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Câmara de Orleans debate violência contra a mulher, transparência e funcionamento de câmeras OCR

Durante a 33ª sessão, Vanderleia Rossi relatou anos de violência doméstica, enquanto vereadores cobraram informações sobre gastos com publicidade e manutenção do sistema de leitura de placas

Por Ligado no Sul01/09/2026 10h30
Fotos/Redação

A 33ª sessão da Câmara de Vereadores de Orleans, realizada nesta segunda-feira (31), teve entre os principais assuntos debatidos a violência contra a mulher, a transparência nos gastos públicos e o funcionamento das câmeras OCR instaladas no município.

Um dos momentos de maior impacto foi a participação de Vanderleia Rossi, convidada pela Procuradoria da Mulher da Câmara para utilizar a tribuna e compartilhar a experiência vivida há cerca de 21 anos, quando foi vítima de violência física e psicológica praticada pelo então companheiro.

Durante o depoimento, Vanderleia relatou que sofreu agressões durante o relacionamento e chegou a correr risco de morte. Em uma das situações mais graves, contou que foi enforcada com o fio de um telefone.

“Eu passei isso faz 21 anos e foram momentos bem intensos. Foram violências físicas, psicológicas, agressões bem fortes que quase tiraram a minha vida. Teve uma vez que realmente quase deu certo”, relatou.

Na época, segundo ela, tinha um filho pequeno e chegou a pesar 56 quilos. Vanderleia também falou sobre uma característica que, segundo sua experiência, dificulta a identificação da violência doméstica: a diferença entre o comportamento do agressor dentro e fora de casa.

“Na rua ele não parece agressor. Ele é agressor da porta para dentro. Existe toda uma encenação e é difícil para a mulher fazer com que as pessoas acreditem”, afirmou.

Além das agressões físicas, Vanderleia contou que também sofreu com controle e isolamento. Ela relatou ter sido proibida de visitar o pai e o irmão durante um ano e disse que o ciúme do companheiro chegou a atingir seu próprio filho.

Segundo ela, até situações relacionadas à aparência e à rotina eram controladas. Vanderleia afirmou que não podia abrir as janelas da casa, receber determinadas pessoas ou frequentar a praia usando roupas que mostrassem as pernas.

“Praia só de calça jeans. Tenho fotos que comprovam isso. Eu virei motivo de piada. As pessoas achavam que eu tinha algum problema nas pernas, mas não era nada disso”, contou.

Ela afirmou ainda que as agressões começaram quando estava grávida, inicialmente com um empurrão, e foram aumentando com o tempo.

“O cuidado é uma coisa. O ciúme já é outra coisa bem diferente. O ciúme destrói”, declarou.

Ao recordar o episódio do enforcamento, Vanderleia afirmou ter acreditado que morreria.

“Naquela hora eu só pedi a Deus que meu filho ficasse bem”, relatou.

A decisão de deixar o relacionamento veio depois de uma série de acontecimentos familiares. Vanderleia contou que perdeu dois irmãos em um período de um ano e passou a temer que seu pai enfrentasse a perda de uma terceira filha.

“Eu entendi que eu seria a próxima e que seria muito duro para o meu pai perder uma terceira filha de uma forma tão trágica. Foi quando tomei a decisão de sair. Na verdade, de fugir”, afirmou.

Violência nem sempre é percebida por quem está fora

Vanderleia também chamou atenção para o fato de que a violência doméstica pode ocorrer independentemente da condição financeira ou da imagem social do agressor.

Ela contou que vinha de uma família estruturada e que o relacionamento, visto de fora, não apresentava sinais que levassem as pessoas a suspeitar das agressões.

“Como que tu vai entrar na casa de um casal e vê as melhores coisas possíveis dentro daquela casa, os armários cheios, tudo abastecido, e vai dizer que aquele marido não é bom? Fica difícil de provar”, explicou.

Ela relatou ainda que chegou a tentar registrar as agressões com uma câmera, mas o equipamento foi encontrado pelo companheiro e danificado.

Ao final do depoimento, Vanderleia deixou uma orientação para mulheres que estejam passando por situações de violência.

“Registrem o BO, denunciem. Mas, a partir do momento que vocês fizerem isso, tenham ciência de que precisam sair. Precisam buscar ajuda e proteção da família ou de amigos”, afirmou.

Ela também defendeu a busca por medidas protetivas e apoio de pessoas de confiança.

“Procurem pessoas em quem vocês confiem, denunciem, peçam medida protetiva. Mas vocês precisam sair de onde estão”, orientou.

Vanderleia afirmou que hoje se considera recuperada da experiência e reforçou a necessidade de as mulheres acreditarem na própria capacidade de reconstruir a vida.

“Hoje eu sou uma pessoa totalmente curada. É ter fé e acreditar em si, porque dentro de toda mulher existe uma guerreira forte para caramba, capaz de sair de qualquer situação”, concluiu.

Vereador cobra informações sobre gastos com publicidade

Durante a sessão, o vereador Dovagner Baschirotto (MDB) também comentou o requerimento nº 21, apresentado por ele em 24 de julho, solicitando informações sobre os gastos da Prefeitura de Orleans com marketing, publicidade e propaganda nos veículos de comunicação.

Segundo o vereador, a resposta do Executivo foi recebida em 27 de agosto. Ele afirmou que os dados encaminhados apresentam os pagamentos feitos às empresas responsáveis pela publicidade, mas não detalham quais veículos de comunicação receberam os recursos e os respectivos valores.

“Essa informação, para nós, é insuficiente, porque a gente não tem o direcionamento de quem recebeu esses pagamentos”, afirmou.

Baschirotto disse que, após orientação jurídica, pretende buscar as informações junto ao Ministério Público ou ao Tribunal de Contas, para verificar os valores destinados a rádios, portais e outros meios de comunicação.

De acordo com o vereador, a motivação do requerimento também está relacionada a publicações feitas por um portal local que, segundo ele, questionaram sua atuação parlamentar e divulgaram informações sobre valores recebidos por vereadores.

Baschirotto afirmou que já havia feito cobranças relacionadas à situação das câmeras de segurança, à Ponte Anita Garibaldi e a outras questões de interesse do município. Segundo ele, as manifestações foram interpretadas pelo portal como críticas ao governador.

“Na verdade, a gente não fala mal do governador. A gente cobra o que é melhor para o nosso estado e principalmente para o nosso município”, declarou.

O vereador defendeu que a população tenha acesso aos dados sobre os investimentos do Executivo em publicidade e comunicação.

Câmara também cobra funcionamento das câmeras OCR

Outro assunto abordado durante a sessão foi o funcionamento das câmeras OCR, equipamentos capazes de identificar e registrar placas de veículos.

A indicação foi apresentada pelo presidente da Câmara, Murilo Hofmann (Novo), solicitando que o Executivo Municipal dê atenção à situação do sistema no município.

Segundo o vereador, as câmeras estão instaladas em Orleans, mas o sistema de leitura das placas não estaria funcionando há algum tempo.

A proposta busca que a Prefeitura verifique a situação dos equipamentos e adote as medidas necessárias para que o sistema volte a operar adequadamente.

O funcionamento das câmeras é considerado uma ferramenta importante para a segurança pública, especialmente por permitir o registro de placas de veículos que circulam pelo município e auxiliar no trabalho de identificação e localização de automóveis.

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