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Debate ao Governo de SC tem embates, troca de acusações e discussão de propostas

Jorginho Mello, João Rodrigues, Gelson Merisio e Ralf Zimmer discutiram saúde, rodovias, segurança, educação e saneamento no último encontro antes do primeiro turno

Por Ligado no Sul30/09/2026 14h00
Foto/Reprodução -Patrick Rodrigues/NSC

A cinco dias das eleições, os candidatos ao Governo de Santa Catarina participaram, na noite desta terça-feira (29), do último debate antes do primeiro turno. Promovido pela NSC TV, em Florianópolis, o encontro reuniu Jorginho Mello (PL), João Rodrigues (PSD), Gelson Merisio (PSB) e Ralf Zimmer (PRD).

Durante cerca de duas horas, os candidatos apresentaram propostas e protagonizaram embates sobre temas que afetam diretamente os catarinenses, como saúde, infraestrutura, segurança pública, violência contra a mulher, educação e saneamento. A campanha eleitoral e a relação de Santa Catarina com o governo federal também estiveram entre os assuntos discutidos.

Mediado pelo jornalista Fabian Londero, o debate foi dividido em quatro blocos. Em dois deles, os candidatos fizeram perguntas com temas livres. Nos outros dois, os assuntos foram definidos por sorteio. Ao final, cada participante teve dois minutos para as considerações finais.

Embates começam já no primeiro bloco

O debate começou com Gelson Merisio questionando João Rodrigues sobre segurança pública e discursos de exaltação à violência, relacionando o assunto também à imagem turística de Santa Catarina. Rodrigues discordou de parte da avaliação, afirmou que o Estado é seguro e chamou atenção para os casos de feminicídio, defendendo uma política estadual de acolhimento às mulheres vítimas de agressão.

Na sequência, João Rodrigues e Jorginho Mello protagonizaram um dos principais confrontos da noite. O candidato do PSD questionou o governador sobre acusações feitas durante a propaganda eleitoral. Jorginho negou ter promovido os ataques e afirmou que também foi alvo de informações falsas durante a campanha.

O assunto reapareceu no encerramento. Jorginho afirmou ter recebido mais de 300 ataques durante a campanha e classificou as acusações como “mentira” e “invenções”.

“Isso é feio, Santa Catarina não merece isso”, afirmou Jorginho.

João Rodrigues também retomou o confronto nas considerações finais e disse que sua esposa e suas filhas foram atingidas durante a campanha.

“O maior ataque da campanha, não foi ele que sofreu, foi a minha esposa e minhas filhas de forma cruel”, declarou.

A relação com o governo federal também apareceu. Jorginho questionou Ralf Zimmer sobre declarações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a respeito de Santa Catarina. Zimmer afirmou que o presidente “ofende o estado” e disse que a realidade catarinense seria diferente da retratada por Lula.

O primeiro bloco terminou com uma discussão entre Zimmer e Merisio sobre temas nacionais, como as bets e a redução da jornada de trabalho. Merisio se manifestou favoravelmente à diminuição da carga horária dos trabalhadores, enquanto Zimmer demonstrou preocupação com os impactos de uma eventual mudança para pequenos empresários.

Violência contra a mulher, saneamento e rodovias

Na segunda parte do debate, os candidatos passaram a responder sobre temas sorteados: violência contra a mulher, prevenção a desastres climáticos, gestão do saneamento básico e atração de investimentos.

Zimmer criticou as políticas de enfrentamento à violência contra a mulher e aos feminicídios. Jorginho respondeu citando ações de seu governo, entre elas salas lilás em delegacias, botão do pânico e linhas de financiamento destinadas às mulheres.

O assunto também foi retomado por Merisio nas considerações finais. Ao criticar a postura do governo diante de episódios de violência, o candidato afirmou: “Nós temos que recuperar a imagem de Santa Catarina para com o Brasil. Nós temos que parar de mandar imagem de violência.”

Ao discutir prevenção a desastres, Jorginho perguntou a Zimmer se ele daria continuidade aos programas estaduais caso fosse eleito. O candidato do PRD reconheceu iniciativas que considera positivas e defendeu a manutenção das ações.

O saneamento básico colocou Merisio e João Rodrigues frente a frente. Merisio criticou o avanço do setor em Santa Catarina e questionou o adversário sobre suas propostas. Rodrigues mencionou os problemas recentes de abastecimento em Florianópolis, defendeu mudanças na gestão estadual e afirmou que, se eleito, pretende privatizar a Casan.

As condições das rodovias também ganharam espaço. Questionado por Rodrigues sobre a infraestrutura necessária para o escoamento da produção e a atração de grandes indústrias, Merisio defendeu maior articulação entre os governos estadual e federal para recuperar a malha viária catarinense.

Estrada Boa e novos confrontos

Com a volta dos temas livres no terceiro bloco, os confrontos políticos ganharam novamente espaço. Merisio cobrou de Jorginho explicações sobre uma declaração feita durante as investigações da morte do cão Orelha. O governador respondeu que havia se manifestado após acompanhar notícias sobre o caso e mencionou a atuação da Polícia Civil e o pedido de arquivamento feito pelo Ministério Público.

