13/03/2019  às 20hs41

Mineiros e empresas fecham acordo e greve é evitada

Reunião com mineradoras pela manhã e assembleia da categoria durante a tarde afastaram as divergências quanto ao valor do reajuste salarial e selaram dissídio para 2019.


Muriel Albonico/Rádio Guarujá, Ligado no Sul

Muriel Albonico/Rádio Guarujá, Ligado no Sul

Muriel Albonico
Redação, Ligado no Sul

 

Mineiros e mineradoras de Lauro Müller, Orleans e região carbonífera fecharam acordo para reposição salarial como contrapartida ao dissídio coletivo da categoria. O dia começou com estado de greve em todas as frentes de trabalho das minas de carvão em todo o Sul catarinense, mas a noite chega com as divergências entre o pedido pelos empregados e o que era ofertado pelos patrões.

As discussões sobre o reajuste partiram com o pedido dos sindicatos regionais por aumento real de 70% do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), cerca de 5,91% sobre o salário de dezembro. Já o Sindicato Indústria de Extração Carvão do Estado de Santa Catarina (Siecesc) apresentou contraproposta de 5%. Nos piquetes durante a manhã de quarta-feira, 13, muitos trabalhadores acreditavam que o valor oferecido pelo sindicato patronal seria aceito. “Acredito que vamos acabar aceitando”, disse um dos mineiros que enfrenava o Sol na entrada de uma das três carboníferas em funcionamento no Guatá, distrito de Lauro Müller.

E, seguindo a profecia dos trabalhadores, a assembleia da tarde de quarta definiu o aceite pelos sindicatos – e pelos trabalhadores – do valor dado pelas empresas. De acordo com o presidente do Sindicato dos Mineiros de Lauro Müller e Orleans, Ademir Delfino Nunes, cerca de três mil trabalhadores diretos estão contratados por empresas extratoras de carvão mineral, espalhados em Lauro Müller, Treviso, Siderópolis, Criciúma e Urussanga. Há profissionais, também, em cidades sem a presença de minas, como Orleans, por exemplo. “Isso sem contar os trabalhadores indiretos” diz o presidente.

Ao portal 4oito, de Criciúma, o diretor executivo do Siecesc, Márcio José Cabral, disse que entre as propostas das empresas, além do aumento, foi oferecido acréscimo no tempo de atendimento ao trabalhador acidentado – passando de 60 dias para 90 dias, a aplicação do reajuste da categoria também no abono de férias e no vale-alimentação, além da garantia de que todos os direitos conquistados anteriormente fossem mantidos, desde que não afetem a legislação vigente.

Segundo o consultor jurídico do sindicato de Lauro Müller, Antônio Elias, o valor do dissídio acertado aos trabalhadores da extração do carvão, para este ano, está entre os maiores reajustes pagos frente as demais profissões. “Quando comparamos com outras profissões, nosso ganho real acaba sendo maior”, diz o advogado. Ele lembra que esse poder de finalizar acordos com cerca vantagem é um reflexo das movimentações e pressões feitas pela categoria desde as greves feitas ainda na década de 1970. “Muito se fala sobre a greve dos metalúrgicos do ABC paulista, como sendo a primeira greve durante o período da ditadura militar. Mas, na realidade, a primeira paralização de trabalhadores nesse período aconteceu em Lauro Müller”, afirma. Ainda de acordo com o consultor jurídico, as discussões para acerto do dissídio coletivo dos mineiros em 2019 foi uma das mais acirradas dos últimos três anos.

O acordo entre patrões e empregados, na tarde de quarta-feira, pôs fim a possibilidade de greve, ao menos até o início do próximo ano.


13/03/2019  às 20hs41