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Dexco fecha unidade em Urussanga e deve impactar mais de 200 trabalhadores; sindicato aponta reestruturação e critica gestão do grupo

Por Graziela Gislon26/05/2026 11h30
Foto/Reprodução

O encerramento das atividades da unidade da Dexco em Urussanga, fabricante das marcas Portinari e Ceusa, provoca um impacto direto sobre o quadro de trabalhadores da planta. Segundo informações da empresa e do Sindicato dos Trabalhadores Ceramistas e da Construção Civil de Criciúma e região, o processo envolve 213 funcionários.

De acordo com os dados apresentados, 159 trabalhadores já foram desligados. Outros 30 permanecem temporariamente na unidade para atividades de expedição e venda do estoque existente. Além disso, 24 funcionários foram selecionados para transferência à unidade de Criciúma.

No entanto, a adesão à mudança foi baixa. Em entrevista, o presidente do sindicato, Itaci de Sá, afirmou que apenas dois trabalhadores aceitaram a proposta de realocação. “Dos 24 que eles chamaram para vir para Criciúma, apenas dois aceitaram”, disse.

Com isso, segundo o sindicato, o impacto efetivo das demissões se amplia, já que a recusa à transferência acaba resultando na saída da maior parte dos trabalhadores inicialmente convidados para outra unidade.

Em nota, a Dexco informou que o fechamento da unidade de Urussanga faz parte de uma reestruturação operacional. A empresa afirma que a decisão tem como objetivo “garantir a sustentabilidade do negócio” e adequar a estrutura produtiva do grupo.

O sindicato, por sua vez, afirma que já acompanhava a possibilidade de encerramento da unidade e que os trabalhadores vinham sendo alertados previamente sobre a situação. “Nós já tínhamos avisado os trabalhadores que isso poderia acontecer”, afirmou Itaci de Sá.

Segundo ele, a empresa justificou a medida como parte de uma reorganização do grupo após aquisições no setor cerâmico. O dirigente sindical, no entanto, avalia que o processo está relacionado a mudanças mais amplas na gestão operacional. “Eles alegam reestruturação do sistema do grupo, mas isso já vinha sendo discutido internamente”, disse.

Itaci também relatou que houve mudanças no modelo comercial após a compra de empresas do setor, o que teria impactado o desempenho das unidades. “Tiraram vendedores que tinham carteira de clientes e centralizaram tudo. Isso acabou impactando nas vendas”, afirmou.

O presidente do sindicato acrescentou que a estratégia do grupo estaria voltada à centralização produtiva e valorização de marcas. “Eles querem ficar com as marcas e concentrar a produção em outras unidades”, declarou.

Sobre o processo de desligamento, o sindicato informou que participou das negociações envolvendo direitos trabalhistas, como banco de horas, licenças e verbas rescisórias. Segundo Itaci de Sá, houve acordo para garantir que não houvesse prejuízos aos trabalhadores.

“Nós não aceitamos descontos indevidos. Ficou definido que não haverá prejuízo nas verbas de quem ficou com licença remunerada ou banco de horas”, afirmou.

Ele também destacou que o sindicato acompanhará o pagamento das rescisões e demais direitos. “Vamos estar presentes no momento do pagamento para conferir se tudo será cumprido corretamente”, disse.

Apesar do impacto das demissões, o sindicato afirma que há possibilidade de recolocação dos trabalhadores no mercado regional. Segundo Itaci de Sá, já há procura por profissionais do setor cerâmico. “Já recebemos contato de empresas interessadas nessa mão de obra”, afirmou.

Ele acrescentou que a mão de obra da região é considerada qualificada e que o setor segue demandando profissionais, o que pode facilitar a absorção de parte dos trabalhadores desligados nos próximos meses.

Confira entrevista completa

 

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