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Na contramão de pescadores e lideranças políticas, presidente da Colônia Z-33 defende manutenção das cotas da tainha

Por Ligado no Sul09/06/2026 09h29
Foto/Ilustrativa – Elvis Palma

A suspensão da pesca da tainha na modalidade de arrasto de praia continua gerando forte repercussão em Santa Catarina. Nos últimos dias, pescadores, entidades do setor, parlamentares e representantes do Governo do Estado se manifestaram contra o encerramento da safra, defendendo a revisão ou até mesmo o fim do sistema de cotas adotado pelo Governo Federal.

No entanto, durante entrevista ao Jornal da Guarujá, a presidente da Colônia de Pescadores Z-33, do Balneário Rincão, Maria Aparecida Luciano, apresentou uma posição diferente da maioria das manifestações que vêm ocorrendo no estado.

Segundo ela, a discussão não deve ser sobre o fim das cotas, mas sim sobre a forma como elas são distribuídas entre as regiões pesqueiras de Santa Catarina.

“A preocupação nossa é grande. Mas eu queria dizer que não é uma determinação simplesmente do governo. Existe uma câmara técnica, existe um grupo de trabalho da tainha funcionando há três anos, do qual eu tenho orgulho de participar oficialmente como pescadora de Santa Catarina. Esse grupo é composto por pescadores, pescadoras, técnicos e representantes do ministério”, afirmou.

Maria Aparecida explicou que a cota atual da pesca artesanal por arrasto de praia foi estabelecida para garantir a reprodução da espécie e a continuidade da atividade nos próximos anos.

“É o único peixe que a gente pesca com a ova. A gente acaba tirando a mãe e os filhotes juntos. Precisa existir uma reserva para que nós tenhamos peixe no ano que vem também”, argumentou.

A presidente reconheceu a insatisfação dos pescadores, especialmente daqueles que não conseguiram aproveitar a safra antes do encerramento da temporada.

“Claro que existe uma reclamação muito grande. Todo mundo queria pescar mais. Eu também queria que se pescasse mais. Mas precisamos sentar e discutir outra forma de distribuição dessa cota”, disse.

Durante a entrevista, ela destacou que muitos pescadores tiveram baixa produtividade nesta temporada, enquanto a maior parte da captura ocorreu em outras regiões do litoral catarinense.

“O problema sério que existe hoje é a distribuição da cota. Não pode uma região como Florianópolis pescar mais de mil toneladas e o restante do estado dividir pouco mais de 300 toneladas. É isso que precisa ser discutido”, avaliou.

A presidente a Colônia de pescadores também atribuiu parte da repercussão da suspensão da pesca ao momento político vivido pelo estado. Segundo ela, o debate em torno da medida acabou sendo ampliado por se tratar de um ano eleitoral.

“É um ano eleitoral. O Governo do Estado aproveitou para polemizar em cima dessa suspensão. Quando chegou na cota, ficou parecendo que o governo proibiu a pesca, mas não é isso. Não dá para pescar a vida inteira”, afirmou.

Maria Aparecida também chamou atenção para as mudanças ocorridas na atividade pesqueira ao longo dos anos. Segundo ela, a pesca artesanal passou a contar com equipamentos que aumentam significativamente a capacidade de captura.

“Hoje tem motor na canoa, tem sonar, tem drone. A pesca mudou muito. O pescador sofre muito e vai buscando tecnologia para melhorar o trabalho. Mas isso também aumenta a capacidade de localizar e capturar os cardumes”, observou.

Outro ponto levantado pela dirigente foi a necessidade de valorizar economicamente a produção. Para ela, o excesso de oferta acabou derrubando os preços pagos aos pescadores durante a safra.

“Tem gente vendendo tainha a dois reais o quilo. Será que compensa? Talvez a gente precise discutir formas de armazenar, processar e qualificar melhor esse peixe para agregar valor ao produto e melhorar a renda do pescador”, afirmou.

Apesar de defender a manutenção das cotas, Maria Aparecida reconheceu que ajustes precisam ser feitos.

“Existe problema, sim. Mas eu não acredito que a solução seja simplesmente acabar com a cota”, concluiu.

A suspensão da pesca por arrasto de praia ocorreu após o atingimento da cota estabelecida para a temporada de 2026, decisão que segue gerando debates entre o setor pesqueiro e as autoridades responsáveis pela gestão da atividade.

Confira entrevista completa

 

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