Banco de Leite de Criciúma enfrenta estoque crítico e cobra apoio de secretarias de Saúde da região
Enfermeira alerta que municípios não estão realizando a coleta de leite materno nas casas das doadoras, conforme acordo com o hospital; muitas mulheres estão nos primeiros dias após o parto
Conforme o Portal Ligado no Sul noticiou nesta terça-feira (20), o Banco de Leite Humano do Hospital Materno Infantil Santa Catarina, em Criciúma, enfrenta uma situação crítica devido à baixa quantidade de leite materno disponível para alimentar os bebês internados na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) Neonatal. Durante entrevista ao Jornal da Guarujá, na manhã desta quarta-feira (21), a enfermeira Karolyne Sebastião, supervisora e responsável técnica do Banco de Leite, especialista em aleitamento materno e estomaterapia, revelou que, além da preocupação com o estoque, o hospital enfrenta dificuldades para receber doações de outros municípios, onde as secretarias de Saúde não estariam cumprindo o acordo de recolher o leite diretamente nas residências das doadoras.
Segundo Karolyne, na terça-feira (20), o banco contava com menos de seis litros de leite materno. A quantidade é insuficiente para manter uma margem de segurança, já que o consumo diário estava em aproximadamente 1,44 litro. A próxima remessa está prevista somente para sexta-feira (23), o que aumenta a preocupação com a continuidade do atendimento.
“Normalmente, quando o estoque chega a dez litros, precisamos conversar com os médicos para priorizar a distribuição do leite aos bebês prematuros extremos, de muito baixo peso ou que apresentam problemas gastrointestinais”, explicou.
A enfermeira demonstrou preocupação com a possibilidade de precisar restringir a distribuição do leite humano, situação que pode comprometer o atendimento a todos os recém-nascidos internados na UTI Neonatal.
“Não queremos chegar ao ponto de ter que escolher quais bebês receberão o leite. Normalmente, conseguimos atender todos os recém-nascidos da UTI Neonatal”, lamentou Karolyne.
Secretarias de Saúde não estariam cumprindo acordo para recolher doações
Um dos pontos mais preocupantes revelados durante a entrevista é que a dificuldade não está necessariamente na falta de mulheres dispostas a doar, mas na ausência de coleta do leite materno em municípios atendidos pelo hospital.
Em Criciúma, o recolhimento é realizado pela própria equipe do Banco de Leite. Já nas demais cidades, o serviço depende das secretarias municipais de Saúde, que, conforme acordo estabelecido com o hospital, deveriam buscar as doações diretamente nas casas das mães.
De acordo com Karolyne, o hospital disponibiliza todos os materiais necessários para o transporte,como caixas térmicas, placas de gelo reutilizáveis, termômetros e frascos esterilizados. Caberia às secretarias recolher o leite nas residências e encaminhá-lo ao hospital, aproveitando os deslocamentos já realizados para o transporte de pacientes.
“O acordo com as secretarias foi justamente a mãe não precisar ter que sair de casa. Seria eles buscarem na porta da casa da mãe o leite, entregar o pote vazio que a gente já dá para eles durante a semana e trazer esse leite para o hospital no dia que eles já estão trazendo os outros pacientes”, relatou.
A situação se torna ainda mais delicada porque muitas das doadoras são mulheres que acabaram de dar à luz e estão nos primeiros dias de recuperação após o parto. Algumas têm bebês com poucos dias de vida e, mesmo dispostas a contribuir, acabam diante da dificuldade de precisar sair de casa para entregar o leite.
Para a enfermeira, não é razoável transferir essa responsabilidade às mães, especialmente quando existe um acordo para que o recolhimento seja realizado pelas equipes municipais.
Karolyne afirmou que as dificuldades se intensificaram há cerca de três meses, embora anteriormente o relacionamento com as secretarias fosse considerado satisfatório. A direção do hospital já iniciou contatos com representantes da área da saúde para tentar regularizar as coletas.
Falta de coleta pode comprometer alimentação de recém-nascidos
O Banco de Leite do Hospital Materno Infantil Santa Catarina atende bebês de diferentes municípios do Sul catarinense e de regiões próximas ao Rio Grande do Sul. O leite humano doado é especialmente importante para recém-nascidos prematuros, de muito baixo peso e com problemas gastrointestinais.
A falta de regularidade no recolhimento das doações pode comprometer o abastecimento da unidade, mesmo quando existem mães dispostas a contribuir. Com o estoque abaixo do nível considerado seguro, a situação exige uma resposta das secretarias municipais de Saúde responsáveis pelo transporte.
Durante a entrevista, Karolyne também explicou que o hospital enfrentou dificuldades temporárias para cadastrar novas doadoras devido à manutenção de um veículo e ao afastamento de uma funcionária por motivo de saúde. A profissional informou que a equipe trabalha para regularizar os atendimentos e organizar as visitas às mulheres que aguardam o cadastro. As interessadas em doar leite materno ou obter mais informações podem entrar em contato com o Banco de Leite pelo telefone (48) 98849-6636.
Enquanto busca ampliar as doações, o Banco de Leite depende também da colaboração dos municípios para que o leite materno chegue ao hospital. A regularização das coletas é essencial para evitar que a falta de transporte impeça o aproveitamento de doações destinadas aos recém-nascidos.
Confira entrevista completa
