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A Serra Catarinense entra no mapa dos investidores

Da compra de uma casa de campo à construção de cabanas e pousadas, o consórcio passa a ser visto como uma alternativa de planejamento para quem deseja investir

Por Ligado no Sul14/07/2026 14h00

Durante décadas, a Serra Catarinense foi vista como um lugar de passagem para quem buscava o frio, a geada e alguns dias de descanso diante de uma paisagem única no Brasil. Esse cenário começa a mudar. A região passou a despertar um novo olhar dos investidores, que enxergam na combinação entre natureza, turismo e qualidade de vida uma oportunidade de construção de patrimônio e geração de renda.

O mercado imobiliário serrano vive um movimento de transformação. Casas de campo, chalés, pousadas, propriedades rurais e pequenos empreendimentos turísticos deixaram de ser apenas opções de lazer para se tornarem ativos econômicos dentro de uma cadeia que envolve hospedagem, gastronomia, experiências rurais e serviços.

O fenômeno acompanha uma tendência mais ampla de valorização do mercado imobiliário catarinense. Santa Catarina tem se destacado entre os estados brasileiros pela força do setor, com cidades registrando valorização dos imóveis acima da inflação. Embora os maiores índices ainda estejam concentrados no litoral, o movimento reforça uma percepção dos investidores: regiões com atributos naturais, boa qualidade de vida e potencial turístico passaram a entrar no radar.

Na Serra, essa lógica ganha contornos próprios. O diferencial não está apenas na aquisição de um imóvel, mas na possibilidade de transformar uma propriedade em negócio. Uma casa construída para lazer da família pode, em determinados períodos, gerar receita com locações de temporada. Uma área rural pode incorporar experiências turísticas. Um terreno pode se transformar em cabanas ou hospedagens de charme.

Para o empresário André Eleutério, da Exclusivo Consórcios, esse movimento reflete uma mudança no comportamento dos investidores. “O que muitas pessoas começam a perceber é que um imóvel na Serra pode ser mais do que uma casa de descanso. Ele pode ser um patrimônio que se valoriza e também uma fonte de renda”, afirma.

Segundo ele, o aumento do interesse pela região está diretamente ligado ao crescimento do turismo. A Serra Catarinense deixou de depender exclusivamente do inverno e passou a oferecer uma agenda mais diversificada, com enoturismo, gastronomia, turismo rural, aventura e experiências ligadas à cultura local.

Modalidades de investimento baseadas em planejamento financeiro também passam a ganhar espaço entre empreendedores e investidores. O consórcio tem ganhado espaço como ferramenta para quem deseja ingressar no mercado imobiliário ou ampliar empreendimentos turísticos sem depender, necessariamente, do financiamento tradicional. “O mercado imobiliário está aquecido e tem muito a crescer. Hoje, muitas pessoas chegam à Serra como turistas e acabam enxergando na região uma oportunidade de investimento. O consórcio permite esse planejamento, seja para adquirir um imóvel, construir chalés ou ampliar um empreendimento”, afirma.

Outra característica destacada pelo empresário é a flexibilidade da modalidade. Após a contemplação da carta de crédito, o investidor pode optar pela compra de um imóvel pronto, adquirir um terreno ou investir na construção de um empreendimento, conforme o projeto definido. Essa versatilidade amplia as possibilidades tanto para investidores quanto para produtores rurais que desejam diversificar suas atividades e aproveitar o crescimento do turismo na Serra Catarinense.

Os números ajudam a explicar esse novo momento. Santa Catarina registrou forte crescimento no fluxo de turistas internacionais nos últimos anos. Na Serra, o visitante também passou a consumir mais experiências. Uma pesquisa divulgada pela Fecomércio SC apontou crescimento de 26% no gasto médio dos turistas durante a temporada de inverno de 2025, alcançando R$ 3.550 por grupo de visitantes — o maior valor desde o início da série histórica analisada.

Esse novo perfil de turista abre espaço para um modelo econômico diferente daquele baseado apenas em grandes temporadas. O visitante que procura a Serra hoje quer vivenciar o território: conhecer uma vinícola, acompanhar uma produção agrícola, dormir em uma cabana com vista para o campo, experimentar a gastronomia regional ou entender como funciona uma propriedade rural.

É justamente nesse ponto que surge uma oportunidade para pequenos e médios empreendedores. Produtores rurais que antes dependiam exclusivamente da agricultura começam a olhar para o turismo como uma atividade complementar. “Hoje existe uma curiosidade muito grande das pessoas dos grandes centros pela vida do campo. Muitas crianças nunca viram uma maçã no pé ou uma propriedade funcionando. Aquilo que para quem mora aqui parece simples, para o visitante é uma experiência”, observa.

Para transformar esse potencial em realidade, porém, o desafio está no planejamento. O crescimento imobiliário e turístico precisa caminhar junto com infraestrutura, preservação ambiental e valorização da identidade cultural da Serra. A expansão sem organização pode trazer problemas conhecidos em outros destinos turísticos, como aumento excessivo dos preços, descaracterização das cidades e pressão sobre serviços públicos.

Mais do que adquirir um imóvel, o grande desafio é transformar um desejo em um projeto viável. O planejamento financeiro, segundo ele, é decisivo para quem pretende construir patrimônio de forma sustentável e aproveitar o potencial de crescimento da região. “O grande movimento é a pessoa entender que planejamento permite construir patrimônio. Muitas vezes ela tem o desejo de investir, mas precisa organizar o caminho para chegar lá”, afirma.

A Serra Catarinense parece viver uma mudança de ciclo. A região que durante muito tempo vendeu apenas o frio começa a vender algo mais valioso: uma experiência completa. E, por trás das paisagens de araucárias, vinhedos e montanhas, cresce uma nova economia baseada na valorização do território.

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