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Papo Empreendedor: quando o negócio muda de tamanho, o que sustenta o crescimento?

Empresária e estilista do Grupo Signora conta como identificou uma oportunidade no mercado de produtos personalizados, estruturou a empresa e transformou uma parceria nacional em uma trajetória de crescimento

Por Ligado no Sul27/08/2026 10h30
Fotos/redação

Uma oportunidade de negócio raramente aparece com uma placa indicando que pode mudar o rumo de uma empresa. Na maioria das vezes, ela surge disfarçada de comportamento novo, reclamação de cliente ou percepção de que determinado produto ainda não existe. O desafio está em reconhecer o movimento antes que ele se torne óbvio para todo mundo.

Foi olhando para essas mudanças que a empresária e estilista Daiane de Moliner Nazario, à frente do Grupo Signora, decidiu ir além da moda e apostar em um mercado que começava a ganhar força: o de produtos para casa.

A história foi o ponto de partida de uma conversa sobre empreendedorismo, inovação, comportamento e crescimento no segundo episódio da sexta temporada do Papo Empreendedor. A nova temporada chega com formato diferente. Anna como entrevistadora fixa nos oito programas e, a cada episódio, divide a bancada com uma nova coapresentadora, trazendo diferentes experiências e perspectivas para as entrevistas. Na estreia, a convidada foi Vanilsa Silvano, empresária, especialista em consultoria organizacional, mentora e palestrante, com atuação ligada à liderança, gestão e desenvolvimento de pessoas e negócios.

Antes do crescimento, veio a percepção

Daiane começou a empreender em 2016, depois de anos trabalhando com moda e desenvolvimento de estampas. A ideia inicial não era criar uma grande operação. Ela queria aproveitar sua experiência para entrar em um segmento que começava a mudar.

Viagens à Europa ajudaram a ampliar esse olhar. Por lá, ela observava um comportamento que ainda começava a se consolidar no Brasil: a aproximação entre moda, decoração e estilo de vida. O crescimento de plataformas como o Airbnb, a valorização de receber pessoas em casa e o movimento do “faça você mesmo” eram sinais de que a relação dos consumidores com os próprios espaços estava mudando.

“Eu sou da área da moda, estilista, e quem trabalha com moda trabalha sempre olhando para o futuro”, explicou. Para ela, porém, olhar para o futuro não significa apenas acompanhar tendências de roupas, mas entender como o consumidor está mudando.

A primeira oportunidade apareceu justamente dessa combinação entre experiência profissional e observação de mercado. Um arquiteto conheceu o trabalho de Daiane com estampas e mostrou uma demanda que ainda não estava sendo atendida: arquitetos queriam desenvolver peças personalizadas para seus projetos, mas nem sempre encontravam quem pudesse produzir os tecidos e objetos com aquela proposta.

A empresária percebeu ali um espaço.

A ideia inicial era desenvolver estampas e tecidos para projetos de arquitetura. Mas a estratégia foi se ampliando. Em uma feira, decidiu levar também uma bolsa. O que começou como uma extensão da experiência acumulada na moda acabou se transformando em um novo negócio.

Esse movimento ajuda a explicar uma diferença importante entre ter uma ideia e identificar uma oportunidade. A ideia pode nascer dentro da empresa. A oportunidade, quase sempre, está do lado de fora — no comportamento do consumidor, nas necessidades do mercado ou em algo que as pessoas ainda não conseguem comprar da maneira que gostariam.

Quando uma pequena empresa entra no radar nacional

O salto seguinte veio com uma parceria que colocou o trabalho desenvolvido no Sul de Santa Catarina diante de milhões de brasileiros: o Big Brother Brasil.

Mas a parte mais interessante dessa história talvez esteja menos na exposição nacional e mais no que aconteceu dentro da empresa depois dela.

Quando a parceria surgiu, a empresa ainda funcionava em uma estrutura pequena. Daiane lembra que, naquele momento, a primeira providência foi procurar um advogado. “Primeiramente eu precisei de um advogado porque o contrato era desse tamanho”, contou. A empresa nacional estava fazendo uma parceria com um negócio que, até pouco tempo antes, funcionava em uma garagem.

É aí que uma oportunidade deixa de ser apenas uma boa notícia e passa a ser também um teste de gestão.

Uma empresa pode estar preparada para produzir algumas centenas de unidades e, de repente, receber uma demanda que exige novos processos, contratos, fornecedores, prazos e controles. O crescimento, nesse cenário, não acontece apenas no faturamento. Ele exige estrutura.

A parceria com o programa se consolidou e já dura seis anos. Atualmente, o Grupo Signora desenvolve diferentes produtos para a casa do reality, a partir de briefings enviados pela produção. O processo envolve desenvolvimento, amostras digitais, reuniões e aprovação até a produção final.

Daiane também conta que a relação com o cliente passou a orientar parte importante da cultura da empresa. Em produtos personalizados, por exemplo, ela opta por não colocar a própria marca. A identidade que deve aparecer é a do cliente.

