Orleans em alerta: 86 escorpiões-amarelos já foram encontrados no bairro Coloninha
Alta concentração e reprodução rápida da espécie preocupam equipes de saúde
Orleans vive um cenário de crescente preocupação com a presença do escorpião-amarelo no bairro Coloninha. Em um intervalo de dez dias, duas ações de busca ativa resultaram na captura de 86 exemplares da espécie, considerada altamente venenosa.
No dia 4 de abril, equipes da Vigilância em Saúde localizaram 74 escorpiões em uma única operação. Desses, 73 estavam concentrados em um imóvel, enquanto outro foi encontrado em um terreno baldio nas proximidades. Já no dia 14 de abril, uma nova varredura identificou mais 12 escorpiões na mesma região, sendo a maioria novamente no imóvel inicialmente afetado.
O volume expressivo de animais em um único ponto reforça o nível de infestação e acende o alerta das autoridades sanitárias.
Em entrevista ao Jornal da Guarujá, o coordenador de Zoonoses e agente de combate às endemias, Luiz Fellipe da Silva Garcia, afirmou que a situação já ultrapassa o nível de alerta e exige atenção redobrada.
Segundo ele, o primeiro registro ocorreu após o aparecimento de um escorpião morto dentro da residência de uma agente comunitária de saúde, levado por um gato. A partir disso, o animal foi encaminhado para análise, confirmando tratar-se do escorpião-amarelo — espécie já identificada em outros municípios da região.
“A partir do momento que encontramos um, sabemos que há mais. A fêmea tem capacidade de reprodução por partenogênese, ou seja, não precisa do macho para gerar novos indivíduos”, explicou.
Com a confirmação, equipes iniciaram uma força-tarefa com buscas ativas em um raio próximo ao local inicial. As inspeções são realizadas, principalmente, no período noturno, com uso de lanternas especiais e equipamentos de proteção, já que não há inseticidas eficazes para o controle da espécie.
Segundo Garcia, a alta concentração encontrada em um único imóvel sugere condições ideais para abrigo e reprodução, como acúmulo de entulhos, restos de madeira, pedras e outros materiais. Além disso, a presença de baratas — principal fonte de alimento dos escorpiões — contribui diretamente para a permanência e expansão desses animais.
Por outro lado, há um fator que pode ter contribuído para a gravidade do cenário: a subnotificação. De acordo com o coordenador, moradores relataram já ter visto escorpiões anteriormente, mas não acionaram os serviços de saúde, o que atrasou as ações de controle.
“Se a população não informa, a gente não consegue agir com rapidez. Isso faz toda a diferença nesse tipo de ocorrência”, destacou.
Como resposta, o município já mobilizou a rede de saúde. O hospital Santa Otília dispõe de soro antiescorpiônico, e unidades de saúde foram orientadas para atendimento imediato em caso de acidentes.
O coordenador de zoonoses também reforça medidas preventivas, como manter terrenos limpos, evitar acúmulo de lixo e materiais, vedar frestas em paredes, sacudir roupas e calçados antes do uso e utilizar equipamentos de proteção ao manusear objetos em áreas de risco.
Garcia lembra ainda da importância de preservar predadores naturais, como sapos, lagartixas e gambás, que auxiliam no controle da população de escorpiões.
Apesar das ações em andamento, o controle da espécie é complexo e depende de um esforço contínuo. Novas buscas ativas devem ocorrer nos próximos dias no bairro Coloninha, já que há indícios de que outros focos possam existir na região.
Em caso de picada, a orientação é procurar imediatamente atendimento médico e não realizar automedicação. Já ao identificar um escorpião, a recomendação é acionar o setor de Zoonoses pelo WhatsApp: (48) 3886-0102.




