11/08/2018  às 15hs39

Geral

Mulheres ainda têm resistência para denunciar


Diário do Sul

Diário do Sul

A semana foi marcada pelos 12 anos da lei Maria da Penha. Paralelo à celebração da data que protege as mulheres, casos de violência e assassinatos também repercutiram. 

Somente em Santa Catarina foram duas vítimas de feminicídio nos últimos dias. Os casos trazem um alerta: ainda há resistência para denunciar os agressores. 

O agravante, segundo a delegada Jucinês Dilcinéia Ferreira, da Delegacia de Proteção à Criança, Adolescente, Mulher e Idoso (Dpcami) de Tubarão, precisa de ampla discussão. “As mulheres foram, ao longo da vida, criadas num padrão de educação patriarcal, em que elas são vistas numa situação onde o poder masculino ainda é maior”, fala a delegada. 

Com isso, segundo Jucinês, algumas mulheres têm medo de denunciar, para ‘não criar um escândalo’, por exemplo. “Muitas usam do poder da polícia para ‘dar um susto’ no companheiro. Denunciam o crime, mas muitas vezes voltam à delegacia e imploram para o processo não ir adiante. Muitas, por medo ou por acreditarem que ele irá mudar”, comenta a delegada. 

“Mas fica o alerta: não deixe que ele levante a primeira mão. Se xingou, humilhou, te privou, ele poderá tentar algo pior. As mulheres devem analisar quem escolhem para suas vidas. Uma relação não pode e não deve ser abusiva. Jamais. Não sustente um relacionamento que começa desse jeito”, alerta a delegada. 

Conforme dados divulgados recentemente pelo 12º Anuário Brasileiro de Segurança, as piores taxas de casos de violência doméstica no Brasil estão concentradas em Santa Catarina. Somente em 2017 foram registrados 225 casos diários de violência contra a mulher a cada 100 mil habitantes. 

Ainda no mesmo ano foram registradas, no Estado, 1.158 mortes de mulheres por violência doméstica. “Felizmente, não tivemos esse ano, em nossa delegacia, nenhum caso de feminicídio. Mas fica o alerta. Mulheres, se protejam. O agressor precisa ser responsabilizado por sua ação. Denunciem!”, fala a delegada. De acordo com os dados do anuário, em 2017, no Brasil, 63,8 mil mulheres foram mortas.


Feminicídio completa 90 dias, com mobilização

Poucos dias depois da morte da modelo Isadora Viana Costa, de 22 anos, completar três meses, uma tarde de homenagens à jovem, assassinada em Imbituba, será realizada neste sábado, em Santa Maria, no Rio Grande do Sul. As atividades são organizadas pelo pai da modelo, Rogério Froner Costa, e demais familiares e amigos. 

Além disso, segundo o pai da modelo, o espaço também será utilizado para pedir por justiça nas investigações do caso. No dia 4 de julho, o namorado da jovem foi denunciado pelo Ministério Público de Santa Catarina pela morte de Isadora. O acusado é morador de Imbituba. Ele está preso preventivamente desde o dia 16 de julho. Ele foi denunciado por homicídio qualificado por feminicídio, recurso que impossibilitou a defesa da vítima, além de fraude processual, já que, segundo o MP, a cena do crime foi modificada, a fim de induzir a perícia a erros.

Com informações do Jornal Diário do Sul


11/08/2018  às 15hs39