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Cervejaria transforma a Serra Catarinense em marca e fortalece turismo de experiência

Lohn Bier uniu inovação, empreendedorismo e identidade regional para consolidar um dos segmentos que mais cresce na economia do turismo catarinense

Por Ligado no Sul09/07/2026 13h37

Aos pés da Serra do Rio do Rastro, um dos principais cartões-postais turísticos do Brasil, uma cervejaria catarinense transformou um hobby familiar em uma marca reconhecida internacionalmente e em um dos negócios que ajudam a fortalecer a economia da Serra Catarinense. Mais do que produzir cervejas artesanais, a Lohn Bier incorporou o turismo à estratégia de crescimento, fazendo da experiência cervejeira uma extensão da própria viagem pela região.

Instalada em Lauro Müller, um dos 18 municípios que integram oficialmente a Serra Catarinense, a empresa construiu uma identidade diretamente ligada ao território. A Serra do Rio do Rastro aparece nas tampinhas, nos rótulos e em diferentes elementos da comunicação da marca, numa estratégia que transformou a paisagem em um ativo de posicionamento. “A gente fez questão de divulgar a Serra do Rio do Rastro na nossa comunicação. Todas as tampinhas das nossas cervejas têm o símbolo da Serra. A Lohn é a cervejaria da Serra do Rio do Rastro e leva esse território para todos os lugares onde a nossa cerveja chega”, afirma Tatiani Felisbino Brighenti, sócia proprietária da  cervejaria.

A história da empresa começou muito antes da primeira garrafa ser envasada. Durante décadas, a família construiu sua trajetória no agronegócio catarinense. Em 1989, Francisco Felisbino e Teresinha Soares Felisbino fundaram a Avícola Catarinense, incubatório que se tornou referência nacional e chegou a produzir mais de seis milhões de pintinhos por mês.

Depois de vender a empresa, em 2013, a família voltou a discutir novos investimentos. As possibilidades eram diversas: frigorífico, fábrica de ração, indústria de alimentos. Mas um hobby acabou mudando completamente os rumos do negócio. “Meu marido já fazia cerveja artesanal em casa havia alguns anos. Depois que a empresa foi vendida, começamos a pensar em novos negócios e, aos poucos, a cervejaria foi ganhando força até se tornar o projeto da família”, lembra.

A mudança de segmento parecia improvável, mas manteve uma característica comum da família: a disposição para empreender. Desde o início, a estratégia foi apostar em um produto de alta qualidade, mesmo entrando em um mercado ainda em expansão no Brasil. “Sempre falamos que se fosse para fazer cerveja, teria que ser um produto de qualidade. Esse sempre foi o nosso foco”, afirma.

A decisão levou a Lohn a disputar concursos nacionais e internacionais logo nos primeiros meses de operação. O reconhecimento veio rapidamente. “Como éramos muito novos no mercado, começamos a colocar nossas cervejas em concursos. Já nas primeiras competições vieram várias medalhas e percebemos que estávamos no caminho certo”, diz.

Hoje, a cervejaria acumula mais de 150 premiações nacionais e internacionais, entre elas o título de Melhor Cervejaria da América do Sul, conquistado na Argentina, além de ter produzido, por três anos consecutivos, a cerveja mais premiada do Brasil com o rótulo Carvoeira.

A empresa também ampliou sua estrutura industrial. Atualmente, opera em um complexo com mais de 3 mil metros quadrados, capacidade instalada para produzir mais de 500 mil litros por mês, mais de 20 rótulos diferentes e distribuição para diversos estados brasileiros, além de exportações para outros países.

Mas foi justamente quando abriu as portas ao público que a família percebeu que havia um potencial ainda maior do que produzir cerveja.

Na primeira semana de funcionamento da loja e do pub, dois ciclistas franceses apareceram na cervejaria. “Um era de Paris e o outro de Lyon. Eu olhei para o meu marido e perguntei: o que esses homens estão fazendo aqui? Eles convivem com alguns dos destinos mais conhecidos do mundo e escolheram vir para a Serra Catarinense. Foi naquele momento que eu enxerguei o potencial turístico da nossa região”, conta.

A chegada daqueles visitantes mudou completamente sua percepção sobre o território. “Eu só enxerguei esse potencial turístico depois da cervejaria. Hoje entendo que as pessoas não vêm apenas pela cerveja. Elas querem conhecer a Serra, percorrer a Rio do Rastro, viver essa experiência”, afirma.

A percepção alterou a estratégia da empresa. A cervejaria deixou de ser apenas uma indústria de bebidas para se tornar parte do roteiro de quem visita a Serra Catarinense.

Atualmente, turistas de diferentes regiões do país incluem a Lohn em seus roteiros. “Recebemos visitantes de São Paulo, Minas Gerais, Amazonas… Tivemos um casal que atravessou praticamente o Brasil inteiro para conhecer a cervejaria. Isso faz a gente perceber a força que a Serra conquistou como destino turístico”, diz.

Segundo Tatiani, é comum ver visitantes fotografando as montanhas ainda antes de subir a Serra do Rio do Rastro. “Eles chegam encantados com a paisagem e eu sempre digo: calma, vocês ainda nem subiram a Serra”, brinca.

Esse movimento acompanha uma tendência observada em diferentes destinos turísticos brasileiros, onde gastronomia, vinhos e cervejas artesanais passaram a funcionar como instrumentos de valorização do território. Mais do que consumir um produto, o visitante procura vivenciar uma experiência ligada ao lugar onde ele é produzido.

A Lohn também acompanha as mudanças do mercado consumidor. Em 2024, lançou a Lohn Ultra, cerveja sem glúten e com baixa caloria, desenvolvida para atender um público que busca opções mais leves sem abrir mão da qualidade. “A gente percebe uma mudança no comportamento do consumidor. Hoje as pessoas querem viver de forma mais equilibrada e isso também influencia o mercado cervejeiro. A inovação sempre fez parte da nossa história”, afirma.

Além da produção, a empresa investe em ações que fortalecem o turismo regional. Encontros de motociclistas, passeios pela Serra do Rio do Rastro e eventos cervejeiros ajudam a movimentar visitantes durante diferentes épocas do ano e ampliam a integração entre gastronomia, natureza e lazer.

O crescimento da cervejaria acompanha uma transformação maior vivida pela própria Serra Catarinense. “Quando levamos a Serra do Rio do Rastro junto com a nossa marca, também ajudamos a divulgar tudo o que essa região tem a oferecer. Cada garrafa acaba contando um pouco da história desse lugar.”

Ao longo de pouco mais de uma década, a Lohn deixou de ser um projeto familiar para se tornar uma das cervejarias artesanais mais premiadas do país.

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