Papo Empreendedor: Pessoas e dinheiro, os dois maiores desafios do empreendedor
O início de um novo ano costuma provocar reflexões inevitáveis sobre rumos, escolhas e prioridades. Para empreendedores e líderes, esse movimento ganha contornos ainda mais estratégicos: crescer exige decisões conscientes, domínio financeiro e, sobretudo, capacidade de lidar com pessoas. Foi a partir dessa perspectiva que o programa Papo Empreendedor abriu a temporada de 2026, promovendo um debate direto sobre dois pilares que seguem desafiando negócios de todos os portes: gestão de pessoas e gestão do dinheiro.
O episódio reuniu Miriane Dela Justina e Henrique Assini, profissionais com trajetórias consolidadas no mercado financeiro e na formação de lideranças, que abordaram desde educação financeira e planejamento patrimonial até inteligência emocional e comportamento humano dentro das organizações.
Trajetória, dificuldades e formação da liderança
CEO com mais de 20 anos de atuação nas áreas financeira, administrativa e de liderança, Miriane Dela Justina construiu sua carreira a partir da base operacional. Formada em Administração e Ciências Contábeis, com MBA em Coaching e Mentoring, atuou por mais de uma década como Diretora Presidente da Cresol Rio Fortuna e, atualmente, trabalha como consultora financeira e mentora de líderes.
Ao refletir sobre os momentos que moldaram sua trajetória, Miriane foi direta ao apontar o papel das dificuldades. “São os desafios do dia a dia que fazem a gente mudar a percepção e a conduta de vida”, afirmou. Ela relembrou que iniciou sua carreira no atendimento e no caixa da cooperativa, passando pela contabilidade até assumir a presidência. A mudança de função exigiu uma transformação profunda no modo de liderar. “Eu tive muita dificuldade no início em lidar com as pessoas e com a equipe, porque a cooperativa crescia e eu precisava crescer junto”, relatou.
Segundo ela, crenças formadas a partir de experiências familiares e financeiras do passado influenciaram diretamente seu comportamento como líder. “Tudo isso molda nossas decisões, mesmo quando não percebemos”, disse, destacando que foi justamente esse processo que a levou a atuar hoje na mentoria de liderança.
Educação financeira: uma lacuna estrutural
A ausência da educação financeira nas escolas e universidades foi um ponto de consenso entre os entrevistados. Para Miriane, o impacto dessa lacuna se reflete na vida adulta e nas empresas. “A gente aprende a ser bom tecnicamente na profissão, mas não aprende a lidar com o dinheiro, protegê-lo e multiplicá-lo”, afirmou.
Ela observa que mesmo profissionais bem-sucedidos enfrentam dificuldades por não terem desenvolvido essa competência desde cedo. “Quem não teve essa oportunidade precisa buscar conhecimento constantemente. Prosperidade não acontece por acaso”, reforçou.
O consultor patrimonial Henrique Assini compartilha dessa visão. Formado em Engenharia Mecânica pela Univali e atualmente cursando Gestão Financeira pela FGV, ele acumula quase dez anos de atuação no mercado financeiro e é aprovado no exame da certificação CFP®, referência internacional em planejamento financeiro. Hoje, atua como consultor patrimonial em parceria com a gestora Monefica, com foco em gestão patrimonial, Family Office e planejamento financeiro de longo prazo.
Para Henrique, a engenharia contribuiu diretamente para sua forma de analisar investimentos. “O engenheiro é treinado para resolver problemas com lógica, método e processo. Isso é exatamente o que o mercado financeiro exige”, explicou.
O investidor brasileiro e a cultura da poupança
Ao analisar o comportamento do investidor brasileiro, Henrique aponta avanços, mas também limitações estruturais. Segundo ele, houve uma evolução significativa a partir do movimento de desbancarização iniciado em 2019, quando muitos investidores passaram a buscar corretoras e produtos além dos tradicionais. “O investidor está mais maduro, embora o Brasil ainda esteja atrasado em relação a países desenvolvidos”, avaliou.
Sobre a permanência da poupança como destino de recursos de milhões de brasileiros, Henrique relativiza o discurso comum de demonização desse investimento. “Não existe o pior investimento. O problema é que, na maioria das vezes, a poupança perde para a inflação”, explicou. Ele destaca que hoje existem alternativas com liquidez e risco semelhantes, mas com melhor desempenho.
Ao detalhar seu trabalho como consultor, Henrique esclarece que o foco está na visão global do patrimônio. “A gente não olha ativos isolados, mas a carteira como um todo, com liquidez, segurança e uma parcela de risco compatível com os objetivos da pessoa”, afirmou.
Dinheiro, emoção e comportamento
Um dos pontos centrais da conversa foi a relação entre dinheiro e comportamento humano. Para Miriane, essa conexão ainda enfrenta resistência cultural. “Durante muito tempo se acreditou que prosperava quem apenas trabalhava muito. Hoje sabemos que comportamento e inteligência emocional fazem toda a diferença”, disse.
