14/06/2019  às 13hs27

Geral

Museu ao Ar Livre Princesa Isabel, um Patrimônio Cultural Brasileiro

Inaugurada em 30 de agosto de 1980, a instituição preserva e expõe o acervo histórico e cultural dos colonizadores de Orleans e região.


Fotos: ASCOM Febave

Fotos: ASCOM Febave


O Museu ao Ar Livre Princesa Isabel - o primeiro do gênero a ser construído na América Latina -, situado em Orleans, foi reconhecido, por unanimidade, como Patrimônio Cultural Brasileiro pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). O pedido de tombamento foi apreciado pelo Conselho Nacional do Patrimônio Cultural nesta quarta-feira, dia 12, na sede do Iphan, em Brasília.


O professor Elcio Willemann, presidente Fundação Educacional Barriga Verde (Febave), mantenedora do museu, e reitor do Centro Universitário Barriga Verde (Unibave) e a diretora do Museu ao Ar Livre Princesa Isabel, Valdirene Böger Dorigon, se fizeram presentes na cerimônia em Brasília. Maria Cecília Londres Fonseca foi a relatora do processo, a mesma que deu o parecer favorável ao projeto do museu na implantação. Inaugurada em 30 de agosto de 1980, a instituição tem como objetivo conservar, pesquisar e expor o acervo histórico e cultural dos colonizadores de Orleans e região.


Conforme a diretora, o pedido de tombamento se deu em 1987, há 32 anos, e foi feito pela própria instituição. “Após muita expectativa, o reconhecimento é muito comemorado. “O nosso museu merece muito esse reconhecimento. Esse espaço cultural riquíssimo agora ganha visibilidade nacional e abre diversas oportunidades, potencializa e dissemina a história e a memória dos imigrantes”, declara Valdirene. “A história da imigração europeia no sul catarinense merecia esse reconhecimento, pois possui contribuição importantíssima para a formação do povo brasileiro”, completa.



Sonho do Pe. Dall’Alba, um grande incentivador cultural


Segundo o Livro Oficinas do Saber, de Celso de Oliveira Souza, após a enchente de 1974, boa parte das indústrias artesanais foi destruída e, paralelamente a isso, o município recebia energia elétrica. Dessa forma, o Pe. João Leonir Dall’Alba idealizou naquele ano um lugar que preservasse o estilo de vida dos colonizadores e os equipamentos movidos a força humana, animal e por rodas d’água. Ou seja, com energia hidráulica e não elétrica. O museu foi criado com o intuito de resgatar e preservar as fases da colonização italiana, no que se refere ao estilo de vida e de trabalho dos colonizadores. Ele possui no acervo ferramentas de trabalhos, móveis, utensílios e entre outros itens.


“As técnicas de trabalho que os colonizadores conseguiram desenvolver no isolamento a que foram submetidos era algo de extraordinário. Faze-las com que fossem conhecidas, foi, e é uma revelação, um tesouro cultural, que é o registro de uma vitória do espírito humano contra a adversidade. Era necessário garantir que as gerações futuras conhecessem o resultado desse esforço. No entanto, o Museu ao Ar Livre Princesa Isabel era uma garantia de que esse ‘tesouro’ seria preservado e, com ele, parte expressiva de nossa história e cultura”, afirmou Celso de Oliveira Souza em sua obra.


Dall'Aba apresentou suas ideias ao Centro Nacional de Referência Cultural (CNRC), à Fundação Nacional Pró-Memória (atualmente o Iphan) e ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. Através do CNRC, o projeto passou a contar com a colaboração da Fundação Catarinense de Cultura (FCC) e conseguiu financiamento. A inauguração ocorreu seis anos após a idealização, em 30 de agosto de 1980, há quase 39 anos.


Quem prestou grande apoio ao Pe. Dall'Alba foi Altino Benedet, que trabalhava em marcenaria desde os 14 anos de idade, observando o trabalho do pai, mestre em marcenaria. Desde cedo, fazia rodas d'água com pequenos pedaços de madeira, usando sabugo de milho para fazer as polias que movimentavam seus "engenhos". Devido ao conhecimento que desenvolveu e preservou, coube a ele a montagem das unidades, máquinas, engrenagens e rodas d'água do museu. Atualmente, o filho dele, José Benedet, é o responsável pela manutenção. Ele aprendeu a execução com o pai e o ajudou na montagem dos equipamentos quando adolescente.



O parque de tecnologia dos imigrantes da América Latina


O Museu ao Ar Livre Princesa Isabel possui salão comunitário, capela, engenho de farinha de mandioca, estrebaria, casa do colono, cantina de vinho, galpão dos meios de transporte, engenho de açúcar, alambique, olaria, serraria, marcenaria, oficinas artesanais, atafona para moagem de milho, descascador de arroz, moagem de cereais, ferraria, monjolo simples, monjolo de quatro pilões, além de palco e recepção.