A lógica é simples: se o produto foi criado para resolver uma necessidade específica, o protagonismo deve ser de quem o contratou.

O crescimento também expõe o que falta

Há uma romantização frequente em torno das grandes oportunidades. A história costuma ser contada a partir do momento em que o negócio “deu certo”. O que aparece menos é a quantidade de problemas que uma oportunidade pode revelar.

No caso de Daiane, o crescimento obrigou a empresa a amadurecer. Vieram novos contratos, novas demandas e a necessidade de dividir responsabilidades.

Ela atribui parte dessa capacidade à equipe. “Eu tenho pessoas muito boas comigo”, afirmou. A empresária diz ter construído dentro da organização uma rede de profissionais que atuam como “intraempreendedores”, assumindo responsabilidades em áreas nas quais ela não é especialista.

A mudança também altera a própria função do empreendedor. À medida que a empresa cresce, não é mais possível centralizar todas as decisões. O fundador precisa aprender a escolher onde sua presença realmente faz diferença e confiar em pessoas capazes de executar o restante.

No discurso de Daiane, isso aparece associado a uma ideia recorrente: velocidade não pode significar descuido.

Ela defende que a equipe precisa entender que trabalha para o cliente — e não simplesmente para a dona da empresa. “Vocês não trabalham para a Daiane, vocês trabalham para o cliente”, resume.

Entre o medo e os 1% de chance

Vanilsa levou a conversa para outro ponto comum à trajetória de quem empreende: o medo.

Uma grande oportunidade pode produzir exatamente o efeito contrário ao esperado. Em vez de entusiasmo, pode provocar a pergunta: “Será que eu vou conseguir?”

Daiane reconhece que esse sentimento esteve presente quando recebeu a oportunidade ligada ao Big Brother Brasil. A decisão, porém, foi seguir mesmo sem ter todas as garantias.

“Se der medo, vá com medo mesmo”, afirmou, recorrendo a uma frase que sintetiza a forma como enxerga decisões empresariais. Em outra passagem, resume sua lógica: “O não a gente já tem”.

A frase funciona como uma espécie de síntese da conversa, mas também merece uma ressalva. Nem toda oportunidade deve ser aceita apenas porque existe. Coragem empresarial não elimina a necessidade de avaliar custos, riscos e capacidade de execução. No caso de Daiane, a oportunidade foi acompanhada de uma transformação estrutural da empresa — justamente o que permitiu que a exposição se convertesse em uma relação de longo prazo.

Ao longo da entrevista, a trajetória do Grupo Signora revela uma constante: a tentativa de entender o que o cliente quer antes de simplesmente oferecer aquilo que a empresa sabe produzir.

Essa lógica aparece desde a criação do negócio e continua na relação com grandes marcas. No trabalho desenvolvido para o Big Brother Brasil, por exemplo, a equipe recebe briefings e transforma demandas em produtos, passando por etapas de criação, ajustes e aprovação.

O movimento também está presente na criação das próprias marcas. A Taormina, carinhosamente chamada de Tao, foi pensada para uma proposta mais jovem e voltada para movimento e viagens, enquanto a SNR Speciale nasceu da ideia de personalização para empresas. Os nomes dos produtos seguem ainda uma referência italiana, ligada à origem familiar de Daiane.

No fim, a história não é apenas sobre chegar ao Big Brother Brasil. É sobre perceber uma mudança antes que ela se torne tendência, testar uma possibilidade, aceitar que a empresa precisará mudar junto e construir uma equipe capaz de acompanhar esse movimento.

É também o tipo de trajetória que ajuda a responder à pergunta que abre a sexta temporada do Papo Empreendedor: o que prepara alguém para o futuro do trabalho?

A tecnologia pode acelerar processos, ampliar mercados e mudar a forma como produtos são desenvolvidos. Mas, na experiência contada por Daiane, a capacidade de observar pessoas, compreender necessidades, tomar decisões e trabalhar em equipe continua sendo um dos ativos mais difíceis de substituir.

Conheça um pouco mais sobre Daiane

  • Criar ou gerir? Criar
  • Uma palavra para definir liderança? Exemplo
  • O maior aprendizado de empreender? Persistência
  • Uma decisão corajosa? Seguir em frente
  • Algo que você aprendeu a dizer “não”? Para as pessoas
  • Algo que você nunca terceirizaria? A responsabilidade
  • Um produto do Grupo Signora que tem um significado especial para você? A primeira necessaire que eu fiz
  • Sua maior escola no empreendedorismo? A persistência
  • Uma marca que você admira? Zara
  • Um conselho que gostaria de ter ouvido quando começou? Tenha paciência, não será fácil, mas você vai conseguir
  • Uma coisa que empreender deu a você? Crescimento pessoal
  • Fé, força ou coragem? Fé
  • O que significa sucesso hoje? É chegar até aqui
  • Onde você se imagina daqui a cinco anos? Sendo reconhecida nacionalmente com produtos feitos no Brasil

Confira aqui o episódio completo

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