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Alerta médico: desinformação sobre “micropênis” pode colocar crianças em risco. Por Dr. Rafael de Conti

Por Rafael De Conti02/04/2026 15h00

NOTA CONJUNTA OFICIAL SOCIEDADE BRASILEIRA DE UROLOGIA (SBU), SOCIEDADE BRASILEIRA DE PEDIATRIA (SBP), SOCIEDADE BRASILEIRA DE ENDOCRINOLOGIA E METABOLOGIA e SOCIEDADE BRASILEIRA DE CIRURGIA PEDIÁTRICA (CIPE)

(sociedades de especialidade médica a que se refere o Decreto nº8.516/2015, art. 2º, Parágrafo único)

Alerta à população

Em defesa da saúde das crianças contra diagnósticos incorretos e a administração inadequada de hormônios

As Sociedades das Especialidades Médicas que assinam este documento vêm a público manifestar profunda preocupação com a disseminação em redes sociais de falsas informações e recomendações inapropriadas de tratamento hormonal em crianças.

As aludidas informações não seguem a medicina baseada em evidências, desrespeitam princípios fundamentais da profissão e podem induzir famílias ao erro, levando a diagnósticos incorretos e tratamentos desnecessários, colocando saúde das crianças sob riscos graves.

Estão sendo divulgados conteúdos repetitivos e enganosos que incentivam pais e responsáveis a medirem o pênis de crianças em casa, induzindo-os a um falso diagnóstico de “micropênis”.

Frequentemente, essas postagens vêm acompanhadas de anúncios de terapias hormonais que são vendidas diretamente ao público, sob a infundada alegação de que existe uma “epidemia” de micropênis, algo que na realidade não existe.

Esta nota visa esclarecer a população a fim de proteger a integridade física e mental das crianças e adolescentes, reforçar princípios fundamentais da prática médica fundamentando-se nos seguintes pontos:

  1. Por que não medir em casa? A avaliação do comprimento do pênis é um procedimento técnico que exige profissional e instrumentos adequados. Ela deve ser realizada em ambiente clínico apropriado. Um estudo realizado pelo Departamento de Urologia Pediátrica da SBU mostrou que medições do pênis realizadas por pessoas que não são da área da saúde têm alta taxa de erro.

Essas medidas podem levar a interpretações equivocadas do real tamanho do pênis, gerando ansiedade desnecessária, rótulos de alterações penianas que não existem, estresse físico e psicológico e busca por tratamentos indevidos.

  1. O micropênis é uma condição clínica rara e isso é bem conhecido pela medicina. O diagnóstico é complexo e requer avaliação minuciosa por equipe multidisciplinar de especialistas envolvendo pediatras, urologistas, cirurgiões pediatras, endocrinologistas pediatras, geneticistas e outros. Esse diagnóstico não pode ser definido por uma medida isolada do pênis com régua ou fita métrica. Ele exige uma avaliação clínica detalhada, que inclui exame físico adequado, análise do histórico de saúde da criança, avaliação do desenvolvimento puberal e, quando indicado, exames laboratoriais e genéticos.
  2. Os perigos do uso de hormônios sem necessidade: O uso de hormônios na infância é um assunto muito sério e restrito a casos específicos, após investigação profunda. O uso indiscriminado de hormônios ou seu uso sem indicações precisas pode causar danos graves e, muitas vezes, irreversíveis à saúde da criança e do adulto que um dia ele se tornará, incluindo infertilidade futura, alterações de crescimento e alterações hormonais. A prescrição médica responsável é sempre um ato que envolve conhecimento científico, ética e compromisso com o bem-estar do paciente. A decisão terapêutica deve ser individualizada e cuidadosamente discutida com a família.

Recomendações finais

As Sociedades Médicas recomendam que qualquer avaliação do desenvolvimento genital masculino na infância e adolescência seja realizada exclusivamente por médicos especialistas, utilizando técnicas adequadas e em ambiente clínico apropriado e respeitoso.

Diante da gravidade dessa desinformação propagada nas mídias sociais, as Sociedades que assinam essa nota informam que acionarão os órgãos competentes, incluindo o Ministério da Saúde, a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) e o Ministério Público. Isso é importante para que, além de investigar condutas que contrariam a ética médica, seja preservado o bemestar das crianças e adolescentes e de suas famílias.

Reafirmamos nosso compromisso com a ética, com a ciência, com a medicina baseada em evidências e com a proteção integral da saúde física, mental e social de nossas crianças e adolescentes.

Permaneceremos vigilantes na orientação da população, no combate a práticas sem respaldo científico e na defesa incondicional da medicina baseada em evidências.

Brasil, 25 de março de 2026.

Para quem quiser conhecer um pouco mais sobre o que a ciência nos mostra sobre esse tema, duas leituras recomendadas com documentos de sociedades médicas:

Documento Científico da Sociedade Brasileira de Pediatria:

Micropênis: o que o pediatra precisa saber?

Acesso em:

https://www.sbp.com.br/fileadmin/user_upload/sbp/2024/setembro/16/2 4494c-DocCient_-_Micropenis-_o_que_o_pediatra_precisa_saber.pdf

Sociedade Brasileira de Urologia: Diagnóstico e tratamento do micropênis.

Acesso em:
https://sbu-sp.org.br/medicos/wp-content/uploads/2019/04/Revista_BIU_Ed18.pdf (páginas 16 a 22)

Parecer da Sociedade Brasileira de Urologia e do seu Departamento de Uropediatria sobre Tratamentos Hormonais em Crianças Baseados em Medidas Caseiras Penianas

Acesso em:

https://portaldaurologia.org.br/novidades/sbu-na-mira/parecer-dasociedade-brasileira-de-urologia-e-do-seu-departamento-deuropediatria

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