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De DJ a empresário: a virada de André Eleutério entre negócios, fé e propósito

À frente da Exclusivo Consórcios, empresário conta no Fora do Ar como uma temporada nos Estados Unidos mudou sua forma de enxergar dinheiro, trabalho e escolhas 

Por Ligado no Sul31/08/2026 10h30
Fotos/Redação

Quem olha hoje para André Eleutério à frente da Exclusivo Consórcios talvez não imagine que boa parte de sua história foi construída entre música, festas e noites viradas. Antes dos negócios, vieram os eventos. Antes da empresa, o DJ. E antes de entender com mais clareza o caminho que queria seguir, houve um período em que André simplesmente sentia que alguma coisa ainda não estava no lugar.

Foi essa história que ele levou ao Fora do Ar com a Guarujá, em uma conversa que passou por dinheiro, empreendedorismo, Estados Unidos, família, fé e escolhas — mas que, no fundo, voltou várias vezes à mesma pergunta: o que faz uma vida ter sentido?

André nunca escondeu que a noite fazia parte do trabalho, mas não necessariamente combinava com quem ele era.

“Eu nunca escolhi trabalhar na noite”, contou.

No começo, acompanhar colegas e aprender o ofício fazia parte do caminho. Vieram as casas noturnas, as festas e a construção do nome como DJ. Mas havia outras possibilidades que faziam mais sentido para ele: aniversários, casamentos, eventos empresariais.

“Aquilo não conversava comigo”, resumiu.

A mudança de cenário veio quando decidiu ir para os Estados Unidos. A viagem acabou representando muito mais do que uma experiência profissional. Foi longe do ambiente que conhecia que André começou a rever escolhas e a perceber que talvez existisse outro caminho.

Hoje, ele admite que poderia ter mudado sem necessariamente deixar o país. Naquele momento, porém, não conseguia enxergar isso.

Foi na fé que André encontrou uma maneira de explicar parte dessa trajetória.

Durante a conversa, ele lembrou a história de Abraão e o chamado para sair da tenda e seguir para uma terra que ainda seria mostrada. Para ele, a imagem representa aqueles momentos em que a pessoa permanece presa ao que conhece e, por isso, não consegue enxergar o que existe além.

A metáfora cabe na própria história de André. Ele saiu do lugar conhecido, atravessou uma fronteira e, no processo, acabou encontrando novas possibilidades.

“Nem sempre Deus vai te mostrar como vai ser”, afirmou. “A direção é importante, mas saber quem vai contigo é muito mais importante.”

A fé, para André, não aparece separada do trabalho. Ela está presente na maneira como ele interpreta decisões, relacionamentos e até o conceito de sucesso.

Quando crescer não é suficiente

Nos negócios, André encontrou no consórcio uma nova frente profissional. Hoje, está à frente da Exclusivo Consórcios, com atuação em Criciúma, Araranguá e Cocal do Sul, além de clientes brasileiros que vivem em diferentes países.

O trabalho também mudou de perfil ao longo do tempo. Segundo ele, muitos dos clientes já possuem patrimônio e procuram o consórcio como uma ferramenta de planejamento e construção patrimonial, e não necessariamente porque precisam comprar um carro ou uma casa imediatamente.

É aí que entra uma palavra que André repete bastante: planejamento.

Para ele, o consórcio não deve ser tratado como dinheiro fácil ou fórmula mágica. “Não existe almoço grátis”, disse durante a entrevista, lembrando que a modalidade também possui custos e taxas.

A diferença, na visão dele, está justamente em conseguir pensar antes de comprar.

“Se tu pode planejar, programar”, defende, o cenário muda.

André também leva esse assunto para empresas, por meio de palestras de educação financeira. A linguagem é propositalmente simples. Segundo ele, muita gente só consegue guardar dinheiro quando existe uma obrigação para pagar.

“Se tu tens boleto, tu paga. Se tu não tem, não guarda dinheiro.”

A frase resume uma das ideias que ele tenta transmitir: organizar a vida financeira antes que as dívidas ocupem todo o espaço disponível.

A conversa, porém, deixou de lado os números por alguns momentos e entrou em um terreno mais pessoal.

André foi questionado sobre como seria sua vida se a história tivesse seguido outro caminho. A resposta o levou diretamente ao conceito de sucesso.

Para ele, ter dinheiro ou ocupar o topo de uma profissão não é suficiente.