João Rodrigues e Ralf Zimmer discutiram políticas destinadas à população em situação de rua e às pessoas com dependência química. Zimmer afirmou que o problema é mundial e que não existe uma “bala de prata” para solucioná-lo. Rodrigues disse que pretende levar para o Estado uma iniciativa adotada em Chapecó, enquanto Zimmer ponderou que nem tudo o que funciona no município pode ser reproduzido nas demais cidades.

Jorginho também questionou Merisio sobre a continuidade dos programas Estrada Boa e Estrada Boa Rural. O candidato do PSB criticou investimentos em algumas rodovias e mencionou, entre os exemplos, a falta de duplicação entre Blumenau e Brusque. Ao falar sobre os recursos disponíveis no Estado, afirmou que “dava para fazer muito mais”.

Outro confronto ocorreu quando Zimmer questionou João Rodrigues sobre aproximadamente R$ 30 mil destinados a uma das rádios de suas filhas. Rodrigues respondeu que elas possuem emissoras e afirmou que, em cinco anos como prefeito, foram destinados cerca de R$ 33 mil em mídia técnica. Na sequência, fez questionamentos sobre o patrimônio do filho de Jorginho Mello.

Saúde, infraestrutura e Universidade Gratuita

No quarto e último bloco, saúde, infraestrutura, educação e relação com o governo federal foram os temas sorteados.

João Rodrigues questionou Jorginho sobre os números de cirurgias divulgados pelo governo estadual e afirmou que ainda existem pacientes aguardando procedimentos. O governador respondeu que sua administração realizou mais de 1 milhão de cirurgias, reduziu o tempo de espera e investiu na reforma de hospitais. Os dois também divergiram sobre a gestão e os investimentos no Hospital Regional de Chapecó.

Na infraestrutura, Merisio perguntou a Rodrigues como fazer Santa Catarina avançar na área. O candidato do PSD respondeu que um gestor público “precisa despolitizar o governo” e afirmou que, se eleito, pretende propor a duplicação da BR-282 e a conclusão das obras nas BRs 470 e 280.

A educação entrou no debate quando Ralf Zimmer perguntou a Merisio se manteria o Universidade Gratuita. Merisio questionou o alcance da iniciativa e perguntou se o programa seria “gratuito para quem?”.

Zimmer apresentou uma posição diferente e afirmou que, se eleito, irá “trancar o programa para reverter para o salário dos professores”.

A relação com Brasília encerrou a rodada. Jorginho perguntou a Zimmer como seria sua relação com o governo federal. O candidato do PRD afirmou que “dialogar” é “conversa fiada” quando se trata da relação de Santa Catarina com Brasília e disse que pretende cobrar formalmente da União as demandas catarinenses, independentemente de quem estiver na Presidência.

Nas considerações finais, Zimmer reforçou essa posição: “Comigo vai ser na notificação. Eles fazem, se eles não fizerem, como eles nunca fizeram, né, ao longo das últimas décadas, a gente faz aqui e cobra a dívida na Justiça deles.”

Considerações finais mantêm o tom do debate

Nos minutos finais, os quatro candidatos retomaram críticas, propostas e posicionamentos apresentados ao longo da campanha.

Ralf Zimmer falou sobre sua experiência na gestão pública e defendeu uma administração com maior utilização de tecnologia e inteligência artificial. “Isso é gestão. Gestão não é publicidade”, afirmou.

Gelson Merisio voltou a criticar a atual administração, principalmente os gastos com publicidade e as políticas de segurança e saúde, e reafirmou seu alinhamento político com o presidente Lula.

“Eu sou o candidato para ajudar o presidente Lula e por isso peço o seu voto e a sua ajuda para que possamos fazer uma grande eleição em Santa Catarina”, declarou.

Jorginho Mello defendeu a continuidade de sua administração e pediu mais um mandato.

“Eu estou aqui para dizer que fiz o melhor governo que eu podia fazer. Quero pedir os 4 anos, mais 4 anos, para fazer o restante que falta. Tem tanta coisa boa para fazer em Santa Catarina”, afirmou.

João Rodrigues encerrou sua participação retomando os questionamentos feitos durante o debate sobre o patrimônio do filho do governador e pediu a oportunidade de disputar um eventual segundo turno.

“Me dê o segundo turno que vai dar para a gente falar disso. Nós vamos estar só nós dois”, declarou.

As acusações e os questionamentos apresentados pelos candidatos contra adversários e familiares durante o debate são declarações feitas por eles no contexto da campanha eleitoral e não são apresentados nesta matéria como fatos comprovados.

O primeiro turno das Eleições 2026 acontece neste domingo, 4 de outubro. Caso nenhum candidato alcance mais da metade dos votos válidos, os dois mais votados disputarão o segundo turno em 25 de outubro.

*Com informações e imagens NSCTV

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