O Simples pode estar custando mais do que você imagina. Por Norma Martins
Durante muitos anos, o Simples Nacional foi o caminho quase automático para micro e pequenas empresas no Brasil. Menos burocracia, impostos reunidos em uma única guia e uma aparente facilidade de gestão transformaram esse regime na escolha de mais de 70% das empresas ativas no país.
Mas o cenário mudou e a Reforma Tributária inaugura uma nova lógica para os negócios.
A partir deste primeiro ciclo de transição, permanecer no Simples já não pode ser uma decisão baseada apenas na ideia de pagar menos tributos.
O ambiente empresarial passou a exigir algo mais sofisticado: leitura de mercado.
Isso porque o impacto do regime tributário deixou de ser apenas interno e passou a influenciar diretamente a competitividade da empresa.
Na prática, a mudança é silenciosa, mas profunda. Empresas que operam fora do Simples conseguem gerar créditos tributários que são aproveitados ao longo da cadeia produtiva. Já o optante pelo Simples, em muitos casos, não oferece esse mesmo nível de aproveitamento.
O resultado é simples e preocupante:
um cliente pode preferir pagar mais caro a um fornecedor fora do Simples, apenas porque o crédito gerado na operação compensa essa diferença.
Ou seja, o empresário pode estar pagando menos imposto e, ao mesmo tempo, vendendo menos sem perceber o motivo.
Esse é o novo jogo.
O impacto da Reforma Tributária sobre o Simples Nacional não será apenas contábil. Ele será, sobretudo, mercadológico. A decisão sobre o regime tributário passa a interferir diretamente no posicionamento da empresa dentro da cadeia de negócios.
Em determinados setores, permanecer no Simples pode significar isolamento comercial. Não por falta de qualidade, nem por preço, mas por não atender à lógica tributária dos seus próprios clientes.
Isso exige uma mudança de postura.
O empresário brasileiro precisará sair da lógica automática e entrar em uma lógica estratégica.
Não bastará perguntar “quanto imposto eu pago?”, mas sim “como minha escolha tributária impacta minha capacidade de competir?”.
O Simples continuará sendo vantajoso para muitos negócios. Mas, a partir de agora, essa escolha deixa de ser padrão e passa a ser análise.
Porque, no novo sistema, não decidir também é uma decisão.
E pode ser a mais cara de todas.
