Fora do Ar: dos bancos à consultoria de imagem, Tati Gedor conta trajetória de recomeços
Consultora relembrou carreira no setor bancário, empreendedorismo na moda, mudança para Santa Catarina e como a maternidade transformou também sua vida profissional
Uma trajetória iniciada aos 16 anos dentro de uma agência bancária, que passou pelo empreendedorismo, pelo varejo de moda e por uma mudança de estado até chegar a uma nova profissão. A consultora de imagem Tati Gedor foi a convidada do novo episódio do podcast Fora do Ar com a Guarujá e contou como diferentes fases da vida ajudaram a construir o trabalho que desenvolve atualmente.
Paulistana, Tati começou a trabalhar ainda adolescente, como menor aprendiz no Banco do Brasil. Naquele momento, o objetivo era construir uma carreira no setor bancário e conseguir pagar a própria faculdade. O incentivo para estudar vinha principalmente do pai.
“Meu pai sempre me incentivou muito a estudar e trabalhar. Ele dizia: ‘Tu tens que trabalhar e estudar porque eu não tive essa oportunidade. Eu quero muito que uma filha minha consiga se formar na faculdade’. E eu coloquei aquilo dentro de mim. O desejo do meu pai se tornou o meu desejo também”, contou.
Formada inicialmente em Administração, encontrou no marketing uma área que combinava mais com seu perfil. Depois, ingressou no Unibanco e construiu uma trajetória de aproximadamente dez anos no setor bancário. A mudança de São Paulo para o interior, porém, abriu uma oportunidade que ela ainda não enxergava como carreira.
Ao perceber que colegas de trabalho se interessavam pelas roupas diferentes que trazia da capital, Tati começou a comprar peças para vender. “Eu fui a minha primeira cliente e foi aí que o empreendedorismo veio para mim”, relembrou.
O movimento cresceu até a abertura de uma loja. Paralelamente, Tati decidiu estudar Design de Moda. Vieram trabalhos com confecções, produção de catálogos e uma experiência profissional no comércio eletrônico de moda, período em que teve contato com modelos, fotógrafos, produção, vendas, tecnologia e eventos.

Um novo começo em Santa Catarina
Anos depois, uma nova mudança alteraria novamente os rumos da carreira. Tati conheceu o atual marido, catarinense, e, após dois anos de relacionamento à distância, decidiu deixar São Paulo e começar uma nova vida no Sul do estado.
“Eu deixei tudo e vim para Santa Catarina começar tudo de novo”, resumiu.
Pouco tempo depois veio a pandemia e, durante esse período, nasceu Helena. Foi justamente após a maternidade que Tati enfrentou uma situação que até então não fazia parte de sua história: a baixa autoestima.
“Depois que Helena nasceu, meu corpo não era o mesmo, eu não me sentia mais a mesma pessoa, minha rotina não era a mesma, eu não me sentia mais bonita”, contou. Durante cerca de três meses, segundo ela, o desconforto foi mantido em silêncio. “Eu não olhava no espelho, eu não me sentia bem.”
A reação veio quando percebeu que poderia utilizar nela mesma o conhecimento acumulado durante anos de trabalho e estudo.
“Eu decidi colocar tudo que eu havia aprendido na minha vida e aplicar em mim. E eu comecei a me sentir melhor, comecei a me ver melhor, comecei a colocar a consultoria de imagem na minha vida”, relatou.
A experiência pessoal acabou se transformando em um novo caminho profissional. Tati buscou especialização, começou a atender as primeiras clientes e encontrou no associativismo feminino uma forma de criar conexões em uma região onde ainda conhecia poucas pessoas.
“Não é só roupa”
Durante a conversa, Tati também procurou desconstruir a ideia de que consultoria de imagem significa simplesmente montar looks, acompanhar tendências ou incentivar a compra de roupas.
Para ela, o processo começa antes do guarda-roupa.
“A consultoria vem trabalhar primeiro o eu, o autoconhecimento. Ensinar essa mulher a se conhecer, quem ela é, o que gosta, o que não gosta e, principalmente, o que comunica quem ela é”, explicou.
Segundo a consultora, mudanças profissionais, maternidade, idade, rotina ou mesmo uma mudança de cidade podem exigir uma nova maneira de se apresentar sem que a pessoa precise abandonar a própria identidade.
“A consultoria é mais profunda do que só montagem de look. Ela é comunicar a história da pessoa por meio da imagem”, afirmou.
Tati também defendeu que conhecer o próprio estilo pode levar a um consumo mais consciente. Em vez de comprar apenas porque determinada peça está na moda, a pessoa passa a selecionar aquilo que realmente combina com sua rotina e identidade.
“Quando você consegue entender o que faz sentido para você ou não, você seleciona melhor, gasta menos e, quando compra, compra mais assertivamente”, destacou.
Associativismo e propósito
A participação em grupos de mulheres empreendedoras também ganhou espaço na entrevista. Quando chegou à região, Tati buscou grupos de networking e passou a integrar o Núcleo da Mulher Empreendedora ligado à associação comercial. O movimento ajudou a construir relações profissionais e também fortaleceu a ideia de compartilhar conhecimento.
“Além de conhecer pessoas, me promover, fazer conexões, foi principalmente para poder compartilhar conhecimento e também aprender, que eu acho que é a parte mais importante quando a gente empreende”, afirmou.
No encerramento do Fora do Ar, Tati foi convidada a imaginar o que diria à menina que foi um dia, ainda na Zona Leste de São Paulo. Em vez de um conselho, preferiu uma confirmação de que aquela trajetória valeria a pena.
“Eu talvez não daria um conselho. Talvez afirmaria para ela continuar, que a gente conseguiu estudar, conseguiu trabalhar e ser feliz, formar uma linda família. E, com tudo isso, a gente conseguiu ajudar outras pessoas, que é o meu maior propósito: com o meu conhecimento, conseguir auxiliar outras pessoas para o seu crescimento também”, disse.
Confira aqui o episódio completo.
