Defesa Civil realiza vistoria em 11 quilômetros da Serra do Rio do Rastro
Trabalho identificou rochas fragmentadas e árvores em situação de risco; relatório será encaminhado à Secretaria de Infraestrutura de Santa Catarina
A Defesa Civil de Lauro Müller realizou uma nova vistoria técnica em aproximadamente 11 quilômetros da SC-390, na Serra do Rio do Rastro, com o objetivo de identificar pontos que possam oferecer riscos de queda de rochas e outros materiais sobre a pista. O trabalho foi realizado de forma conjunta com equipes de Defesa Civil de municípios da região e profissionais de diferentes áreas.
Em entrevista ao Jornal da Guarujá na manhã desta quarta-feira (26), o coordenador de Proteção e Defesa Civil de Lauro Müller, Rafael Bonoti, explicou que a ação foi motivada, entre outros fatores, pelo recente deslizamento de um grande bloco de rocha que chegou a provocar a interdição parcial da rodovia.
A vistoria contemplou o trecho entre os quilômetros 404 e 415 da SC-390. De acordo com Bonoti, foram encontradas rochas fragmentadas e árvores em diferentes pontos dos paredões, especialmente vegetação que cresce em meio às fendas das rochas.
“O principal motivo dessa vistoria foi justamente verificar esses pontos de risco. Quando um bloco de rocha se desprende, normalmente ele acaba levando junto muita vegetação e solo que estão soltos sobre as pedras. Durante o levantamento, encontramos várias rochas fragmentadas, que apresentam possibilidade de queda”, afirmou.
O coordenador destacou que, neste momento, não é possível precisar quais rochas poderão se desprender ou quando isso poderia ocorrer. A preocupação aumenta diante da previsão de períodos de chuva mais intensa, que podem contribuir para novos desprendimentos.
A intenção é reunir as informações em um relatório técnico, que será encaminhado à Secretaria de Infraestrutura de Santa Catarina, responsável pelas ações de manutenção e intervenções na rodovia.
Trabalho reúne equipes da região
A vistoria contou com a participação de equipes de Defesa Civil de Lauro Müller, Orleans e Urussanga, além do apoio da regional de Criciúma. Também participaram profissionais das áreas ambiental, engenharia civil e biologia, entre outras especialidades.
Segundo Rafael, o levantamento será utilizado para definir quais pontos precisam de intervenção e quais medidas podem ser adotadas. Entre as possibilidades está a poda ou retirada de árvores que apresentam maior risco de queda em direção à pista, além da avaliação de eventuais blocos de rocha que possam ser removidos com segurança.
“São árvores que cresceram dentro das fendas das rochas. A raiz acaba expandindo e pode contribuir para o deslocamento daquele bloco. A ideia inicial é fazer a poda dessas árvores que estão em maior risco, inclinadas para o trecho da pavimentação da rodovia, e, na sequência, avaliar a possibilidade de remover algum bloco de rocha”, explicou.
Bonoti também reforçou que existe uma diferença entre o trabalho preventivo realizado pela Defesa Civil e a execução das intervenções na rodovia. A Defesa Civil atua na identificação dos riscos e na elaboração de relatórios, enquanto a manutenção e as obras de infraestrutura ficam sob responsabilidade do Estado.
O coordenador lembrou ainda que trabalhos semelhantes já contribuíram para a instalação de estruturas de contenção em pontos considerados críticos da Serra do Rio do Rastro. Segundo ele, aproximadamente 25 quilômetros de encostas receberam intervenções ao longo dos últimos anos.
Rafael explicou que as telas instaladas nos trechos considerados prioritários ajudam a impedir que pedras que eventualmente se desprendam dos paredões cheguem à pista.
“A serra é um ambiente vivo, que está em constante ação das intempéries: chuva, sol, vento, frio e calor. Com chuvas mais intensas, sempre vai existir algum risco de novos deslizamentos”, destacou.
A intenção, agora, é utilizar o novo levantamento como base para futuras intervenções em outros pontos da rodovia. Conforme Bonoti, o relatório poderá contribuir para a busca de recursos estaduais ou federais destinados à ampliação das obras de contenção.
A Defesa Civil também mantém o acompanhamento das condições da Serra do Rio do Rastro em parceria com a Polícia Militar Rodoviária e outros órgãos. O objetivo é identificar situações de risco e reduzir os impactos de eventuais ocorrências, garantindo maior segurança para quem utiliza a SC-390.
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