O Jornal da Guarujá recebeu o ex-delegado-geral da Polícia Civil de Santa Catarina, Ulisses Gabriel, que confirmou sua pré-candidatura a deputado estadual pelo Partido Liberal (PL). Durante a entrevista, ele falou sobre a decisão de entrar na disputa, a mudança de partido, sua atuação na segurança pública e polêmicas recentes.
Ulisses afirmou que tem intensificado a rotina desde que deixou o cargo, destacando a complexidade do processo eleitoral. “Tenho trabalhado ainda mais do que eu trabalhava. Já trabalhava bastante, mas o processo político é complexo demais. Para alcançar uma vaga na Assembleia Legislativa, é uma caminhada muito difícil”, disse. Segundo ele, o objetivo é representar a segurança pública e a região Sul do estado.
O ex-delegado explicou que deixou o Partido Social Democrático (PSD) em 2020, após disputar eleições pela sigla. “Eu entendi que o PSD não representava o meu modo de pensar. É um partido mais de centro, muitas vezes mais à esquerda, e isso não estava alinhado ao meu ideal”, afirmou.
A aproximação com o governador Jorginho Mello ocorreu a partir de 2023, quando foi convidado para assumir a Delegacia-Geral da Polícia Civil. Segundo Ulisses, a convivência direta com o governador influenciou sua decisão de ingressar no PL.
“Durante esse período, convivendo quase diariamente com o governador, eu entendi que o PL tinha um conjunto de características que se adequava mais à minha realidade”, explicou.
Ele também destacou que o convite para disputar uma vaga na Assembleia partiu diretamente do governador. “Ele disse que era necessário ter um representante da segurança pública na Assembleia e também alguém que representasse o Sul de Santa Catarina”, relatou.
Decisão de disputar a eleição
Ulisses afirmou que a decisão de se lançar pré-candidato foi construída ao longo do tempo, especialmente após sua passagem pela Delegacia-Geral.
“A gente foi amadurecendo essa ideia. Eu estava mais cauteloso no início, analisando o cenário, mas chegou um momento em que foi preciso tomar uma decisão”, disse.
Segundo ele, a possível redução de parlamentares da região Sul e da área da segurança pública também pesou na escolha. “Se nós não tivermos representantes, as regiões acabam sendo esquecidas no processo de decisão e na destinação de recursos”, afirmou.
Resultados na Polícia Civil
Durante a entrevista, o ex-delegado destacou ações realizadas à frente da Polícia Civil de Santa Catarina. Entre os pontos citados, ele mencionou o aumento do orçamento, que passou de cerca de R$ 77 milhões para R$ 146 milhões, além da aquisição de viaturas, armamentos e equipamentos.
“Tivemos a maior aquisição de viaturas da história da Polícia Civil, além de novos fuzis e computadores de alto desempenho. Melhoramos mais de 100 prédios e avançamos na questão do efetivo”, afirmou.
Ele também ressaltou a ampliação das operações contra a corrupção. “Santa Catarina saiu de oito operações em 2022 para quase quarenta dois anos depois. Isso mostra que não temos medo de enfrentar o crime”, disse.
Ulisses defendeu uma atuação firme das forças de segurança e afirmou que esse posicionamento gerou reações. “Quando você começa a combater o crime de forma firme, automaticamente vem a reação. Isso faz parte”, declarou.
Segundo ele, há setores que criticam o aumento de confrontos policiais sem considerar o crescimento das operações. “Se a polícia não pode reagir a uma injusta agressão, na prática está se defendendo que o criminoso leve vantagem. Isso é algo que não podemos aceitar”, afirmou.
O ex-delegado também criticou o que considera uma inversão de valores no debate público. “Muitas vezes se vê a defesa do criminoso, enquanto o policial fica desamparado. Isso precisa ser discutido com mais equilíbrio”, disse.
Caso “Orelha” e investigação
Outro tema abordado foi a investigação do Ministério Público sobre sua atuação no “caso Orelha”. Ulisses negou irregularidades e afirmou que atuou apenas como porta-voz da instituição.
“Eu não presidia o inquérito. Eu era o representante da Polícia Civil. Em nenhum momento violei sigilo ou expus adolescentes. Apenas informei que os responsáveis seriam identificados e responsabilizados”, afirmou.
Ele também rebateu acusações de uso do caso para promoção pessoal. “Não obtive nenhuma vantagem com isso. Pelo contrário, tive desgaste pessoal. Minha atuação foi dentro do que a função exige”, declarou.
Segundo Ulisses, ele pretende prestar todos os esclarecimentos necessários. “Quem está em cargo público está sujeito a questionamentos. Eu tenho tranquilidade e consciência do que fiz”, disse.
Pré-campanha
Ao final da entrevista, o ex-delegado reforçou que seguirá focado na pré-candidatura, com agenda intensa e diálogo com a população.
“Vamos continuar trabalhando de segunda a segunda. A ideia é representar o Sul de Santa Catarina e levar para a Assembleia alguém que conheça a segurança pública e entenda essa realidade”, concluiu.
Confira entrevista completa