Dia Estadual de Combate ao Feminicídio: dados revelam perfil das vítimas e reforçam alerta em Santa Catarina
Nesta quarta-feira, 22 de julho, Santa Catarina lembra o Dia Estadual de Combate ao Feminicídio, uma data criada para conscientizar a sociedade sobre a violência contra a mulher e fortalecer as políticas públicas de prevenção e enfrentamento a esse tipo de crime.
Mais do que uma data simbólica, o dia convida à reflexão sobre uma realidade que ainda preocupa. Embora o Estado tenha ampliado a rede de proteção às mulheres nos últimos anos, os números mostram que o feminicídio continua fazendo vítimas e, na maioria das vezes, ocorre dentro do ambiente familiar, cometido por pessoas próximas.
Dados do Observatório da Violência contra a Mulher de Santa Catarina (OVM-SC) apontam que 52 mulheres foram vítimas de feminicídio em 2025. Já no primeiro semestre de 2026, o Estado registrou 28 casos, segundo informações da Secretaria de Estado da Segurança Pública (SSP-SC).
Outro indicador que evidencia a dimensão da violência de gênero é o número de medidas protetivas. Em 2025, foram solicitadas 31.655 medidas protetivas em Santa Catarina. Apenas entre janeiro e junho deste ano, outras 17.058 solicitações já haviam sido registradas junto ao Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJSC).
Mapa do Feminicídio traça perfil das vítimas
Lançado pelo Ministério Público de Santa Catarina (MPSC), o Mapa do Feminicídio reúne informações detalhadas sobre os casos registrados no Estado e busca subsidiar ações de prevenção e enfrentamento à violência contra a mulher.
O estudo analisou os feminicídios ocorridos entre 2020 e 2024, identificando padrões relacionados ao perfil das vítimas, dos autores, às circunstâncias dos crimes e aos fatores de risco.
Os dados mostram que a maioria dos feminicídios ocorre dentro da residência da vítima e é praticada por companheiros ou ex-companheiros, evidenciando que o crime, na maior parte das vezes, representa o desfecho de um ciclo de violência doméstica.
O levantamento também revela que 68,9% das vítimas já haviam sofrido algum tipo de violência antes do feminicídio, mas 80% delas nunca haviam solicitado medida protetiva de urgência, indicando a importância da denúncia e do acesso à rede de proteção ainda nos primeiros sinais de agressão.
Outro dado que chama a atenção é que 65% das mulheres assassinadas eram mães, demonstrando que o feminicídio deixa consequências que atingem diretamente crianças, adolescentes e toda a estrutura familiar.
O painel desenvolvido pelo MPSC também reúne informações sobre faixa etária, escolaridade, estado civil, ocupação, raça, existência de filhos, vínculo entre vítima e autor e local do crime. O objetivo é transformar esses dados em instrumentos para orientar políticas públicas e aprimorar a atuação dos órgãos de segurança, do sistema de Justiça e da rede de atendimento às mulheres.
Violência pode ser evitada
Especialistas destacam que o feminicídio raramente acontece de forma repentina. Em muitos casos, ele é precedido por ameaças, violência psicológica, controle excessivo, agressões físicas e outros comportamentos abusivos que se intensificam ao longo do tempo.
Por isso, denunciar os primeiros episódios de violência e buscar apoio junto aos serviços especializados pode ser decisivo para interromper esse ciclo e preservar vidas.
Em Santa Catarina, mulheres em situação de violência podem buscar ajuda por meio da Polícia Militar (190), da Central de Atendimento à Mulher (180), das Delegacias de Proteção à Criança, Adolescente, Mulher e Idoso (DPCAMIs), da Delegacia Virtual, quando disponível para o tipo de ocorrência, além da rede de assistência social existente nos municípios.

