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FAESC alerta para avanço dos javalis e defende novas medidas de controle em Santa Catarina

Estimativa aponta que cerca de 200 mil animais estão espalhados por 236 municípios catarinenses; Alesc aprovou projeto que prevê incentivo de R$ 100 por animal abatido

Por Ligado no Sul17/07/2026 11h00
Foto/Ilustrativa

A Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Santa Catarina (FAESC) manifestou preocupação com a proliferação de javalis no território catarinense. Conforme estimativa divulgada pela entidade, cerca de 200 mil animais estão espalhados por 236 municípios do estado.

Nativa de outros continentes, a espécie é considerada exótica e invasora no Brasil. Além de ameaçar lavouras, os javalis também representam riscos para criatórios e para a pecuária, segundo a FAESC.

O presidente da entidade, José Zeferino Pedroso, afirma que os prejuízos vão além das plantações e atingem diretamente os produtores rurais.

“Eu tenho acompanhado essas informações que vêm das nossas bases. O javali, além de trazer danos à nossa agricultura e à pecuária, não poupa o nosso produtor de cordeiros nem o nosso produtor de terneiros. Quando está faminto, ele pode se tornar carnívoro. Também existe a intranquilidade dos nossos produtores, porque, se você enfrentar um animal desses sem o devido preparo, é perigoso.”

Segundo Pedroso, a espécie vem se multiplicando em algumas regiões do estado, apesar das ações de controle realizadas nos últimos anos.

De acordo com a FAESC, mais de 120 mil javalis foram abatidos em Santa Catarina entre 2019 e 2024. Mesmo assim, a incidência dos animais permanece elevada, especialmente nas regiões do Planalto Serrano, Meio-Oeste e Oeste.

A reprodução acelerada contribui para o avanço da espécie. Cada fêmea pode ter, em média, duas ninhadas por ano, com cerca de oito filhotes em cada uma. Os javalis também são considerados animais agressivos, e os machos adultos podem atingir aproximadamente 200 quilos.

O abate é permitido pela legislação, mediante autorização federal e cadastro no Sistema de Informação de Manejo de Fauna (Simaf), do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).

Para o presidente da FAESC, novas medidas são necessárias para ampliar a efetividade do combate à espécie invasora.

“Nós temos que encontrar caminhos que deem condições. Hoje temos uma parceria com a Polícia Militar Ambiental, que nos orienta e realiza palestras. São pessoas que conhecem o assunto. A nossa preocupação é grande, e estamos dando todas as condições para que grupos possam se formar e, com autorização da Polícia Ambiental, possamos conter o avanço de um animal que não criamos. Ele veio de outros países, mas tem trazido preocupação e, muito mais do que preocupação, prejuízos para todos nós.”

Alesc aprova incentivo financeiro para o controle de javalis

O Plenário da Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc) aprovou, na tarde desta quarta-feira (15), o Projeto de Lei (PL) 287/2026, que institui um programa de incentivo financeiro ao controle populacional de javalis no estado.

A proposta, prevista na Lei 18.817/2023, tem como objetivo fomentar e ampliar as ações de captura da espécie, responsável por causar prejuízos ao setor agropecuário.

Conforme o texto aprovado, pessoas físicas ou jurídicas cadastradas nos órgãos ambientais competentes e devidamente autorizadas para o manejo e controle dos javalis poderão receber R$ 100 por animal abatido.

Para ter direito ao incentivo, os interessados deverão comprovar que o abate ocorreu de forma regular e, nos casos de caça em propriedades privadas, contar com a autorização do proprietário.

A medida estabelece, portanto, o pagamento de R$ 100 por animal abatido, desde que sejam cumpridas as exigências legais e ambientais previstas para o manejo da espécie.

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