28/02/2020  às 14hs30

Economia

Sem acordo, greve dos mineiros segue pelo 5º dia na região

Sindicato que representa os trabalhadores reivindica reajuste salarial de 7%; mas o sindicato patronal alega que 5,15% é o valor máximo que pode ser oferecido.


Na região, há seis mineradoras afetadas, que contam com aproximadamente 2,5 mil trabalhadores – Foto: Arquivo / Notícias JH

Na região, há seis mineradoras afetadas, que contam com aproximadamente 2,5 mil trabalhadores – Foto: Arquivo / Notícias JH


Permanece sem avanço a negociação entre o Sindicato dos Mineiros da região Sul e o Sindicato da Indústria de Extração de Carvão do Estado de Santa Catarina (Siecesc). A greve foi deflagrada nesta segunda-feira, dia 24, com paralisação na Carbonífera Metropolitana. O embate principal ficou com o reajuste salarial. Os representantes dos trabalhadores pediam incialmente um reajuste de 8,22%, o qual diminuiu para 7% após assembleia. Em contrapartida, a proposta das empresas, por meio do Siecesc, é de 5,15%.


Na região, há seis mineradoras afetadas, que contam com aproximadamente 2,5 mil trabalhadores. Neste ano, a greve ocorre como uma espécie de rodízio. "Iniciamos com a paralisação na Carbonífera Metropolitana, nos dias 24, 25 e 26. No dia 26, 27 e 28, na Indústria Carbonífera Rio Deserto e na Gabriela Mineração. No dia 2, 3 e 4, na Carbonífera Belluno. No dia 4, 5 e 6, na Carbonífera Catarinense e na Carbonífera Siderópolis", informou o presidente da Federação dos Mineiros do Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina (Fetiec), Genoir dos Santos, o Foquinha.


Proposta terá que ser revista


Contudo, com a greve deflagrada, o diretor executivo do Siecesc, Coronel Márcio José Cabral, informa que a proposta feita até então terá que ser renegociada devido à greve. “Conforme havíamos tratado com o sindicato dos trabalhadores e também tratamos no Tribunal Regional do Trabalho, em Florianópolis, caso houvesse a paralisação, a proposta não poderia mais ser de 4,48% referente ao INPC [Índice Nacional de Preços ao Consumidor] mais 16% sobre o INPC, a título de ganho real. Com a deflagração da greve, as empresas passam a ter um prejuízo e acabam não podendo mais conceder este reajuste. Então vamos ter que renegociar os termos”, ponderou.


“Não há a menor possibilidade de um reajuste de 7%, diante de um INPC de 4,48%. Isso nem aqui, nem no estado de Santa Catarina e nem no Brasil. Qualquer pedido de reajuste deve ser centrado em cima de realidade, razoabilidade e legalidade. Não é razoável em um país onde a crise econômica vem se arrastando desde o fim de 2014 até agora. Há uma dificuldade enorme para as empresas, uma perda enorme de postos de trabalho em todo o país. E também não é dotado de realidade porque o cenário econômico do país não é esse. É um reajuste ilusório, venderam isso para os trabalhadores. Alguns acreditaram e a maioria não acreditou, mas está impedida de entrar nas empresas pelos representantes dos sindicatos dos trabalhadores”, apontou o Coronel Cabral.


As reivindicações


O presidente da Federação dos Mineiros, Foquinha, detalhou as reivindicações dos mineiros. “Em alguns aspectos, já aproximamos o acordo, como na questão do lanche de melhor qualidade, do plano de saúde e do reajuste diferenciado por piso salarial. Estamos pendentes por apenas dois pontos: o reajuste salarial e a estabilidade pré-aposentadoria, que são os motivos da greve. Nós estamos com a proposição de 7% de reajuste sobre o salário de dezembro e o sindicato patronal está oferecendo 5,15%. Então tem essa diferença que pretendemos, com a greve, aproximar os números", informou.


"Como houve alterações que prejudicaram os mineiros na Reforma da Previdência, estamos propondo que um dos primeiros requisitos é que os mineiros tenham tempo de 15 anos na frente de serviço. E, depois, ele junta a idade para somar 66 pontos. Mas, se ele não tiver os 15 anos de mina, ele vai diretamente para os 65 anos de idade. Aí, ao invés de ele se aposentar com por volta de 45 anos, ele vai se aposentar somente com 65 anos. É isso que estamos reivindicando, para dar uma garantia para que estes trabalhadores possam fazer os 15 anos no subsolo".


O representante do Sindicato das Indústrias, Coronel Cabral, explica o motivo por não poder atender a este pedido. “Com relação à estabilidade pré-aposentadoria, a cláusula que estava na convenção coletiva de trabalho continua. A mudança que foi feita é da Lei Previdência, que não é uma legislação que está ao alcance dos empresários. A legislação foi decidida pela Câmara dos Deputados e pelo Senado Federal e alterou de 15 anos para mais o tempo de permanência do mineiro em atividade para poder chegar até a sua aposentadoria. A legislação foi alterada e, automaticamente, o período de estabilidade pré-aposentadoria também para o fim da carreira do trabalhador. Isso é natural. Em todas as categorias econômicas aconteceu isso e não foi diferente no setor carbonífero. Portanto, não iremos desfazer o que a legislação fez. Essa desconstrução não cabe a nós. A estabilidade pré-aposentadoria será preservada, mas não irá acontecer próximo dos 15 anos como acontecia até agora, porque o tempo de trabalho do mineiro também foi alterado, conforme a legislação federal”.


O apelo dos sindicatos


Por fim, Foquinha, da Federação dos Mineiros, reforçou o pedido de mobilização dos trabalhadores. “Nós precisamos que os trabalhadores continuem se mantendo unidos. Nós estamos com adesão de 100% na paralisação. Vamos continuar, na próxima segunda-feira, no setor de Lauro Müller, com a Belluno e depois com a Catarinense. O que pedimos é a colaboração dos trabalhadores para que aderem o movimento. Só seremos vitoriosos com a união de todos”.


O Coronel Cabral, por sua vez, fez o apelo para os mineiros retornem às atividades. "Pedimos que os trabalhadores percebam que é irreal o reajuste que está sendo pedido. O reajuste de 5,15% que foi oferecido pelas empesas é o valor limite, que chegaram com muito esforço. Não temos este valor concedido a nenhuma categoria econômica com data-base do mês de janeiro em Santa Catarina. Estamos estudando também em todo Brasil para ver se existe ou que se aproxime. Até agora, não encontramos. Então pedimos que o trabalhador pense bastante nisso, pondere sobre isso. Da volta dele ao trabalho, depende o próprio custo de trabalho dele, depende a sobrevivência das empresas e do setor econômico de geração de energia elétrica aqui no Sul como um todo. O retorno é importante para os mineiros, para as empresas e para todo cenário econômico da região”.


Redação Notícias JH


28/02/2020  às 14hs30