Projeto transforma baterias de carros elétricos em unidade móvel para reforçar rede de energia no estado
Uma iniciativa desenvolvida em Santa Catarina, transforma baterias de veículos elétricos descartadas em uma solução móvel para reforçar o fornecimento de energia em casos de falhas ou manutenções na rede elétrica. O projeto, chamado Energia Celesc a Bordo, está em fase de testes de desempenho.
A proposta foi criada pela Divisão de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação da Celesc em parceria com o Laboratório Fotovoltaica da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). A tecnologia consiste em uma carreta equipada com sistemas de armazenamento que utiliza baterias de “segunda vida”, antes usadas em veículos elétricos.
Segundo o engenheiro da Celesc e gerente do projeto, Leonardo Pacheco, o sistema funciona como uma fonte alternativa temporária de energia para situações emergenciais.
“Nesses momentos em que a nossa rede estiver passando por uma falha emergencial, acidental ou até mesmo uma manutenção, nós podemos levar energia para o consumidor através desse sistema de armazenamento. Ele consegue armazenar energia em um determinado momento e depois fornecer com a mesma qualidade e tensão da rede original”, explicou.
O projeto é considerado pioneiro no país e, segundo os responsáveis, pode ser ampliado futuramente para atender demandas em maior escala. A coordenadora do Energia Celesc a Bordo, professora doutora Helena Flávia Naspolini, da UFSC, destaca o caráter inovador da iniciativa.
“Esse projeto é inédito na aplicação em sistemas de distribuição e ainda mais inovador no uso de baterias em segunda vida. A ideia é transformar um passivo ambiental em ativo. Hoje temos um protótipo de pequeno porte, mas todo o funcionamento pode ser escalado para sistemas maiores”, afirmou.
Dados do setor apontam o crescimento acelerado da frota de veículos elétricos no estado, que já ultrapassa 40 mil unidades em circulação. Com isso, também cresce a preocupação com o destino das baterias ao fim da vida útil.
De acordo com Leonardo Pacheco, o reaproveitamento dessas baterias surge como alternativa diante dos desafios ambientais.
“Elas ainda têm capacidade de armazenamento mesmo após o uso em veículos. O que já conseguimos reciclar são materiais como alumínio e plástico, mas parte da composição ainda não tem destinação totalmente ecológica. Esse projeto estuda justamente o reaproveitamento desse potencial energético”, destacou.
A tecnologia embarcada na carreta foi desenvolvida pela multinacional catarinense WEG, enquanto a estrutura mecânica foi executada pela empresa TrucVan.
*Com informações Acaert
