Deputados repercutem proibição da pesca da tainha em Santa Catarina
Parlamentares criticam suspensão da pesca por arrasto de praia, debatem impactos econômicos e tratam de outros temas durante sessão na Alesc
A decisão do Ministério da Pesca e Aquicultura de proibir a pesca da tainha na modalidade de arrasto de praia mobilizou deputados estaduais durante a sessão ordinária da tarde desta terça-feira (9).
O tema dominou os pronunciamentos na tribuna, com críticas à medida federal e defesa da pesca artesanal catarinense.
A suspensão da pesca foi anunciada após a captura atingir 90% da cota coletiva autorizada para a temporada de 2026, equivalente a 1.198,8 toneladas.
A decisão provocou forte reação entre parlamentares catarinenses, especialmente diante da importância econômica, cultural e social da atividade no litoral do estado.
A deputada Ana Campagnolo (PL) questionou a condução da medida e afirmou que os próprios pescadores têm interesse na preservação ambiental e na sustentabilidade da atividade.
“Me pergunto quem realmente está preocupado com o meio ambiente: os burocratas ou os produtores que sabem o que é uma safra da tainha. É interesse do produtor que a pesca seja sustentável.”
A parlamentar também relacionou a decisão ao cenário econômico enfrentado por empresas catarinenses.
“Quando um CNPJ fecha, não é apenas um papel. São oportunidades perdidas, famílias que deixam de produzir e comunidades inteiras afetadas”, disse. Segundo ela, “Brasília olha para Santa Catarina como inimiga”.
O deputado Antídio Lunelli (MDB) classificou a suspensão da pesca como uma injustiça e um ataque à tradição catarinense.
“Mais uma vez o governo federal decide de cima para baixo, sem ouvir quem vive do mar. Com um canetaço, encerrou a atividade justamente quando o peixe estava chegando em grande quantidade.”
Lunelli destacou que 419 licenças foram emitidas para a pesca por arrasto de praia nesta temporada e lembrou que Santa Catarina responde por cerca de 45% da produção nacional de tainha.
“Neste ano tivemos uma supersafra, o preço despencou e agora, com o encerramento antecipado, o prejuízo é ainda maior. É menos renda, menos emprego e menos dignidade. A pesca artesanal não é só tradição. É sustento, identidade e economia para centenas de famílias catarinenses.”
