Governo de SC lança programa “Catarinas por Elas” e anuncia novas delegacias especializadas
O Governo de Santa Catarina anunciou na quarta-feira, 26, o programa Catarinas por Elas, iniciativa que reúne ações de segurança, educação, assistência social e monitoramento estatístico para reforçar o combate à violência contra mulheres. A proposta surge diante de um cenário persistente: segundo dados do Observatório da Violência Contra a Mulher, o Estado já registra mais de 59 mil ocorrências em 2025, entre ameaças, lesões corporais, injúrias, difamações, calúnias e estupros. A Secretaria de Estado da Segurança Pública contabiliza ainda 38 feminicídios no período.
Em meio aos números elevados, o governador Jorginho Mello defendeu a integração das estruturas públicas como estratégia para ampliar a efetividade das respostas estatais. Segundo ele, o programa busca reorganizar serviços que, até então, funcionavam de forma dispersa.
“Estamos centralizando ações de educação, saúde, forças de segurança e assistência social para reduzir índices que Santa Catarina não aceita mais — especialmente feminicídios e outras formas de violência contra a mulher”, afirmou.
O Catarinas por Elas traz os seguintes eixos em sua estrutura:
Educação para Igualdade: inserir e promover ações transversais no currículo escolar, a formação docente e a realização da Semana Estadual de Prevenção ao Feminicídio, além de apoiar a implantação do Observatório Escolar de Violência de Gênero, conforme a área de atuação.
Engajamento Masculino (“Eles por Elas”): apoiar e implementar a formação obrigatória no ensino médio, realizar rodas de conversa e promover a capacitação de agentes públicos em abordagens sensíveis à violência de gênero.
Rede de Proteção Integrada: adotar fluxo único de atendimento, monitoramento e proteção, entre as Secretarias de Estado da Educação, da Segurança Pública e Assistência Social, Mulher e Família, garantindo a integração da rede de proteção e estabelecendo protocolos de resposta rápida para situações de risco envolvendo estudantes ou familiares.
Acolhimento e Autonomia: contribuir para a ampliação dos serviços de acolhimento e garantir o atendimento psicossocial especializado, bem como o encaminhamento prioritário para programas de autonomia econômica.
Dados e Avaliação: implementar e alimentar sistema integrado de informações e contribuir para a elaboração de relatório anual e análises periódicas de impactos, fornecendo os dados e os indicadores de monitoramento pertinentes à sua área.
Além do lançamento do programa, o governo anunciou a criação de 26 novas delegacias especializadas da Polícia Civil para atendimento de mulheres, crianças, adolescentes e idosos. O delegado-geral da corporação, Ulisses Gabriel, destacou que a ampliação segue critérios populacionais e visa preencher lacunas históricas no atendimento às vítimas.
Segundo Gabriel, municípios com mais de 300 mil habitantes, como Joinville, Florianópolis e Blumenau, passarão a contar com três delegacias especializadas — uma para atendimento a mulheres, outra para crianças e adolescentes e uma terceira voltada aos adolescentes infratores.
Nas cidades acima de 158 mil habitantes, como Criciúma, São José, Palhoça e Itajaí, haverá duas delegacias, divididas entre atendimento às mulheres e atendimento às crianças e adolescentes.
Já municípios com mais de 50 mil habitantes receberão estruturas especializadas unificadas.
O delegado lembra que o Estado já nomeou 47 delegados e 15 psicólogos policiais para reforçar as equipes, além de mencionar a autorização de mais 46 delegados e 18 psicólogos para ampliar a capacidade de atendimento.
O programa Catarinas por Elas prevê 90 dias para implantação das primeiras ações e um cronograma de um ano para expansão e consolidação das políticas. No mesmo evento, o Governo do Estado entregou R$ 23 milhões em armamentos e equipamentos para a Polícia Civil, como fuzis, carabinas, coletes balísticos, computadores de alto desempenho e novas viaturas.
