Elas chegaram ao poder: mulheres transformam a política e ampliam vozes no Dia da Mulher
O que antes era um direito proibido, hoje é uma realidade de liderança
Houve um tempo, não tão distante na história brasileira, em que a política foi vista como um espaço exclusivo dos homens, um território de silêncio para as mulheres, onde sequer o direito ao voto era permitido. Em Orleans, essa realidade começa a mudar. Com uma vice-prefeita e uma bancada feminina histórica de quatro vereadoras, a participação da mulher deixou de ser uma aspiração para se tornar realidade.
No Dia Internacional da Mulher, essas lideranças compartilham suas trajetórias, desafios e a importância de ampliar a presença feminina nos espaços de decisão. Essa transformação é sentida diariamente na rotina da prefeitura e da câmara. Para a vice-prefeita Leonete Librelato, exercer o cargo neste momento significa que as mulheres de Orleans decidiram participar ativamente e fazer acontecer, trazendo uma gestão mais humanizada e voltada para as pessoas. “O lugar da mulher orleanense é onde ela decide estar: seja no campo, na indústria ou na vida pública”, afirma Leonete, que vê no cargo não apenas um título, mas a missão de deixar um legado de pertencimento para que as futuras gerações sintam que o Executivo e o Legislativo são seus lugares naturais.
Essa mesma motivação de “fazer acontecer” ecoa no Legislativo. A vereadora Maiara Dal Ponte Martins, enfermeira de formação, transformou seu inconformismo com as dificuldades da saúde pública em combustível político. Ela relata que chegou um momento em que apenas cuidar não era suficiente; era preciso ocupar os espaços de decisão para gerar mudanças estruturais. Maiara destaca que a presença de quatro mulheres na Câmara é um marco histórico que amplia vozes e perspectivas, embora o caminho ainda exija firmeza contra preconceitos sutis e a necessidade constante de provar competência técnica diante de julgamentos que tentam reduzir a atuação feminina apenas ao campo emocional.
O equilíbrio entre o “coração e a razão” é, inclusive, um dos pontos defendidos pela vereadora Marlise Zomer Salvador, a Chiquetosa. Para ela, ocupar uma cadeira no Legislativo é uma honra que traz a responsabilidade de dar visibilidade a detalhes sociais, à proteção das famílias e das crianças, que muitas vezes passam despercebidos. Marlise reforça que, embora o apoio partidário tenha avançado, a prática política ainda exige coragem e perseverança. “Sonhem grande. Não deixem que ninguém diga que vocês não podem”, incentiva a vereadora às jovens orleanenses, reafirmando que a política deve ser um espaço de todos, em igualdade.
A evolução desse cenário é acompanhada de perto pela vereadora Mirele Debiasi, que viveu na pele a solidão de ser a única mulher entre dez homens em seu primeiro mandato. Para ela, a configuração atual da Câmara traz mais equilíbrio, escuta e uma atenção especial a temas como saúde e educação. Mirele, que entrou na política por acreditar que “reclamar não basta”, reforça que a igualdade não é um favor, mas um direito conquistado com luta. Ela reconhece que o ambiente ainda é majoritariamente masculino e impõe barreiras culturais, mas deixa um recado claro às mulheres da cidade: “Não vai ser fácil, mas valerá a pena”.
A vereadora Genaína Coan Caciatori, conhecida como Jana, também reflete sobre o significado de ocupar um espaço de decisão neste momento em que mais mulheres participam da política. Ela afirma que nunca imaginou chegar ao Legislativo de Orleans, mas passou a enxergar a política como uma missão de serviço à comunidade.
Na avaliação da vereadora, a presença de quatro mulheres na Câmara representa um avanço importante para o município, não apenas pela ocupação de espaços, mas pela responsabilidade de contribuir com decisões que impactam a comunidade. “Estar na Câmara significa trabalhar com responsabilidade, defender valores e contribuir para o desenvolvimento da nossa cidade e de nossos munícipes”, afirma.
Ela também destaca que as mulheres trazem um olhar sensível para os debates públicos e defende que mais lideranças femininas sejam incentivadas a participar da política. “Quando mulheres com valores, preparo e responsabilidade decidem participar, elas ajudam a transformar a política e a vida das pessoas”, ressalta.
Ampliar a presença feminina nos espaços de decisão também passa pela união e pelo fortalecimento entre mulheres que atuam na política.
Assim, as trajetórias de Leonete, Maiara, Marlise, Mirele e Jana se cruzam em um objetivo comum: provar que a política de Orleans não é mais um espaço de exceção para as mulheres, mas um campo de atuação legítimo e necessário. Como bem pontuou a vice-prefeita Leonete, a reflexão de hoje não é mais sobre “se podemos chegar lá”, pois o espaço já foi conquistado; a questão agora é o que será transformado a partir dessa presença feminina que, com coragem e competência.
Se antes o debate era sobre a possibilidade de ocupar esses espaços, hoje a pergunta mudou. As mulheres já chegaram — e agora ajudam a decidir os rumos da cidade, levando para a política novas perspectivas, experiências e prioridades.
Cada projeto apresentado, cada decisão tomada e cada voz feminina que ecoa no plenário ou no Executivo representa mais do que um mandato: representa o avanço de uma história que durante muito tempo foi escrita sem elas e que agora passa a ser construída também por suas mãos.
