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Ana Maria Dalsasso Educação
É Professora de Comunicação. Formada em LETRAS – Português/Inglês e respectivas Literaturas, Pós-graduada em Metodologia do Ensino pela Universidade Federal de SC - UFSC, cursou a primeira parte do Doutorado em Educação pela Universidade de Jáen na Espanha, porém não concluiu. Atua na área da Educação há mais de quarenta anos. Em sua trajetória profissional, além de ministrar aulas, exerceu a função de Diretora de Escola Pública, Coordenadora Pedagógica da Escola Barriga Verde, Pró-Reitora de Ensino de Graduação do UNIBAVE/ Orleans. Dedica parte de seu tempo livre com trabalhos de Assistência Social e Educacional, foi membro do Lions Clube Internacional por longos anos, hoje faz parte da AMHO – Amigos do Hospital, além de outros trabalhos voluntários na comunidade e seu entorno. Revisora de trabalhos acadêmicos: Graduação, Especialização, Mestrado e Doutorado.
Decadência do Ensino Brasileiro. Por Ana Dalsasso
Por Ana Maria Dalsasso15/04/2025 15h00
Foto/Banco de Imagens Freepik
Há décadas estamos acompanhando calados, omissos e inertes a decadência do ensino brasileiro, como se não tivéssemos parte de responsabilidade no problema. Aos poucos o sistema educacional foi sendo corroído pela podridão escondida nas sucessivas mudanças travestidas de modernidade, tirando de nossos jovens e crianças a única chance de uma vida melhor: educação de qualidade.
As mudanças foram acontecendo com a tal redemocratização do ensino. Sorrateiramente foram introduzidas ideologias dominantes que tiram de nossas crianças e jovens a oportunidade de evoluir cognitivamente e vivenciar os valores inerentes a todo ser humano na busca do desenvolvimento pessoal e profissional.
Tudo começou nas universidades com a doutrinação dos futuros profissionais. As salas de aula são solos férteis para a semeadura. Gradativamente as sementes foram sendo disseminadas. Lembro-me das primeiras mudanças no ensino básico com a eliminação das disciplinas: Educação Moral e Cívica, OSPB (Organização Social e Política do Brasil), PPT (Preparação Para o Trabalho), e sutilmente tantas outras, mas nós professores não questionamos. Depois veio o avanço progressivo que foi transformado em promoção automática, levando à acomodação professores, pais e alunos, pois aprendendo ou não, passavam de ano. Pais ficavam felizes porque os filhos não repetiam de ano, alunos tornaram-se negligentes e professores acomodaram-se. E assim a degradação do ensino foi tomando corpo e ninguém fez nada. A situação das escolas brasileiras hoje não é apenas preocupante, é caótica, do ensino fundamental ao superior.
Estamos formando analfabetos funcionais, indivíduos que, embora possam reconhecer letras e formar palavras, não conseguem compreender ou utilizar a informação de forma adequada em situações práticas, são incapazes de interpretar e associar informações. Essa limitação compromete a capacidade de interação social e profissional das pessoas, dificultando seu desenvolvimento pessoal e profissional, consequentemente comprometendo o desenvolvimento econômico do país, uma vez que limita a capacidade da população de contribuir de maneira qualificada para o mercado de trabalho.
Enquanto isso as autoridades governamentais tentam passar à sociedade uma imagem de que a educação no país caminha a passos largos, que o índice de analfabetismo diminuiu, que as escolas nunca foram tão bem equipadas como o são, que professores são valorizados e estimulados, mas a realidade que se apresenta é desesperadora, e só não enxerga quem não quer. O acesso à escola existe, porém falta qualidade no ensino.
Dito isso, quero falar um pouco sobre a avaliação do INEP/2023 (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anisio Teixeira) que divulgou os resultados nessa semana sobre o desempenho das universidades. O descaso das autoridades já começa pelo prazo de divulgação. Já estamos caminhando para a metade do ano de 2025 e a avaliação só sai agora. Sabendo que os dados de uma avaliação servem para a melhoria do processo, significa que permaneceremos dois anos sem corrigir as distorções.
