Defesa Civil e Secretaria de Agricultura intensificam ações preventivas contra enchentes em Orleans
Trabalhos de limpeza e desassoreamento já começaram em comunidades do interior e devem chegar à área urbana nas próximas semanas diante da previsão de um El Niño mais intenso
A Defesa Civil de Orleans, em parceria com a Secretaria Municipal de Agricultura, está realizando uma série de ações preventivas para minimizar os impactos das fortes chuvas e possíveis enchentes associadas ao fenômeno El Niño. Neste momento, os trabalhos estão concentrados na comunidade de Brusque do Sul e, posteriormente, seguirão para Boa Vista e para a área urbana do município. A comunidade de Três Barras já foi contemplada com serviços de desassoreamento dos rios que cortam a localidade.
Sobre o assunto, o Jornal da Guarujá conversou na manhã desta quarta-feira (11) com o coordenador municipal de Proteção e Defesa Civil de Orleans, Alan Firmiano, que detalhou as medidas adotadas pela administração municipal diante das previsões meteorológicas para os próximos meses.
Segundo Firmiano, a expectativa é de um El Niño mais intenso do que o registrado em anos anteriores, o que exige atenção redobrada e ações preventivas.
“A atenção especial está na limpeza e desassoreamento dos cursos hídricos. Começando desde o interior. A gente já está com alguns maquinários nas comunidades de Três Barras e Brusque do Sul e o próximo passo é a área urbana para realizar também a limpeza desses cursos hídricos aqui no entorno e também a manutenção da drenagem pluvial”, explicou.
De acordo com o coordenador, uma das prioridades é recuperar a capacidade natural dos rios e córregos, especialmente em áreas que sofreram impactos durante as enchentes registradas em 2023 e 2024.
“A intenção maior é fazer com que o curso hídrico, os rios e afluentes do Rio Tubarão, voltem para a calha do leito natural deles. Com as últimas enchentes de 2023 e 2024, o rio acabou se alastrando em locais de lavouras e também assoreando muito. As máquinas estão fazendo com que o rio volte para o leito natural dele”, afirmou.
Além de contribuir para a redução dos riscos de enchentes, os serviços também ajudam a recuperar áreas utilizadas pelos produtores rurais, que foram afetadas pelo avanço das águas nos últimos anos.
A próxima etapa do cronograma prevê a chegada das equipes à área urbana de Orleans, onde serão realizadas intervenções em pontos considerados críticos.
“A ideia é vir do interior para o centro para verificar os pontos principais onde precisa fazer a limpeza, a intervenção e o desassoreamento também”, disse.
Segundo Firmiano, os trabalhos já estão em andamento e devem avançar para a cidade ainda neste mês.
“O start já foi dado, o trabalho já foi iniciado. A programação é que no final do mês a gente já tenha equipamentos disponíveis para trabalhar na área urbana, para limpeza e desassoreamento também, principalmente dos rios da microbacia do Rio Belo e do Rio Oratório, além do bairro Corridas, onde o foco está mais voltado para a drenagem urbana”, destacou.
A Defesa Civil também reforça a importância da colaboração da população para reduzir riscos de alagamentos provocados pelo entupimento de bocas de lobo e sistemas de drenagem.
“Sempre é bom essa parte da conscientização da população em relação ao depósito de material, de lixo, enfim, para que todos não venham a correr risco com alagamentos e inundações devido ao volume além do normal que a gente vai ter esse ano por causa do fenômeno El Niño”, ressaltou.
Embora os modelos climáticos indiquem a ocorrência de chuvas acima da média em Santa Catarina, o coordenador explica que as regiões Oeste e Meio-Oeste concentram a maior preocupação no Estado. Ainda assim, Orleans segue monitorando a situação de forma permanente.
“Recebemos informações semanalmente e até diariamente através da Defesa Civil do Estado e dos meteorologistas. E sim, é um El Niño que vai ser realmente um pouco mais forte do que os outros anos. Porém, o foco principal em Santa Catarina está mais voltado para o Centro-Oeste e o Oeste do Estado”, explicou.
Firmiano também destacou que as ações desenvolvidas no município seguem critérios técnicos definidos a partir de estudos realizados pela própria Defesa Civil.
“Orleans é formado por uma topografia muito acentuada e aqui a gente tem muitas microbacias de enxurrada. O Rio Belo é um exemplo, o Oratório é outro exemplo, além de Boa Vista, Três Barras e outras localidades. A intervenção maior está nesses pontos”, afirmou.
Por fim, ele ressaltou que os locais escolhidos para receber as primeiras intervenções foram definidos com base em levantamentos técnicos e no histórico de ocorrências registradas no município.
“Orleans fez um mapeamento de suscetibilidade a inundações e estamos confirmando os dados em campo. Se o mapa aponta que aquele local inunda e isso é confirmado presencialmente, a gente inicia as intervenções nesses pontos mais críticos”, concluiu.
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