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Quedas e violência contra idosos muitas vezes têm um fator em comum: o ambiente onde eles vivem

Datas de conscientização em junho chamam atenção para um aspecto ainda pouco discutido no Brasil: como a moradia pode reduzir riscos, preservar a autonomia e prevenir situações de vulnerabilidade

Por Ligado no Sul23/06/2026 12h00
Imagens/Divulgação

Embora sejam tratados como temas distintos, quedas, negligência e diferentes formas de violência contra idosos compartilham, muitas vezes, um fator de risco importante: ambientes inadequados ao envelhecimento. Degraus sem sinalização, banheiros sem barras de apoio, iluminação insuficiente e espaços pouco adaptados podem comprometer a autonomia e aumentar a vulnerabilidade física e emocional dessa população.

As quedas estão entre as principais causas de hospitalização e de perda de independência em pessoas com mais de 60 anos. Ao mesmo tempo, dados do Ministério da Saúde apontam crescimento das notificações de violência contra idosos na última década, e a maior parte dos casos ocorre no ambiente doméstico e envolve familiares ou pessoas próximas.

“Quando um idoso perde autonomia por conta de uma queda ou passa a depender integralmente de terceiros para atividades básicas do dia a dia, aumenta também sua vulnerabilidade. Por isso, falar em prevenção significa olhar não apenas para a saúde, mas também para o ambiente em que essa pessoa vive”, afirma Leandro Ramos de Souza, gerente de longevidade do LOMA Pedra Branca, advogado, fisioterapeuta, especialista em gerontologia e integrante da Comissão de Direito da Pessoa Idosa da OAB-SC.

O tema ganha relevância especial em Santa Catarina, estado com a maior expectativa de vida do país. Segundo o IBGE, os catarinenses vivem, em média, 81,1 anos, e a população com 60 anos ou mais já supera 1,2 milhão de pessoas. O cenário reforça a necessidade de repensar moradias, bairros e cidades para uma realidade em que viver mais é uma conquista cada vez mais comum.

A discussão sobre envelhecimento também evoluiu. Hoje, especialistas em longevidade defendem que envelhecer bem vai muito além da ausência de doenças. Significa preservar a autonomia, a capacidade de decisão, os vínculos sociais, a mobilidade e o propósito de vida. Nesse cenário, o ambiente em que a pessoa vive torna-se um dos principais determinantes da qualidade do processo de envelhecimento. Afinal, muitas vezes, os acidentes não se devem à falta de cuidado ou de intencionalidade, mas sim à falta de um olhar de prevenção.

Moradia como ferramenta de prevenção

O conceito de senior living, um modelo de moradia voltado para pessoas idosas que desejam manter a autonomia, uma vida social ativa e acesso facilitado a serviços de saúde e bem-estar. Consolidado há décadas em países como os Estados Unidos, o Canadá e diversas nações europeias, o conceito começa a ganhar espaço também no Brasil.

Em operação desde março deste ano na Cidade Criativa Pedra Branca, em Palhoça, o LOMA Pedra Branca by DOM Senior Living foi desenvolvido com base nessa lógica. O empreendimento reúne apartamentos privativos, áreas de convivência, programação voltada à longevidade, equipe multidisciplinar e infraestrutura projetada para reduzir riscos associados ao envelhecimento, como quedas e isolamento social.

A proposta não é substituir o convívio familiar nem responder a situações de crise, é antecipar necessidades e oferecer condições para que a autonomia seja preservada por mais tempo possível. Ambientes acessíveis, iluminação adequada, circulação facilitada, suporte especializado e estímulo à convivência fazem parte dessa estratégia.

“A maior parte das quedas e muitos dos processos que levam ao isolamento poderiam ser prevenidos com planejamento. Quando a pessoa escolhe viver em um ambiente preparado para o envelhecimento ainda enquanto é independente, ela amplia suas chances de manter autonomia, segurança e qualidade de vida por mais tempo”, afirma Renata Stringhini, cofundadora da DOM Senior Living.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde, o envelhecimento saudável está diretamente relacionado à manutenção da capacidade funcional, que inclui mobilidade, autonomia, participação social e acesso a ambientes que favoreçam o bem-estar. Nesse contexto, modelos de moradia planejados para a longevidade ganham relevância ao aproximar a convivência, a segurança, os serviços e o cuidado, o que aumenta a expectativa de vida. Na prática, isso significa mais independência, maior participação social e menor exposição a situações que podem comprometer a saúde e o bem-estar.

O Junho Violeta (15/6 – Dia Mundial de Conscientização da Violência contra a Pessoa Idosa; 24/6 – Dia Mundial de Prevenção de Quedas) reforça justamente essa reflexão: a prevenção da violência, da negligência e de muitos dos riscos associados ao envelhecimento começa antes de qualquer intervenção médica ou jurídica. Ela começa no ambiente onde as pessoas vivem. Reforça justamente essa reflexão: a prevenção da violência, da negligência e de muitos dos riscos associados ao envelhecimento começa antes de qualquer intervenção médica ou jurídica. Ela começa no ambiente onde as pessoas vivem.

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