10/12/2019  às 07hs36 - Atualizado em 10/12/2019  às 12hs19

Polícia

Polícia Civil desencadeia a Operação Tweed na APAE de Lauro Müller


Foto: Divulgação / Polícia Civil

Foto: Divulgação / Polícia Civil


A Polícia Civil de Santa Catarina, com apoio do Instituto Geral de Perícias (IGP), cumpre mandados na APAE de Lauro Müller na manhã desta terça-feira, dia 10. O inquérito policial foi instaurado na Delegacia de Polícia de Lauro Müller, através de requisição ministerial, para apurar supostos crimes praticados contra alunas da APAE de Lauro Müller.


Foram requeridos sete mandados de busca e apreensão e quatro mandados de afastamento temporário das funções de quatro investigados. Dentre eles, do presidente da APAE de Lauro Müller, de duas servidoras da entidade e de um diretor da Federações das APAE’s de Santa Catarina, sendo deferidos, até o momento, as sete buscas e apreensão e  dois afastamentos, após manifestação do Ministério Público.


"Na requisição ministerial, constou a existência de 'notícia crime' anônima dando conta que o presidente da APAE de Lauro Müller, J. E. M., estaria agindo de forma a embaraçar as investigações, proibindo, inclusive, que os fatos fossem levados ao conhecimento do Ministério Público, bem como estaria perpetrando crimes de peculato na condição de presidente da APAE", informou o delegado de Polícia Civil Ulisses Gabriel, coordenador da operação.


Conforme a Polícia Civil, foram tomados diversos depoimentos no âmbito do Ministério Público Estadual, dando conta que o presidente abastece seu carro particular com dinheiro da APAE, além de fazer uso de telefone celular, também pago com dinheiro da entidade, para uso particular. As investigações apontaram também que utiliza servidor da APAE para lavar seu carro particular, existindo informações que estaria praticando atos de improbidade administrativa na presidência da APAE de Lauro Müller, inclusive fazendo compras particulares em mercados da cidade, as quais foram pagas pela APAE, inclusive se obtendo nota fiscal emitida no dia 21 de dezembro de 2018, no valor de R$ 1.219,38, período em que a instituição estava sem atividades, bem como chamou a atenção uma nota de 31 de janeiro de 2019, no valor de R$ 6.116,24, quando a APAE também estaria sem atividades normais.


Confira os crimes apurados:


a) Abastecimentos irregulares de veículos particulares na conta da APAE no em um posto na cidade de Lauro Müller;


b) conserto de veículo da APAE em um mecânica da cidade de Orleans com pagamento superior ao valor ofertado no mercado;


c) tráfico de medicamento controlado Ritalina, perpetrado por R. P. V., moradora de Cocal do Sul/SC, a qual fornece Ritalina para J. E, para ele fornecer para terceiros; d) desvios de alimentação da APAE de Lauro Müller;


d) Fraude ao SUS (Sistema Único de Saúde), com inserções de atendimentos indevidos, dos quais participam J. E. M., presidente da APAE, M. P. B., psicóloga da APAE, S. M. C. da R., Diretora da APAE, e J. C. A., Diretor Social da Federação Catarinense das APAE’s e ex presidente da Federação;


e) Compras indevidas em mercados de Lauro Müller, salientando-se no relatório que “Conforme observado no Procedimento Ministerial, algumas notas de compras realizadas nos mercados [...] dão conta de que são compradas inúmeras caixas de leite para a APAE, conforme fls. 102, 103 e 105. Há ainda, uma nota fiscal do mercado [...], do dia 31/01/2018, no valor de R$ 6.116,24, onde há inclusive a compra de um valor alto de leite, constatando-se que em janeiro não há aula na APAE e que ela recebe doação de leite;


f) Uso indevido de linha telefônica da APAE, frisando-se no relatório que no decorrer das investigações foi possível verificar que J. E. M. utiliza o telefone celular da APAE como se seu fosse, utilizando-o não apenas para trabalho, mas também com fins particulares, efetuando diversas ligações, as quais serão pagas com o dinheiro público.


As investigações foram concentradas na Delegacia de Polícia de Orleans, destacado para investigar o caso pela Delegacia Regional de Criciúma, face a sensibilidade da questão, e contaram com a atuação e apoio da Promotoria de Lauro Müller, através da Dra. Larissa Zomer Loli.


Na investigação, surgiram elementos da prática de crimes de: a) coação do curso do processo; b) peculato; c) injúria racial; d) tráfico de medicação controlada; e) associação para o tráfico;  f) inserção de dados falsos em sistema informatizado da administração pública; e g) Associação criminosa.


Operação Tweed - "No século 19, numa cidade do Nordeste, nos Estados Unidos, o prédio do tribunal demorou 20 anos para ser inaugurado. O superfaturamento foi tão grosseiro que um carpinteiro chegou a receber o equivalente a US$ 5 milhões em dinheiro de hoje por 30 dias de serviço. Outro trabalhador, responsável pela argamassa, recebeu atuais US$ 2 milhões por dois dias de serviço. Quando finalmente foi inaugurado, em 1881, o Tribunal do Condado de Nova York, no nordeste dos Estados Unidos, terminou custando o dobro do valor que o país pagara na compra do Alaska. À época, os desvios foram comandados por William M. Tweed, ou 'chefe Tweed'".


10/12/2019  às 07hs36