A expressão “ao ar livre” corresponde à forma de apresentação do acervo, em um ambiente natural e ecológico, de contemplação e estudo. O “parque das indústrias dos colonizadores” fica situado em um terreno de aproximadamente 20 mil metros quadrados. É mantido pela Fundação Educacional Barriga Verde (Febave) e não possui fins lucrativos. Em 2018, recebeu aproximadamente 13 mil visitantes. Em suas dependências, está instalada a Casa de Pedra, que abriga um acervo com coleções, obras raras e documentos, que foi salvaguardado num período anterior ao do Museu ao Ar Livre.



Riqueza histórica: preservar para conhecer


A partir de 2001, a Casa de Pedra, situada nas dependências do Museu Ao Ar Livre Princesa Isabel, passou a abrigar o Centro de Documentação Histórica Plínio Benício (CEDOHI), o acervo da unidade Museu da Imigração Conde D’Eu, a Biblioteca Histórica Etienne Stawiarski e o Laboratório de Conservação e Restauração (LACOR).


Preservar essa riqueza história é importante para que as gerações que viveram, vivem e viverão após este período possam compreender a cultura na qual estão inseridas, principalmente no que diz respeito ao modo de pensar e agir. Para isso, se faz necessário conhecer quais eram os hábitos, os costumes, as crenças e a forma como viviam os colonizadores, já que isto influencia diretamente na construção da identidade social e cultural na qual estão inseridas.


Unidade Museu da Imigração Conde D’ Eu


O Museu da Imigração Conde D’Eu foi inaugurado em 30 de agosto de 1970 nas dependências do Seminário São José, em Orleans. São muitas coleções que compõem o referido acervo: ferramentas de trabalho; utensílios domésticos; imagens e objetos sacros; objetos de adorno, de conforto e auxílio pessoal; mobília; objetos de adorno para interiores de residências; numismática; acervo arqueológico; indumentárias; uma coleção de minérios regionais; dentre outros. Este acervo começou a ser formado em 1967, através de um trabalho realizado pelo Seminário São José e coordenado pelo Padre João Leonir Dall’Alba. No ano de 2002, o museu foi reaberto para visitação, já instalado na Casa de Pedra, no Museu ao Ar Livre Princesa Isabel.


Biblioteca Histórica Etienne Stawiarski


Neste local, é possível encontrar um acervo com obras raras nas mais variadas áreas do conhecimento: Biologia, Religião, Medicina, Matemática, Literatura, Português, Mecânica, Astrologia, Psicologia, Geometria, Eletricidade e entre outras. Indicar as áreas de assunto abrangidas pelo acervo. Esta coleção pertenceu a um dos superintendentes da Empresa de Terras de Colonização Etienne Gaudenty Stawiarski. Em sua homenagem e como forma de agradecimento, a biblioteca foi intitulada de Biblioteca Histórica Etienne Stawiarski.


Centro de Documentação Histórica Plínio Benício


Este centro é dotado de documentos referentes à Empresa Colonizadora Grão-Pará, que pertenceu ao conde D’Eu e à princesa Isabel, formada com o intuito de incentivar a imigração e de vender as terras do dote de casamento da princesa. Com a Proclamação da República, a empresa deixou de pertencer ao casal Imperial e mudou o nome para Empresa Colonizadora do Brasil. A primeira sede da empresa foi provisória em de Braço do Norte, depois construíram uma nova sede em Grão-Pará, mais tarde mudou-se para a cidade de Orleans.


Sobre o Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural


O Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural é o órgão colegiado de decisão máxima do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) para as questões relativas ao patrimônio brasileiro material e imaterial. Ele conta com nove representantes de instituições públicas e privadas e 13 representantes da sociedade civil, indicados pela presidência do Instituto e designados por ato do Ministro de Estado da Cultura.



Bens tombados: garantia de conservação e proteção


A diretoria do Museu ao Ar Livre, Valdirene Böger Dorigon, destaca que o espaço cultural já era tombado pelo Estado de Santa Catarina. “Já tínhamos esse reconhecimento estadual, agora, finalmente, podemos dizer que o Museu ao Ar Livre Princesa Isabel é um patrimônio do povo brasileiro”, comemora. Ela ainda explica que o tombamento, além de um reconhecimento, é uma proteção. “Ou seja, quando você torna um bem tombado, ele deve ser conservado e mantido para as próximas gerações. Faz com que a nossa história continue a ser contada por muitas e muitas gerações. Mantém a memória viva”, acrescenta.


O tombamento é o instrumento de reconhecimento e proteção do patrimônio cultural mais conhecido, e pode ser feito pela administração federal, estadual e municipal. O Patrimônio Cultural é definido como um conjunto de bens móveis e imóveis existentes no País e cuja conservação é de interesse público, quer por sua vinculação a fatos memoráveis da história do Brasil, quer por seu excepcional valor arqueológico ou etnográfico, bibliográfico ou artístico. São também sujeitos a tombamento os monumentos naturais, sítios e paisagens que importe conservar e proteger. Para ser tombado, o bem passa por um processo administrativo que analisa sua importância em âmbito nacional. Os bens tombados estão sujeitos à fiscalização realizada pelo Instituto para verificar suas condições de conservação, e qualquer intervenção nesses bens deve ser previamente autorizada. O objetivo do tombamento de um bem cultural é impedir sua destruição ou mutilação, mantendo-o preservado para as gerações futuras.


Redação Notícias JH


14/06/2019  às 13hs27