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Ler: Um hábito que transforma vidas. Por Ana Dalsasso

Por Ana Maria Dalsasso18/08/2026 15h00
Foto/Ilustrativa

Ler não é apenas decifrar palavras. Ler é compreender o mundo, ampliar horizontes, desenvolver o pensamento e adquirir ferramentas para enfrentar a vida com mais conhecimento e consciência. Por isso, ensinar uma criança a gostar de ler talvez seja um dos maiores presentes que pais e educadores podem oferecer.

O hábito da leitura precisa começar cedo, muito antes de a criança aprender a juntar as letras. Uma história contada pelos pais antes de dormir, um livro colorido nas mãos, uma visita à biblioteca, o exemplo de um adulto lendo em casa: tudo isso contribui para despertar a curiosidade e transformar o livro em algo prazeroso, e não em uma obrigação escolar.

E aqui está uma questão fundamental: a criança aprende também pelo exemplo. Pais que leem, que conversam sobre livros, que presenteiam os filhos com obras adequadas à idade e que reservam alguns minutos do dia para a leitura estão ensinando, silenciosamente, uma das mais importantes lições. Não adianta exigir que o filho leia enquanto o adulto passa horas diante do celular ou da televisão. O exemplo continua sendo uma das formas mais poderosas de educação.

Infelizmente, estamos diante de uma geração que lê cada vez menos. A 6ª edição da pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, realizada em 2024, revela que apenas 47% da população brasileira com 5 anos ou mais é considerada leitora, enquanto 53% são classificados como não leitores. A média foi de apenas 3,96 livros por ano, considerando livros lidos inteiros ou em partes. Em 2019, essa média era de 4,95.

São números que deveriam provocar uma profunda reflexão.

Porque quem não lê perde muito mais do que histórias. Perde vocabulário, repertório, capacidade de interpretação e oportunidades de conhecer outras ideias e realidades. A leitura desenvolve a capacidade de ouvir, falar, escrever, argumentar, questionar e estabelecer relações entre diferentes conhecimentos. Fortalece a criatividade e, principalmente, ajuda a formar o senso crítico.

Não podemos dizer que toda pessoa que lê pouco seja automaticamente um “analfabeto funcional”. O analfabetismo funcional é uma condição específica, relacionada à dificuldade de compreender e utilizar adequadamente informações escritas, mesmo quando a pessoa sabe ler e escrever. Mas é inegável que a ausência de leitura frequente pode contribuir para dificuldades de compreensão, expressão, argumentação e interpretação.

Uma sociedade que lê pouco torna-se mais vulnerável à desinformação, às opiniões prontas e à manipulação. Quem não desenvolve o hábito de buscar conhecimento tende a aceitar mais facilmente aquilo que lhe é apresentado sem questionar.

Por isso, formar leitores não pode ser responsabilidade exclusiva da escola. É uma missão conjunta da família, dos professores e da sociedade. A escola deve incentivar, mas o primeiro contato com o livro pode acontecer dentro de casa.

Precisamos devolver ao livro o lugar que ele merece.

Que nossas crianças vejam seus pais lendo. Que tenham livros ao alcance das mãos. Que possam escolher histórias, descobrir autores, viajar por mundos desconhecidos e aprender que ler não é castigo, nem obrigação: é liberdade.

Uma criança que aprende a gostar de ler ganha uma companhia para toda a vida. E uma sociedade que ensina seus jovens a pensar, interpretar e questionar está construindo cidadãos mais preparados para escolher seus próprios caminhos.

Porque quem lê não apenas conhece mais. Quem lê aprende a pensar melhor. E uma sociedade que pensa é muito mais difícil de ser enganada.

 

*O conteúdo desta coluna é de responsabilidade do autor e não reflete necessariamente a opinião do Portal.

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