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Fórum formaliza acordo de cooperação para a preservação do boto pescador de Laguna

Evento reuniu Ministério Público Federal, ICMBio, universidades, órgãos públicos e instituições parceiras para a assinatura de acordo que consolida novo ciclo de trabalho pela conservação do boto e da pesca artesanal

Por Ligado no Sul28/05/2026 14h00
Fotos/Assessoria de Imprensa Prefeitura de Laguna

O Cine Teatro Mussi foi palco, nesta segunda-feira (25), de um marco importante para a conservação de um dos maiores símbolos de Laguna. O Fórum do Boto Pescador reuniu representantes de instituições federais, estaduais e municipais para a formalização de um Acordo de Cooperação Técnica que inicia uma nova fase no trabalho coletivo pela preservação do boto pescador de Laguna.

O acordo consolida um grupo de trabalho que tem sua origem em 2019, quando uma ação civil pública foi aberta pelo Ministério Público Federal para investigar casos de mortalidade de botos registrados na região. Ao longo de quase cinco anos de atuação, esse grupo evoluiu e agora dá início a um novo ciclo, mais estruturado, com a participação direta da Prefeitura de Laguna em diferentes eixos de trabalho.

Nova fase com a Prefeitura de Laguna

Na atual gestão, a Secretaria Municipal de Pesca e Agricultura, a Fundação Lagunense de Meio Ambiente (FLAMA) e outras áreas da Prefeitura passaram a integrar ativamente o grupo de trabalho. O acordo abrange: monitoramento e fiscalização, educação ambiental, criação de novos protocolos para acompanhamento da população de botos, captação de recursos, realização de simpósios, workshops, oficinas e eventos culturais ligados à temática da pesca com botos.

“O boto pescador é parte da cultura de Laguna. Essa parceria formalizada hoje é o reconhecimento de que a preservação desse patrimônio vivo não se faz sozinho. É um trabalho conjunto entre poder público, universidades, órgãos ambientais e a própria comunidade pesqueira. Estamos comprometidos com cada um dos eixos que serão desenvolvidos”, afirma o prefeito Preto Crippa.

Ao destacar a complexidade da pauta, o secretário municipal de Pesca e Agricultura ressalta a importância do alinhamento institucional. “A preservação do boto pescador é um assunto que trata ao mesmo tempo de botos, de meio ambiente, de peixe e do pescador. Temos que trabalhar pela manutenção da saúde ambiental, da população de botos e, principalmente, da manutenção da atividade da pesca artesanal, que enfrenta dificuldades crescentes nos dias de hoje. Esse acordo nos dá a estrutura necessária para fazer esse trabalho com mais consistência”, afirma o secretário Abdon de Oliveira Vieira.

Momento favorável: o patrimônio imaterial brasileiro

O fórum acontece em um momento especialmente significativo. A Pesca Artesanal com Botos de Laguna é um dos mais singulares exemplos de interação entre humanos e animais selvagens do planeta, e seu reconhecimento como Patrimônio Cultural Imaterial Brasileiro abre novas possibilidades de trabalho, visibilidade e captação de recursos para a conservação do boto e da tradição da pesca artesanal lagunense.

Autoridades e instituições presentes

Participaram do fórum representantes de:

  • Ministério Público Federal: Dr. Daniel Ricken (Procurador-Chefe) e Dr. Demerval Ribeiro Vianna Filho (Procurador-Geral da República)
  • ICMBio: Stephano Diniz, Chefe da Área de Proteção Ambiental da Baleia Franca (APABF)
  • FLAMA: Presidente Débora Carla Pimenta
  • Prefeitura de Laguna: Prefeito Preto Crippa e Secretário Municipal de Pesca e Agricultura Abdon de Oliveira Vieira
  • Udesc: Prof. Pedro Castilho
  • UFSC: Prof. Fábio Daura
  • Polícia Militar Ambiental: Comandante Major Gilson Klein
  • Marinha do Brasil: Comandante Amanda Paranhos
  • IPHAN: Arquiteto Vladimir Stello
  • Instituto do Meio Ambiente: Ricardo Penteado
  • Porto de Laguna: Renan de Amorim, Diretor Executivo
  • Pastoral da Pesca: Valmira João Gonçalves, Secretária Executiva

O boto e a cidade

O boto pescador de Laguna é uma das expressões mais ricas da relação entre natureza e cultura no litoral catarinense. Há séculos, grupos de botos e pescadores artesanais da região da Lagoa do Imarui colaboram de forma espontânea: os botos arrebanham cardumes de tainhas em direção às redes e sinalizam para os pescadores o momento de lançar. Essa parceria única no mundo é hoje reconhecida como Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil e está no centro das ações que serão desenvolvidas pelo grupo de trabalho nos próximos anos.

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