Calor e chuvas aumentam acidentes com cobras em Santa Catarina, alerta Ciatox
O calor intenso aliado às chuvas frequentes em Santa Catarina tem contribuído para o aumento da circulação de serpentes e, consequentemente, para a elevação no número de acidentes envolvendo cobras no estado. Entre 1º de dezembro de 2025 e a última sexta-feira, dia 9 de janeiro, o Centro de Informação e Assistência Toxicológica de Santa Catarina (Ciatox/SC) atendeu 145 ocorrências desse tipo.
Do total de atendimentos registrados no período, 138 envolveram seres humanos e sete foram relacionados a acidentes com animais. Ao longo de todo o ano de 2025, o Ciatox contabilizou 6.186 atendimentos ligados a acidentes com animais peçonhentos, mas os casos com serpentes chamam mais atenção durante os meses mais quentes.
Segundo a farmacêutica do Ciatox/SC, Patrícia Rabêlo Silva Hess, as altas temperaturas favorecem o aumento da atividade das cobras, que passam a circular com mais frequência. “É uma época em que elas estão em reprodução e também saem em busca de alimento. Com o calor, acabam saindo mais das suas tocas”, explica.
De forma indireta, a farmacêutica destaca ainda que o comportamento humano também influencia esse aumento. Com temperaturas elevadas, as pessoas tendem a frequentar mais áreas abertas, trilhas e ambientes naturais, o que amplia as chances de encontro com esses animais.
Em caso de picada por cobra, a principal orientação é manter a calma e procurar atendimento médico o mais rápido possível. “A primeira coisa é manter a calma, evitar movimentos bruscos, lavar o local com água e sabão e se encaminhar para o hospital, em casos humanos, e para uma clínica veterinária, em casos de animais”, orienta Patrícia.
Ela ressalta que, sempre que possível, é importante tentar identificar a serpente. “Se der para fotografar o animal, isso ajuda muito na identificação da espécie e na conduta médica. Caso não seja possível, a pessoa pode descrever o animal para que a gente consiga orientar de forma mais fidedigna”, afirma. O Ciatox também pode ser acionado para orientar o atendimento emergencial.
A farmacêutica alerta ainda para práticas que não devem ser adotadas após um acidente com serpente, pois podem agravar o quadro da vítima. “Não fazer torniquete, não manipular o local da picada, não cortar e não sugar”, enfatiza.
Para reduzir o risco de acidentes, especialmente nesta época mais quente do ano, Patrícia Rabêlo Silva Hess recomenda medidas simples de prevenção. “Quem caminha em trilhas ou trabalha em área rural deve utilizar botas e luvas em locais de risco”, orienta. Em residências, ela reforça a importância de manter o lixo bem acondicionado, evitar entulhos e vedar possíveis entradas para animais peçonhentos.
Em caso de acidente, a população pode entrar em contato com o Centro de Informação e Assistência Toxicológica de Santa Catarina, que funciona 24 horas por dia, pelo telefone 0800 643 5252.