Consórcio pode ser usado como estratégia de planejamento para a aposentadoria
André Eleutério explica como o consórcio pode ser utilizado para aquisição de imóveis e formação de patrimônio no longo prazo
Pensar na aposentadoria enquanto ainda se está trabalhando pode parecer distante, mas o planejamento financeiro de longo prazo começa justamente antes da redução da renda. Esse é um dos pontos abordados por André Eleutério, CEO da Exclusivo Consórcios, em mais um episódio sobre educação financeira no Jornal da Guarujá.
Para Eleutério, além de controlar o quanto se ganha e o quanto se gasta, a maneira como os bens são adquiridos também interfere diretamente na organização financeira. Ele utiliza como exemplo uma carta de crédito de R$ 100 mil para a compra de um automóvel. Segundo ele, em uma simulação de consórcio com prazo de 120 meses, a parcela cheia fica em torno de R$ 966, com um custo total aproximado de R$ 116 mil. No financiamento, a parcela pode chegar a cerca de R$ 2,8 mil e o valor total pago fica próximo de R$ 170 mil.
“Só nessa compra eu economizei R$ 50 mil. E de parcela me sobrou, supostamente, R$ 1.800 por mês. Então quer dizer que isso ali vai fazer diferença no teu orçamento familiar”, afirma.
É justamente essa diferença mensal que, segundo o empresário, pode ser direcionada para outras necessidades ou para a formação de patrimônio. A lógica, explica, é fazer com que o planejamento financeiro não fique restrito ao momento presente.
A preocupação ganha ainda mais importância quando se considera a renda disponível depois da aposentadoria. Para André, muitas pessoas deixam de pensar nessa etapa porque estão concentradas na vida profissional atual, mas a renda tende a mudar quando a pessoa deixa de trabalhar.
“Hoje praticamente ninguém fala em se aposentar. Então, se ninguém fala em se aposentar, como é que vai manter o teu padrão de vida? Geralmente, o que acontece depois que tu para de trabalhar é a renda cair”, afirma.
Nesse planejamento, o consórcio aparece,como uma das ferramentas possíveis para a formação de patrimônio. Uma das estratégias apresentadas é utilizar uma carta de crédito para adquirir um imóvel e, depois da contemplação, colocar o bem para locação. A renda obtida com o aluguel pode, segundo ele, ajudar a manter o investimento e permitir a abertura de novos ciclos.
“É interessante as pessoas começarem a pensar realmente a médio prazo. E eu sei que é uma cultura que é muito difícil para o brasileiro, porque a gente tem dificuldade de planejar até o ano”, afirma.
A proposta também pode começar com valores menores. Eleutério cita modalidades de cartas de crédito que permitem parcelas inferiores a R$ 500, dependendo das condições contratadas. Em uma das simulações apresentadas durante a entrevista, uma carta de R$ 100 mil pode ter parcela de aproximadamente R$ 348 na modalidade de meia parcela. Já uma carta de R$ 200 mil aparece com parcela em torno de R$ 615.
A definição, segundo ele, deve partir da capacidade financeira de cada pessoa. “Hoje quanto que cabe de parcela no orçamento? Essa é a pergunta que eu faço para o nosso ouvinte. Quanto que cabe no teu orçamento? R$ 500, R$ 600, R$ 3 mil, R$ 5 mil? De acordo com o teu orçamento, a gente cria um planejamento”, explica.
O que fazer depois da contemplação
Outro ponto abordado por André é a estratégia adotada depois que a carta é contemplada. Entre as possibilidades estão utilizar o crédito para comprar um imóvel, manter o valor aplicado de acordo com as regras da administradora ou, quando permitido, negociar a carta contemplada.
Ele cita o caso de um cliente de Siderópolis que contrata uma carta de R$ 600 mil e consegue a contemplação já no primeiro mês. Segundo o empresário, o cliente mantém o crédito dentro da administradora e o valor chega atualmente próximo de R$ 1 milhão, devido às atualizações previstas no grupo.
André apresenta ainda uma projeção segundo a qual esse valor pode chegar a aproximadamente R$ 2,5 milhões ao final do plano. O cálculo, porém, é uma estimativa apresentada pelo próprio empresário e depende das condições do contrato, do grupo e dos rendimentos aplicados.
“Então essa é uma opção: a pessoa deixa o crédito lá rendendo juros sobre juros e saca em espécie no final do plano e faz outro tipo de investimento”, explica.
Outra possibilidade é utilizar a carta contemplada para adquirir um imóvel e gerar renda com aluguel. Entre os exemplos citados por Eleutério estão kitnets, salas comerciais e galpões.
Segundo ele, o objetivo é fazer com que o patrimônio construído deixe de depender exclusivamente do dinheiro que sai do salário todos os meses. “Quando isso acontece, a pessoa já para de tirar dinheiro do bolso”, afirma.
Planejamento começa antes da aposentadoria
André também defende que o planejamento financeiro pode começar ainda no início da vida profissional. Ele conta que os três filhos já possuem consórcio e afirma que a intenção é ajudá-los a começar a formação de patrimônio.
“Se puder, pai, ajuda o teu filho, porque vai ser uma diferença muito grande”, diz.
Na avaliação do empresário, a dificuldade de planejar o futuro também tem relação com a falta de educação financeira nas famílias. Ele cita períodos de inflação elevada, a estabilização da economia e, posteriormente, a ampliação do acesso ao crédito como fatores que influenciam a relação dos brasileiros com o dinheiro.
“Os nossos pais não ensinaram. Claro, eles não sabiam. A cultura era: o dinheiro caía na conta e tinha que ir correndo no supermercado fazer a compra”, afirma.
Para quem pretende utilizar o consórcio como parte de um plano de aposentadoria, entretanto, a escolha da modalidade não deve ser feita apenas pela expectativa de valorização. É necessário considerar o prazo, as taxas, as regras de contemplação, a capacidade de pagamento e o objetivo para o qual o crédito será utilizado.
Confira


