17/05/2018  às 15hs13

Polícia

Operação nacional contra a pedofilia tem doze presos e um adolescente apreendido em SC

A Polícia Civil realizou uma entrevista coletiva na manhã desta quinta-feira para repassar informações sobre a operação


Foto: Cristiano Estrela / Diário Catarinense

Foto: Cristiano Estrela / Diário Catarinense

Os policiais mobilizados para a Operação Luz na Infância 2, iniciada na manhã desta quinta-feira em quinze cidades de Santa Catarina, já prenderam 12 pessoas em flagrante e apreenderam um adolescente. A Polícia Civil ainda está realizando ações em alguns municípios para cumprir os 35 mandados de busca e apreensão expedidos pela Justiça estadual, por isso o número de detidos pode subir até o fim do dia.

O objetivo da ação, que é realizada simultaneamente em todos os Estados do país, é combater a pedofilia e o compartilhamento de conteúdo com pornografia de crianças e adolescentes. Até o meio-dia desta quinta, Santa Catarina era o Estado com o maior número de presos na operação, os quais foram encontrados em Balneário Camboriú, Blumenau, Camboriú, Criciúma, Florianópolis, Jaguaruna, Jaraguá do Sul, São Bento do Sul e São José.

De acordo com o delegado Anselmo Cruz, diretor da Deic e responsável pela operação no Estado, não há ligação direta entre os suspeitos porque os arquivos eram transferidos diretamente pela internet. Ainda não é possível saber se os presos têm antecedentes criminais porque não foram devidamente identificados, mas Cruz afirma que todos são homens.

— Não existe um padrão entre as pessoas que executam esse tipo de crime. Hoje mesmo tivemos um exemplo disso, já que cumprimos mandados tanto em casas de alto padrão quanto em residências muito simples. Já prendemos adultos, idosos e hoje tivemos até a apreensão de um adolescente de 17 anos que armazenava conteúdo de pornografia infantil em seu computador — explica o delegado responsável pela operação.

A operação desta quinta mobilizou em Santa Catarina 140 policiais civis e 43 profissionais do Instituto Geral de Perícias (IGP), entre peritos criminais e auxiliar criminalístico. As equipes da Deic e da Divisão de Repressão aos Crimes Informáticos (DRCI) analisaram durante quatro meses o material enviado pelo Ministério Extraordinário da Segurança Pública, responsável pela operação nacional.

[Operação Luz na Infância 2 combate a pedofilia em 15 cidades de Santa CatarinaDiversos estados do país estão envolvidos com a Operação Luz na Infância 2 na manhã desta quinta-feira, considerada pelo Ministério Extraordinário da Segurança Pública a maior ação de combate à pedofilia do mundo. Em Santa Catarina, a Polícia Civil mobilizou cerca de 160 agentes para cumprir os mandados de busca e apreensão]
Diversos materiais como computadores, celulares, tablets e câmeras fotográficas foram apreendidos pelos peritosFoto: Cristiano Estrela / Diário Catarinense

— A equipe identificava a origem da conexão de internet onde havia armazenamento e compartilhamento de pornografia infantil. Depois, era necessário saber se a rede era dividida e quem a utilizava. Isso porque é muito comum que as pessoas usem redes compartilhadas ou abertas de internet, como em restaurantes, para realizar esse tipo de crime — detalha o delegado Luiz Felipe Rosado, da DRCI.

Os agentes do Instituto Geral de Perícias (IGP) participaram da operação para analisar evidências na residência dos suspeitos. Os policiais e os peritos chegaram aos locais a partir do mandado de prisão e, utilizando um software específico, buscaram conteúdos pornográficos de crianças e adolescentes nos equipamentos eletrônicos dos suspeitos. Quando encontraram, houve a prisão em flagrante.

Diversos materiais como computadores, celulares, tablets e câmeras fotográficas foram apreendidos pelos peritos. Os agentes devem analisar o material de forma minuciosa nas próximas semanas, de forma que mais pessoas podem ser indiciadas se houver a constatação dos crimes de pedofilia ou de compartilhamento de conteúdo infantil.

— Fotografamos todos os cômodos da casa e depois comparamos com as imagens e vídeos para identificar se há o consumo do material ou se o suspeito foi responsável pelo ato. Além disso, a perícia pode ampliar a punição dos presos após análise do material — finaliza o perito Tiago Petry, diretor do Instituto de Criminalística.

[Operação Luz na Infância 2 combate a pedofilia em 15 cidades de Santa CatarinaDiversos estados do país estão envolvidos com a Operação Luz na Infância 2 na manhã desta quinta-feira, considerada pelo Ministério Extraordinário da Segurança Pública a maior ação de combate à pedofilia do mundo. Em Santa Catarina, a Polícia Civil mobilizou cerca de 160 agentes para cumprir os mandados de busca e apreensão]
As equipes da Deic e da Divisão de Repressão aos Crimes Informáticos (DRCI) analisaram o material durante quatro mesesFoto: Cristiano Estrela / Diário Catarinense

Mais de 500 mandados em todo o país

A ação nacional contou com 2,6 mil policiais de 24 Estados e do Distrito Federal. Ao todo, foram expedidos 578 mandados de busca e apreensão de arquivos relacionados com os crimes de exploração sexual de crianças e adolescentes. Mais de 100 pessoas também foram detidas em flagrante por pedofilia e outros crimes.

A investigação realizada pela Diretoria de Inteligência da Secretaria Nacional de Segurança Pública durou quatro meses e identificou suspeitos após coleta de informações no ambiente virtual. Os dados foram repassados para a Polícia Civil de cada estado, responsáveis pela instauração do inquérito e solicitação dos mandados aos juízes locais.

Na primeira operação "Luz na Infância", os policiais civis cumpriram 157 mandados de busca e apreensão em computadores e arquivos digitais na data de 20 de outubro de 2017. A ação teve 112 pessoas presas por produzir, armazenar ou compartilhar conteúdos de pedofilia na internet. Os trabalhos foram possíveis após seis meses de investigação, contando inclusive com apoio de órgãos norte-americanos. A informação é do Diário Catarinense.


17/05/2018  às 15hs13