“Sucesso não é medido pelo valor.”

A partir daí, ele trouxe uma comparação que resume sua maneira de pensar sobre crescimento. Uma empresa pode crescer muito, mas a questão é saber se está crescendo de maneira saudável.

“Tu pode ter uma empresa que vai crescer, mas ela vai crescer saudável.”

O mesmo vale para a vida profissional. André questiona o que pode ter sido perdido no caminho de quem chega ao topo a qualquer custo.

“Será que tu não deixou ninguém para trás? Será que tu não teve que pisar em alguém para chegar naquele lugar?”

A resposta que ele encontrou para essa equação é simples: crescer, mas sem abrir mão dos princípios.

“Cresça, mas cresça saudavelmente.”

 

O vazio depois da festa

Talvez uma das partes mais pessoais da conversa tenha aparecido quando André voltou à época em que vivia intensamente a noite.

Boates, festas, música e uma rotina que, por fora, poderia parecer movimentada e divertida. Mas, quando chegava em casa, havia outra sensação.

“Chegava em casa, sempre tinha um vazio.”

Segundo ele, essa sensação permaneceu por um período até que sua relação com a fé se aprofundasse.

Foi também nesse processo que começou a pensar de outra maneira sobre aquilo que queria construir. Não apenas uma carreira ou uma empresa, mas uma vida que tivesse coerência com seus princípios.

A pergunta deixou de ser apenas quanto era possível ganhar e passou a incluir o que estava sendo construído no caminho.

O que fica para os filhos

Família também entrou na conversa quando André falou sobre educação financeira.

Ele defende que esse aprendizado precisa começar cedo e contou que já encontrou famílias pensando em criar hábitos financeiros nos filhos desde a adolescência.

Para ele, ensinar a administrar dinheiro é uma forma de evitar que os filhos repitam comportamentos que os pais aprenderam apenas depois de adultos.

A lógica é começar pequeno, criando o hábito de guardar, planejar e entender o valor das escolhas.

“Se a gente não conseguir passar isso pros nossos filhos, vai ser muito difícil.”

É uma preocupação que vai além dos negócios. Afinal, o patrimônio que André fala não é apenas aquele que pode ser medido em reais.

 

 

O DJ que ainda está ali

Apesar da mudança profissional, a música não desapareceu. André continua trabalhando com festas, casamentos e eventos. A diferença é que hoje ele enxerga o trabalho de outra maneira.

Ele conta que não bebe durante os eventos porque está trabalhando e precisa estar atento ao que acontece ao seu redor.

Mais do que tocar música, porém, passou a enxergar a atividade como uma forma de conexão.

No fim da entrevista, Marc resumiu essa transformação em uma frase: “Tu não tá tocando música, tu tá tocando vidas.”

A ideia também vale para o rádio. Uma conversa, uma música ou uma palavra podem alcançar alguém que está ouvindo do outro lado. E talvez seja justamente aí que as duas partes da história de André — a música e os negócios — se encontram.

O conselho para o menino da fotografia

No encerramento, André recebeu uma pergunta que tirou a conversa do presente e o colocou diante de uma fotografia antiga: o que ele diria para aquele menino?

A resposta veio rápida: “Arrisque mais.”

Não se trata, segundo ele, de agir sem pensar, mas de não ignorar aquilo que acredita ser uma direção.

Para explicar, André recorreu novamente a uma história bíblica. Falou sobre José do Egito, que passou por diferentes situações,  de escravo a prisioneiro, até chegar ao lugar que a história reservava para ele.

A leitura de André é que José continuou exercendo seus dons independentemente das circunstâncias.

O conselho, então, ganhou outras palavras:

“Escute mais a voz de Deus, busque realmente o que é certo. Fique na luz, fique na claridade.”

Ao olhar para trás, André não romantiza todos os caminhos que percorreu. Reconhece que poderia ter escolhido outras rotas, mas acredita que cada experiência ajudou a construir quem se tornou.

Hoje, entre o empresário, o DJ, o marido, o pai e o homem de fé, existe uma história que não cabe apenas em um cartão de visitas.

E talvez essa seja a principal ideia que ficou do encontro no Fora do Ar: dinheiro pode ajudar a construir patrimônio, uma carreira pode trazer reconhecimento e uma empresa pode crescer. Mas, para André Eleutério, a pergunta que permanece é outra — o que está sendo construído enquanto tudo isso acontece?

Confira o episódio completo

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