Que venha 2026. Por Ana Dalsasso
Passados os festejos de virada de ano, barulho e brilho dos fogos, champanhes, futilidades, desejos quase irreais, promessas vazias, é hora de voltar à normalidade, ou melhor, à realidade, que é bastante diferente. Não pensem que sou contra as comemorações, muito pelo contrário. É maravilhoso poder estar com amigos e familiares para confraternizar, mas não podemos deixar de refletir pontos importantes, certos exageros que poderiam ser contidos para manter a essência do evento.
A chegada de um novo ano leva-nos a refletir sobre fatos relevantes que vivenciamos nas mais variadas áreas de nossas vidas: familiar, afetiva, profissional, espiritual, enfim nossa existência na sociedade como um todo. Fazer a retrospectiva de um ano que se encerra é como mexer num baú para uma faxina: descartar o inútil e reaproveitar as pérolas que nos fizeram dignos de habitar o Planeta. E, ao relembrar fatos bons e ruins que nos acompanharam em diferentes momentos de 2025 devemos corrigir as falhas, enaltecendo o que nos fez bem e agregou vantagens para uma melhor qualidade de vida. É refletir sobre o que fizemos para tornar o mundo um pouco melhor, porque viver o coletivo é talvez a tarefa mais difícil para o “ser humano”, pois significa prestar contas para nossa consciência, sem dúvida a mais difícil, porém inevitável. É preciso que todos, indistintamente, percebam suas vidas como instrumento construtor da sociedade, dando sua parcela de contribuição para a felicidade da humanidade, independente de cor, credo, raça, situação econômica, grau de instrução, posição social.
Mas, será que o Homem de nossos tempos tem consciência do papel que a vida lhe impõe? O que dizer de tudo que vem acontecendo no mundo em consequência das atitudes do ser humano? As guerras, com ou sem armas, tomam dimensões apavorantes; a violência nos assusta; as doenças se proliferam; a natureza chora; a educação deteriorada; a saúde agonizando… Somos reféns do egoísmo humano; temos de sobreviver às ganâncias dos poderosos; o “ter” se sobrepõe ao “ser”; valores morais e éticos são banidos da sociedade; a corrupção, roubo, mentiras, impunidade fazem parte da rotina; famílias desagregadas; sonhos roubados; a incerteza permeando nossa existência.
2025 foi um ano bastante atípico para o Brasil. Nosso país tem tudo para ser o melhor do mundo, mas em função do caos que se instalou está indo ladeira abaixo, e com ele nossos sonhos, nossa esperança de um futuro melhor para as próximas gerações. Nossos políticos perderam a vergonha e a noção de responsabilidade com o progresso da nação. Começamos o ano com insegurança, querendo acreditar que tudo se acertaria com o passar do tempo, no entanto o que vemos hoje é algo que jamais imaginamos: a falta de responsabilidade para com o maior patrimônio de uma nação: o seu povo. O ano terminou exatamente como começou: assaltos, assassinatos, violência desenfreada, aumento de luz, de combustível, de medicação etc.
Mas, se 2026 começou sem boas novidades, convém lembrar que no decorrer dele poderá haver melhora. Mudanças poderão acontecer, dependendo da consciência de cada um de nós. É um ano eleitoral e teremos a oportunidade de escolher as pessoas que por nós lutarão na defesa de nossos direitos, dando-nos a esperança de que nem tudo está perdido. Teremos um bom espaço de tempo e dispomos de meios de comunicação que nos informam diariamente sobre o que se passa no país. Deixemos de lado o partidarismo doentio, a venda de consciência, a troca de favores políticos para dar nosso crédito a quem realmente merece, apesar de não termos muita opção de escolha.
Que 2026 seja um ano de grandes realizações e que todos os cidadãos tenham paz, prosperidade, honestidade, responsabilidade, mas acima de tudo valorização e muito respeito.
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