional causada pelas mudanças no corpo tornam muitas pacientes mais vulneráveis. Seguindo a campanha conhecida internacionalmente como “Junho Roxo”, a biomédica, esteticista e terapeuta linfática especialista em Lipedema, Cláudia Farias, reforça o alerta à população sobre promessas de tratamentos “milagrosos”, especialmente aqueles em que a oferta envolve melhora estética imediata do membro acometido.

O que é e como identificar o Lipedema?
Diferentemente do senso comum de que a patologia se resume ao inchaço desproporcional nas pernas, o Lipedema também pode acometer braços, tornozelos e pés. A doença causa dores, sensação de peso nos membros, hematomas frequentes e dificuldade de emagrecimento nas áreas afetadas, que não respondem a dietas e exercícios físicos da mesma forma que o restante do corpo. Para quem convive com a condição, a ausência de um caminho claro pode representar anos de tentativas frustradas até encontrar o profissional e o tratamento adequado.

Conforme explica a biomédica, por ser uma doença ainda pouco contemplada por estudos médicos, muitas pacientes acabam realizando procedimentos que podem piorar a condição dos membros acometidos. De acordo com a especialista, existem dois tipos de tratamento para o Lipedema: o conservador e o invasivo. O primeiro busca controlar os sintomas, reduzir a inflamação e melhorar o conforto da paciente no dia a dia, enquanto o segundo envolve procedimento cirúrgico e precisa ser avaliado com acompanhamento médico.

Segundo Cláudia, o problema está nas abordagens agressivas vendidas como soluções imediatas, especialmente quando apresentadas sem o devido cuidado multidisciplinar. “O tratamento conservador busca desinflamar a região afetada pelo Lipedema, diminuir as dores sentidas pela paciente e trazer mais conforto no dia a dia. É um tratamento que também precisa ser acompanhado por consultas médicas e combinado com exercícios físicos e uma dieta específica. Já os procedimentos divulgados como milagrosos são mais agressivos e o paciente acaba por acreditar que a melhora do Lipedema vai ser imediata, quando na verdade a inflamação só piora”, explica.

O Consenso Brasileiro de Lipedema também indica que o manejo conservador deve ser a primeira opção em todos os casos. Esse cuidado inclui mudanças no estilo de vida do paciente, nutrição, terapia compressiva, exercícios de baixo impacto, fisioterapia descongestiva e, em alguns casos, uso de medicação, sempre prescrita, acompanhada e direcionada por um médico. Já o procedimento invasivo é cirúrgico, deve ser feito em conjunto com médico clínico, cirurgião e paciente, e tem como objetivo a melhora da mobilidade em situações mais graves.

Para o estudo, o Lipedema é uma doença genética, crônica, sistêmica e progressiva, geralmente desencadeada por mudanças hormonais, como puberdade, gravidez e menopausa. A patologia é caracterizada pelo acúmulo anormal e doloroso de gordura subcutânea, principalmente nos membros inferiores e, em alguns casos, nos braços, sendo frequentemente confundida com obesidade ou linfedema.

Além dos sintomas físicos, o Lipedema pode comprometer a qualidade de vida e a saúde mental, principalmente das mulheres. Como os membros afetados não respondem a dietas e exercícios físicos de forma convencional, o acompanhamento médico multidisciplinar é necessário para frear a progressão da doença e aliviar os sintomas.

Comercialização da doença e tratamentos ineficazes
A relação entre Lipedema, aparência corporal e autoestima é um dos fatores que favorece a procura por alternativas de efeito rápido. Cláudia afirma que, por se tratar de uma doença que afeta a estética do corpo, muitas pacientes chegam emocionalmente fragilizadas e iniciam uma busca intensa por tratamentos que ofereçam melhora imediata no aspecto das áreas afetadas. Nesse processo, podem encontrar profissionais que se aproveitem dessa vulnerabilidade.

“Isso nada mais é que a comercialização de uma doença. As mulheres historicamente sofrem com a pressão estética e o Lipedema acaba por aumentar esse sentimento de insatisfação e insegurança com o próprio corpo. Essas pacientes ficam mais suscetíveis a tratamentos enganosos e ineficazes, que acabam piorando a inflamação da gordura por serem agressivos e inadequados”, alerta.

Como não há cura definitiva, o Lipedema exige cuidado contínuo, inclusive nos casos em que há indicação cirúrgica. O tratamento tem como foco aliviar sintomas, reduzir a progressão da doença e melhorar a qualidade de vida. Entre as medidas utilizadas estão compressão elástica, fisioterapia descongestiva, alimentação anti-inflamatória e, quando necessário, medicação prescrita por médico especialista, além de lipoaspiração específica em alguns casos.

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