Mas, vamos aos dados: das 2.101 instituições de ensino superior, públicas e privadas analisadas, apenas 66 obtiveram o conceito máximo, o que significa 3,14%. A avaliação é obtida a partir do desempenho dos acadêmicos no ENADE (Exame Nacional de Desempenho de Estudantes), da qualificação dos professores, da qualidade da infraestrutura e do valor agregado pelo curso ao desenvolvimento dos alunos, uma vez que são confrontados os resultados do ENEM (início da graduação) e ENADE (término).
Mas, hoje não são apenas os exames de proficiência dos estudantes que denunciam a realidade. Brasileiros de todos o pontos do país, de variadas faixas etárias, de níveis socioeconômicos e escolaridade diversificados, apontam a má qualidade do ensino como um entrave para o desenvolvimento do país, ficando evidente que os graves problemas enfrentados pelo povo brasileiro poderiam ser minimizados se a educação fosse tratada com seriedade.
Ob.: Voltarei ao assunto na próxima semana.
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Adolescência. Por Ana Dalsasso
Por Ana Maria Dalsasso31/03/2025 15h00
Imagem/ Reprodução Poliene Rieger
Nos últimos dias as mídias sociais estão sendo tomadas pela comoção de pais, professores, médicos, psicólogos, psiquiatras, enfim por inúmeros segmentos sociais diante da exposição do filme ADOLESCÊNCIA, revelando uma realidade: a sociedade, como um todo, não tem se dado conta que o uso desenfreado das redes sociais está matando nossas crianças, adolescentes e jovens. De forma clara, objetiva e chocante é um chamado à responsabilidade de pais e educadores para que tenham um olhar atento e diferenciado nessa fase de transição de nossas crianças.
Fazendo uma analogia, a cabeça de um adolescente é “uma orquestra sem maestro”. Precisa de alguém que ensine colocar no instrumento notas, tom, musicalidade, porque do ajuste, comprometimento, adequações surge a harmonia e sucesso do grupo. Quando a orquestra desafina, o fracasso é inevitável. Nós, família e educadores, somos maestros de uma orquestra que não pode desafinar… Talvez, na correria do dia a dia esquecemo-nos de revisar nossas ferramentas para execução do nobre trabalho de formar e informar nossos adolescentes.
O filme “Adolescência” nos traz inúmeras lições, dentre elas a importância da comunicação e do diálogo aberto e sincero entre pais e filhos. A família é o pilar fundamental na formação da identidade e no suporte emocional dos adolescentes. Através das interações dos personagens, fica evidente que muitos conflitos se originam da falta de compreensão entre adolescentes e adultos. Isso ressalta a necessidade de um espaço seguro onde os jovens possam expressar seus sentimentos e preocupações, facilitando, assim, uma conexão mais profunda com a família e amigos. É preciso aprender ouvir ativamente e buscar entender as emoções do outro para promover relações mais saudáveis. Quando os desafios são enfrentados juntos, os laços familiares são fortalecidos, dando aos adolescentes um sentimento de pertencimento e segurança emocional
Outra lição significativa que o filme nos oferece é a questão da identidade. Na adolescência, os jovens estão em busca de compreender quem são e qual é o seu lugar no mundo. Eles lidam com influências externas, como a pressão social e a necessidade de aceitação, que muitas vezes os leva a decisões equivocadas. É preciso respeitar o processo de autodescoberta dos adolescentes e oferecer apoio para que eles possam fazer escolhas alinhadas com seus valores e individualidade. As relações interpessoais podem trazer tanto apoio quanto desafios. As complexidades das amizades, incluindo a lealdade, a traição e os conflitos, são retratadas com realismo, ilustrando a necessidade de cultivar relações saudáveis e de aprender a lidar com as desavenças.
O filme nos convida a refletir sobre a saúde mental, evidenciando a pressão emocional que os jovens enfrentam, seja em relação ao desempenho escolar, às expectativas familiares ou à busca por um propósito. Essa representação nos faz considerar a importância de cuidar da saúde mental na juventude e de promover um ambiente onde os adolescentes se sintam confortáveis para buscar ajuda quando necessário.
