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Álcool e cigarro podem causar cegueira, alertam especialistas

Ingerir bebidas adulteradas também é fator de risco alto

Por Ligado no Sul13/09/2026 11h00
© Marcelo Camargo/Agência Brasil

O consumo frequente e prolongado de álcool e tabaco pode prejudicar as células responsáveis pela visão, causando danos graves e, em alguns casos, até cegueira. O alerta faz parte de uma nova publicação sobre neuro-oftalmologia, área que une a oftalmologia e a neurologia para investigar problemas de visão relacionados ao cérebro e ao sistema nervoso.

A publicação Neuro-Oftalmologia foi lançada durante o 70º Congresso Brasileiro de Oftalmologia, em Salvador. O material reúne informações sobre doenças que podem afetar a visão, formas de diagnóstico e tratamentos. O trabalho foi organizado pelos oftalmologistas Eric Pinheiro de Andrade, Leonardo Provetti Cunha e Mário Luiz Monteiro.

Segundo o Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO), o olho permite que o médico observe, sem procedimentos invasivos, parte do que acontece no sistema nervoso central. Isso é possível por meio do nervo óptico, que faz a ligação entre o olho e o cérebro.

Por isso, uma alteração na visão pode ser o primeiro sinal de uma doença neurológica. Entre os problemas que podem ser identificados estão inflamações do nervo óptico, falta de circulação nessa região, tumores, aneurismas, aumento da pressão dentro do crânio e alterações que provocam visão dupla.

A área também identifica problemas causados pelo consumo excessivo de álcool e tabaco, pela falta de vitaminas e nutrientes e pela exposição a substâncias tóxicas.

No caso do metanol, segundo o CBO, a ingestão, geralmente por meio de bebidas adulteradas, pode causar danos em diferentes pontos do caminho entre a retina e o cérebro, levando ao comprometimento da visão.

“O conhecimento dessa dinâmica permite ao médico especialista em neuro-oftalmologia, localizar uma lesão antes mesmo de pedir exames como a ressonância.”

Sinais de alerta

Nos casos relacionados ao uso prolongado de álcool e tabaco, a perda de visão costuma acontecer lentamente e sem dor. Como os dois olhos podem ser afetados ao mesmo tempo, a pessoa pode demorar para perceber o problema.

Um dos sinais é o surgimento de um borrão no centro da visão, enquanto a visão das laterais continua normal. As cores também podem ficar desbotadas. O vermelho, por exemplo, pode passar a ser percebido como um rosa mais claro.

Quando o problema está relacionado ao metanol, os sintomas costumam aparecer entre seis e 24 horas após o consumo. A pessoa pode apresentar visão turva, sensibilidade à luz, pupilas dilatadas e dificuldade para enxergar as cores. O quadro pode evoluir para cegueira permanente, convulsões e coma.

O CBO alerta para a necessidade de avaliação médica rápida diante de alterações como perda repentina da qualidade da visão, visão dupla que desaparece ao cobrir apenas um dos olhos, pálpebra caída que piora ao longo do dia, dor ao movimentar os olhos e dores de cabeça persistentes acompanhadas de escurecimento da visão ao se levantar.

“Esses casos requerem avaliação médica especializada rápida após a perda de qualidade da visão de forma súbita, visão dupla que desaparece ao se cobrir apenas um dos olhos, pálpebra caída que piora ao longo do dia, dores ao movimentar o globo ocular e dores de cabeça persistentes com escurecimentos da visão ao levantar-se.”

Para descobrir a causa do problema, um dos principais recursos é a conversa entre o médico e o paciente. Segundo o CBO, essa conversa pode ajudar a chegar ao diagnóstico em grande parte dos casos. O médico pode perguntar sobre alimentação, cirurgia bariátrica anterior, uso de medicamentos, histórico familiar e consumo de álcool e tabaco.

Depois, podem ser feitos exames para avaliar as pupilas, a percepção das cores, o campo de visão, os movimentos dos olhos e o fundo do olho. Também podem ser solicitados exames como a tomografia de coerência óptica (OCT), que verifica a espessura das fibras do nervo óptico, a ressonância magnética, a dosagem de vitamina B12 e outros testes para avaliar o funcionamento da visão.

Quando o problema é causado por álcool, tabaco ou algum medicamento, a orientação é interromper o contato com a substância responsável pelo dano. Nos casos provocados pela falta de vitaminas, é feita a reposição.

Já a intoxicação por metanol é uma emergência médica e pode exigir medicamentos específicos, correção das alterações provocadas pela intoxicação e até diálise. Quando o tratamento começa rapidamente, pode ajudar a preservar a visão.

“Para o restante do espectro de doenças neurológicas que afetam a visão, os tratamentos vão desde a administração de corticoide em altas doses e plasmaférese nas neurites, até realização de radioterapia, cirurgia e terapias-alvo nas compressões tumorais”, completou o CBO.

 

*Com informações Agência Brasil

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