Hospital Santa Teresinha enfrenta superlotação e sala amarela chega a 300% em Braço do Norte
Direção aponta aumento de casos graves e procura por atendimentos leves como principais causas da alta demanda
O Hospital Santa Teresinha, de Braço do Norte, vem enfrentando forte pressão no pronto-socorro devido ao aumento na procura por atendimentos. Nos últimos dias, a unidade registrou índices elevados de ocupação em setores de urgência e emergência. A sala amarela chegou a operar com 300% da capacidade.
No boletim divulgado nesta quarta-feira (22), às 15h, a sala vermelha registrava 100% de ocupação, a sala amarela 150% e a sala de observação 187,5%. Ainda havia cinco pacientes aguardando transferência para outras unidades.

Em entrevista ao Jornal da Guarujá, o diretor técnico do Hospital Santa Teresinha, Marcelo Brum Vinhas, explicou que o cenário atual é provocado, principalmente, pelo aumento no número de pacientes graves encaminhados por equipes do Samu e do Corpo de Bombeiros.
Segundo ele, esses casos exigem atendimento imediato, mobilizam equipes médicas e acabam reduzindo a capacidade de resposta para pacientes de menor gravidade.
“Quando chega um paciente grave, um médico precisa se dedicar integralmente a esse atendimento. Isso diminui em cerca de 50% a capacidade de atender os demais pacientes e gera acúmulo na recepção”, afirmou.
Marcelo também destacou que pacientes em estado grave costumam permanecer mais tempo na unidade, especialmente quando necessitam de leitos de UTI em outras cidades.
“Mesmo após conseguir a vaga, muitas vezes ainda há demora no transporte. Em alguns casos, o paciente fica quatro ou cinco horas aguardando remoção”, explicou.
Outro fator que contribui para a superlotação, segundo o diretor técnico, é a procura por casos de baixa complexidade, que poderiam ser atendidos em policlínicas, unidades básicas de saúde ou UPAs.
Entre os exemplos citados estão sintomas gripais leves, vômitos, diarreia e dores crônicas. Nestes casos, a recomendação é buscar inicialmente unidades de menor complexidade, deixando o hospital disponível para urgências e emergências.
Apesar da alta demanda, Marcelo reforçou que nenhum paciente deixa de ser atendido, mas pede compreensão da população diante do tempo de espera.
Ampliação deve ser entregue neste ano
O Hospital Santa Teresinha também passa por obras de ampliação. A expectativa da direção é inaugurar parte da nova estrutura até o meio do ano, com novo centro de diagnóstico por imagem, ambulatório e nova entrada para pacientes.
Já a implantação de dez novos leitos de UTI deve ocorrer até o fim de 2026, o que deve ajudar a desafogar o pronto-socorro e acelerar o atendimento aos casos mais graves.
Além disso, a instituição já projeta futuras ampliações no centro cirúrgico e no setor de emergência.
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