Outro ponto importante abordado é a presença da pressão social que os jovens enfrentam dentro do ambiente escolar. As questões de aceitação e pertencimento são intensificadas nesse contexto, onde a busca por popularidade pode levar a situações de bullying, exclusão e ansiedade. Nesse contexto, a responsabilidade da escola vai além da transmissão de conteúdo: é fundamental que as instituições desenvolvam um ambiente inclusivo e seguro, onde os estudantes se sintam valorizados e respeitados, ajudando-os a compreender e lidar com a diversidade
Enfim, o filme “Adolescência” nos traz lições valiosas sobre comunicação, identidade, relações interpessoais e saúde mental. Sua narrativa sensível e reflexiva nos ajuda a compreender melhor os desafios enfrentados pelos jovens e a importância de apoiá-los durante essa fase crucial de suas vidas. Assim, o filme não apenas entretém, mas também educa e instiga a reflexão sobre a adolescência em um mundo em constante transformação.
Senhores Pais e Professores, por favor, assintam esse filme
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Aprenda todos os dias. Por Ana Dalsasso
Por Ana Maria Dalsasso17/03/2025 14h00
Como professora, percorri toda minha trajetória profissional (quarenta e nove anos) da educação infantil ao ensino superior. Grande parte em sala de aula, e outros tantos anos na gestão, tanto de ensino básico quanto superior, o que me rendeu uma vasta experiência, e me permite afirmar: mais aprendi do que ensinei. A convivência com estudantes é o melhor laboratório para um professor, pois a história de cada um é a ferramenta que impulsiona a caminhada.
Grande parte dessa caminhada foi como professora de Língua Portuguesa, e por essa razão faço deste espaço uma oportunidade de tentar despertar nos leitores a necessidade de zelar pelo uso correto de nossa língua. Sempre ouvi dos alunos: “odeio português”. Preocupada, mas convicta do meu compromisso como mediadora de conhecimentos, juntava-se a responsabilidade de despertar o gosto e o interesse pelo aprendizado da língua, apesar das regras e convenções que impõe, como qualquer outra língua. Mas, na verdade não é tão rígida assim, desde que nos habituemos a ter contato mais aprofundado para que possamos moldá-la corretamente em nosso cotidiano.
Reafirmo constantemente que a língua portuguesa não é um “bicho de sete cabeças”, e é obrigação de todo brasileiro estudá-la e respeitá-la. É difícil, mas existem diferentes maneiras para aprender memorizar normas e regras para reforçar o seu domínio. Praticar o português correto, tanto falando quanto escrevendo, deve ser um hábito diário. As redes sociais nos mostram diariamente o desleixo com o idioma, pelas postagens feitas de qualquer jeito, repletas de incoerências, ambiguidades, clichês, palavrões, pontuação incorreta, frases mal construídas, falta de concordância e de acentuação, erros de ortografia e de digitação, uso excessivo de abreviações, abandono de maiúsculas e de pontuação, e tantos outros deslizes que expõem a falta de conhecimento dos usuários. Antes de se expor publicamente, as pessoas precisam ler e reler os escritos para evitar o ridículo, preservando as normas da língua. Quando falamos, revelamos mais do que o nosso pensamento, revelamos também quem somos socialmente, isto é, nosso nível cultural, capacidade de nos adaptar em certas situações, nossa timidez, enfim, nossa forma de ser e de ver o mundo, podendo tanto nos abrir quanto fechar portas.
Há poucos dias falamos aqui sobre a decadência do ensino brasileiro. As ferramentas digitais estão transformando a linguagem e a escrita. É preciso que haja um equilíbrio entre escrita digital e à mão. Ao migrarem da escrita tradicional para a digital nossas crianças e jovens estão aos poucos abandonando a tradicional. Estão perdendo a fluência na caligrafia. Têm escrita pouco legível, sentem desconforto ao escrever, cansam-se facilmente, têm dificuldade de expressar seus pensamentos, falta-lhes habilidades de comunicação, não desenvolvem a capacidade o pensamento crítico e criativo. A causa disso? A falta de LEITURA. Os jovens precisam entender o poder da leitura, como a única forma de transmissão de informação, porque o leitor navega no pensamento do autor. Só a leitura aumenta o vocabulário. O mundo hoje é para quem pensa e entende o que lê.
