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Presidente do PT de Criciúma analisa virada de Lula, critica Flávio Bolsonaro e defende diálogo com a direita

Em entrevista ao Jornal da Guarujá, Julio Bittencourt também falou sobre a formação do novo governo e o retorno do PT à Câmara de Vereadores de Criciúma após dez anos

Por Ligado no Sul28/10/2026 10h00
Foto/Reprodução

A vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno das eleições presidenciais, realizado no último domingo (25), foi resultado de uma mudança no comportamento do eleitorado e da intensificação da campanha nas semanas decisivas. A avaliação é de Julio Bittencourt, presidente do PT de Criciúma, que concedeu entrevista ao Jornal da Guarujá na manhã desta quarta-feira (28).

Lula conquistou seu quarto mandato presidencial após terminar o primeiro turno atrás de Flávio Bolsonaro (PL). Para Bittencourt, a virada nas urnas foi um acontecimento inédito nas disputas presidenciais brasileiras.

O dirigente partidário apontou o aumento da rejeição ao candidato do PL, a melhora na avaliação do governo federal e a mobilização dos apoiadores petistas como fatores decisivos para o resultado.

“Primeiro, o aumento da rejeição do Flávio Bolsonaro era muito maior do que a do Lula. E a rejeição do Flávio vinha aumentando e a do Lula vinha caindo”, afirmou.

Bittencourt também criticou a estratégia adotada pela campanha adversária. Na avaliação dele, os apoiadores de Flávio Bolsonaro demonstraram excesso de confiança após o primeiro turno, enquanto o PT ampliou o contato direto com os eleitores.

O presidente do partido destacou o trabalho dos grupos de convencimento de voto, que buscaram conversar individualmente com a população. Em Criciúma, conforme os números apresentados por ele, Lula registrou crescimento de 19% na votação entre os dois turnos, enquanto Flávio Bolsonaro avançou 9%.

Novo governo e divisão política

Questionado sobre a necessidade de diálogo com os milhões de brasileiros que votaram na oposição, Bittencourt afirmou que Lula deverá buscar apoio de diferentes forças políticas para garantir condições de governabilidade.

“Eu entendo que, primeiro, o governo do presidente Lula vai ser um governo de coalizão. Ele já está conversando com o centro, com a centro-direita, para que a gente possa construir essa coalizão no Brasil”, declarou.

O dirigente também fez críticas à postura de Flávio Bolsonaro após a derrota eleitoral, especialmente à sua saída do país. Bittencourt afirmou acreditar que a viagem já havia sido planejada para o caso de derrota nas urnas.

Segundo o presidente do PT de Criciúma, a Polícia Federal já teria conhecimento de um suposto plano de fuga do candidato.

Bittencourt também avaliou que a saída do país prejudicou a representação política dos eleitores que apoiaram o candidato e defendeu uma reorganização da direita brasileira.

“É fundamental que a direita se reorganize agora, mas fora do bolsonarismo. Que ela se reorganize como a direita sempre foi no Brasil: uma direita democrática, uma direita que discutia, uma direita que sabia perder”, afirmou.

Durante a entrevista, o presidente do PT apresentou ainda críticas à família Bolsonaro e fez acusações relacionadas à atuação política do grupo e à sua relação com os Estados Unidos. Essas declarações representam a avaliação do dirigente partidário e não foram acompanhadas, na entrevista, de elementos que permitam comprovar as acusações.

PT deve voltar à Câmara de Criciúma após dez anos

Além do resultado das eleições presidenciais, Bittencourt confirmou a expectativa de assumir uma cadeira na Câmara de Vereadores de Criciúma, em decorrência da eleição de Giovana Mondardo para a Câmara dos Deputados.

Segundo ele, Giovana deverá retornar ao Legislativo municipal no dia 3 de novembro, após o período de licença. A partir disso, os encaminhamentos para a mudança de representação serão definidos.

“Agora que estamos saindo do segundo turno, não tivemos tempo de conversar ainda, mas a gente vai ainda acertar os ponteiros”, explicou.

Caso a substituição seja concretizada, o PT voltará a ter representação na Câmara de Criciúma após dez anos.

Confira entrevista completa

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