Ela destacou que crenças limitantes sobre dinheiro são construídas desde a infância. “Ouvimos que dinheiro é difícil, que precisa ser guardado a qualquer custo, que não traz felicidade. Quando isso se repete, passa a operar no subconsciente”, explicou. Segundo Miriane, esse padrão ajuda a explicar por que muitas pessoas não conseguem manter recursos ou planejar o futuro.
A mudança ocorre quando a mentalidade deixa de ser apenas ganhar dinheiro e passa a ser gerar dinheiro. “Quando você muda essa lógica, começa a enxergar novas possibilidades e o dinheiro passa a trabalhar para você”, afirmou.
Planejamento, sucessão e inteligência emocional
Henrique ressaltou que mais de 60% dos brasileiros não possuem planejamento financeiro, segundo dados do IBGE, e atribui isso à falta de educação financeira e às limitações de renda. Ainda assim, destaca que o planejamento é essencial, especialmente para famílias com patrimônio acumulado. “Os principais problemas que vemos não são falta de dinheiro, mas questões sucessórias e ineficiência fiscal”, explicou.
Miriane complementou trazendo o olhar da liderança. Para ela, o futuro das empresas passa obrigatoriamente pela inteligência emocional. “A ansiedade hoje é uma das maiores causas de adoecimento e afastamento no trabalho”, alertou.
Ela detalhou os cinco pilares da inteligência emocional: identificar as próprias emoções, saber lidar com elas, reconhecer as emoções do outro, saber conduzi-las e desenvolver a automotivação. “Um líder precisa ser guia, inspirar e motivar. Sem isso, não há equipe sustentável”, concluiu.
O desafio permanente do empreendedor
Os maiores desafios do empreendedor seguem sendo os mesmos, embora em contextos cada vez mais complexos. Pessoas e dinheiro não são temas separados, mas dimensões interligadas que exigem preparo técnico, autoconhecimento e visão de longo prazo.
Como resumiu Miriane, “não é preciso saber tudo, mas é fundamental saber onde buscar ajuda”. Em um cenário de mudanças rápidas, quem insiste em conduzir negócios apenas com base na intuição ou no imediatismo corre o risco de comprometer tanto resultados quanto relações.
Conheça um pouco mais sobre cada entrevistado
Miriane Dela Justina
- Livro que mudou sua vida? O essencialismo
- Um sonho ainda não realizado? Ser uma palestrante
- Maior conquista que te enche de orgulho? Os meus filhos e a minha trajetória profissional
- Medo que te impulsiona a melhorar? Fica parada no tempo
- Uma decisão que você repensaria? Ter ficado uma boa parte da minha vida sem procurar estudos e conhecimento
- Um desejo que ainda não colocou em prática? Ser palestrante
- O desafio mais empolgante que você se propôs? Saltar de paraquedas
- Qual hábito diário mais impacta positivamente sua vida? Gratidão
- Filme ou série que te inspira a empreender? O sobrevivente designado
- Qual conselho você daria ao seu eu mais jovem? Não se importar tanto com o julgamento das pessoas
- Qual marca você quer deixar para o mundo? Que as pessoas se lembrem de mim sorrindo
- Música pop ou rock que te dá energia? Pra recomeçar – Frejat
- O que seria seu “luxo” essencial? Um bom óculos de sol
- Qualidade que você busca nos outros? Boa energia e autoestima
- Causa ou valor pelo qual você luta? Pelas mulheres
- Alguém ou algo que te motiva a seguir em frente? Minha famílias
- Algo que você evita ou prefere manter distância? Pessoas que reclamam muito
- Como você se imagina daqui a 5 anos? Uma palestrante de sucesso, ouvida por muitas mulheres e lideranças
- Onde você se vê daqui a 5 anos? Eu me vejo palestrando no palco da KLA
Henrique Assini
- Livro que mudou sua vida? O ego é seu inimigo
- Um sonho ainda não realizado? Ser triste em Paris
- Maior conquista que te enche de orgulho? A certificação CFP®
- Medo que te impulsiona a melhorar? Falar em público
- Uma decisão que você repensaria? Eu não costumo repensar as decisões, eu tento levar o aprendizado delas, sejam elas positivas ou negativas
- O desafio mais empolgante que você se propôs? Estudar para uma prova, fazer faculdade e gerir um negócio, tudo ao mesmo tempo
- Qual hábito diário mais impacta positivamente sua vida? Tento iniciar o meu dia com mais calma
- Filme ou série que te inspira a empreender? The Banker
- Qual conselho você daria ao seu eu mais jovem? Continue estudando, não pare
- Qual marca você quer deixar para o mundo? Como alguém que conseguiu ajudar os outros, com bastante humildade e contribuindo de alguma forma
- Música pop ou rock que te dá energia? Simple Man – Lynyrd Skynyrd
- O que seria seu “luxo” essencial? Ter saúde
- Qualidade que você busca nos outros? A sinceridade
- Causa ou valor pelo qual você luta? Luto pra que a gente continue a transformar o mercado financeiro no Brasil e que a gente consiga viver em sociedade e que o nosso país prospere
- Alguém ou algo que te motiva a seguir em frente? Minha esposa
- Como você se imagina daqui a 5 anos? Me vejo trabalhando ainda mais no Mercado Financeiro e que eu consiga me comunicar melhor com as pessoas.
Confira o programa completo