Assim, tenha um livro sempre ao seu alcance… Leia também textos na internet, revistas, notícias etc. Leia algo todos os dias, nem que seja uma página apenas. Habitue-se a consultar o dicionário sempre que deparar com um vocábulo novo. Não podemos mais alegar que livros são caros, pois estão ao nosso alcance o tempo todo. Mas, parece que quanto mais facilidade, menos as pessoas estão lendo. Perde-se muito tempo com futilidades e fofocas nas redes sociais. A preguiça mental e a falta do hábito de leitura são os males da comunicação.
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SOS Educação. Por Ana Dalsasso
Por Ana Maria Dalsasso03/03/2025 14h30
Há anos estamos acompanhando a deterioração do ensino brasileiro nas instituições públicas. Estamos formando gerações de analfabetos funcionais, embora a produção de estatísticas “fantasiosas” diz que o país deu um salto na erradicação do analfabetismo, porém na hora de uma avaliação o desempenho é desastroso. E contra fatos não há argumentos.
Em 2023 alunos brasileiros, do 4º ao 8º ano, participaram pela primeira vez de um estudo internacional chamado “Trends International Mathematics and Science Study” (“Estudo Internacional de Tendências em Matemática e Ciências”) sobre desempenho educacional e os resultados divulgados no final de 2024 foram decepcionantes. Dentre 64 países avaliados, o Brasil ficou na 63ª posição em matemática, apontando que 51% dos estudantes brasileiros, já no 4º ano do ensino fundamental, não sabem a tabuada, não realizam as operações básicas, nem interpretam gráficos simples. Decepcionante.
A leitura é outra grande preocupação, aliás a maior, pois é o pilar fundamental para a busca do conhecimento e criatividade. Quem não lê não sabe escrever, não interpreta, não sabe argumentar, não desenvolve pensamento crítico e criativo. É um analfabeto funcional. Estudos mostram que o Brasil vem perdendo gradativamente o número de adeptos à leitura. Nos últimos anos o número de não-leitores superou ao dos leitores.
O último ENEM trouxe à tona a decadência do uso da língua portuguesa. De 3 milhões e 100 mil jovens, apenas 12 obtiveram nota máxima em redação, e apenas um (1) de escola pública. Nossos jovens estão perdendo a habilidade de escrever à mão e de se expressar com clareza, capacidades que a humanidade desenvolveu e transmitiu por milhares de anos. Não sabem escrever e têm pouca familiaridade na elaboração de ideias complexas em textos.
Os fatos aí estão… É hora de refletir sobre as consequências disso para o futuro. Como mudar esse cenário? É possível reverter essa tendência? Quais as causas dessa tragédia? São perguntas que precisam de respostas, de estudos aprofundados, porque como está é inadmissível continuar.
Sabemos que a realidade brasileira é assim: a maioria dos alunos estuda só para ir bem nas provas, tirar nota boa e passar de ano. Não estudam para aprender. Junte-se a isso a má formação dos professores, currículos inadequados, materiais didáticos de baixa qualidade, professores doutrinadores, falta de envolvimento da família delegando à escola a total responsabilidade sobre o processo de ensino e aprendizagem. Quanto mais tempo na escola, menos aprendizagem adquirida. Nossas crianças estão cada vez mais, aprendendo menos.
Enfim, o país está em débito com nossas crianças e jovens. Não está dando a eles a única chance de uma vida melhor: educação de qualidade. Nosso sistema educacional não fracassa por acaso, mas sim porque há interesses intrínsecos para que nada dê certo, pois bem sabemos que quanto menos habilidade o cidadão tiver, mais dificuldade terá para desenvolver seu potencial e buscar seu lugar ao mundo. Precisa-se de uma política de ensino permanente, que esteja acima dos interesses e ideologias dos partidos políticos. É preciso que educação seja prioridade.