Brasil confirma 81 casos de mpox; especialista alerta para cuidados no pós-Carnaval
Santa Catarina soma 598 registros desde 2022; infectologista orienta atenção aos sintomas e prevenção
O Ministério da Saúde confirmou, até o momento, 81 casos de mpox no Brasil. São Paulo concentra o maior número, com 57 registros, seguido do Rio de Janeiro, com 13. Minas Gerais aparece com três casos na região metropolitana de Belo Horizonte. Também há confirmações em Rondônia, Rio Grande do Sul, Distrito Federal e Paraná.
Em Santa Catarina, entre 2022 e dezembro de 2025, foram confirmados 598 casos da doença. Apenas um evoluiu para óbito, em um paciente com a imunidade extremamente baixa. No mesmo período, quase 4 mil notificações foram registradas para investigação.
Apesar de não haver, neste momento, aumento expressivo de casos, o período pós-Carnaval exige atenção redobrada, principalmente por conta das aglomerações. Quem faz o alerta é o médico infectologista Eduardo Campos de Oliveira.
Segundo o especialista, a transmissão pode ocorrer por meio da saliva durante conversas, espirros ou tosse, além do contato direto com lesões na pele, objetos e roupas contaminadas.
Os primeiros sintomas incluem febre, dor de cabeça, dores no corpo, cansaço e aumento dos gânglios. Em seguida, surgem lesões na pele, que começam como manchas, evoluem para bolhas, depois pústulas e, por fim, formam crostas. O quadro pode durar até 30 dias.
O infectologista destaca que festas com grande aglomeração e contato próximo, como o Carnaval, podem favorecer a circulação do vírus. Ele orienta que pessoas que viajaram ou passaram o feriado em estados com maior número de casos, especialmente em São Paulo, fiquem atentas a qualquer sinal suspeito.
Embora a maioria dos casos apresente evolução leve ou moderada, há risco de complicações graves, podendo inclusive levar a óbito.
Sobre o tratamento, Eduardo Campos de Oliveira explica: “Remédios específicos não temos. Os cuidados são gerais, de controle clínico, como tratar febre e dor, e eventualmente antibióticos se houver sinais de infecção secundária nas áreas das lesões”.
Ele reforça que a principal forma de prevenção é reduzir o risco de exposição. “O que nós temos a fazer é tentar diminuir o risco do adoecimento, evitando contato próximo com alguém que esteja sabidamente doente ou com suspeita da doença. O uso do preservativo pode eventualmente proteger, mas não protege totalmente, porque tem uma área de proteção limitada”, afirma.
O especialista também orienta cuidados no ambiente doméstico. “As roupas devem ser trocadas regularmente, roupas de cama e roupas de uso pessoal”, completa.
Existe vacina contra a mpox disponível pelo Ministério da Saúde, mas as doses são destinadas principalmente a grupos mais vulneráveis. Não há oferta na rede privada. Pessoas com mais de 60 anos, que receberam vacina contra a varíola nas décadas de 1960 e 1970, podem ter proteção parcial.
Mesmo sem cenário de alarme, o infectologista reforça que a mpox não deve ser tratada como uma doença banal. A identificação precoce dos casos e o isolamento continuam sendo as principais estratégias para evitar novas cadeias de transmissão, especialmente após períodos de grande circulação de pessoas.
*Com informações Acaert
