22/03/2019  às 15hs43

Geral

Enchente de 1974 completa 45 anos

Fotos e relatos relembram as marcas deixadas por ela. Moradores da região que sobreviveram à maior catástrofe natural de Santa Catarina não se esquecem da destruição causada pela enchente.


Créditos: Arquivo / Foto Debiasi / Publicada por Delavi Pizzolatti

Créditos: Arquivo / Foto Debiasi / Publicada por Delavi Pizzolatti


Em 1974, as “águas de março” fecharam de forma catastrófica o verão de 1974, há 45 anos, em 24 de março. Após dois dias de chuvas ininterruptas, o nível do Rio Tubarão subiu 10 metros e a enchente daquele ano, considerada a maior catástrofe natural de Santa Catarina, deixou cidades do Sul embaixo d'água. Passadas mais de quatro décadas, as lembranças da catástrofe permanecem vivas na mente dos que sobreviveram a ele.


A força da correnteza arrastou desde pessoas e animais até pontes e casas. As pessoas, pegas de surpresa, buscavam os pontos mais altos das cidades em busca de abrigo e proteção. Somente foi possível se dar conta do tamanho da tragédia após a água do rio baixar. O cenário era de destruição.


Mortes foram registrada em 13 municípios da região, onde 65 mil pessoas ficaram desabrigadas. Um levantamento aponta para 199 mortos. Contudo, reportagem publicada pelo Diário Catarinense revela a “inexistência de uma listagem com a identificação de todos os mortos” e afirma que “as autoridades se apegaram à estatística existente [...] e a oficializaram para não se referirem ao episódio como a enchente sem memória”.


No interior de Orleans e Lauro Müller, os prejuízos foram incalculáveis e a necessidade de recomeçar atrasou o desenvolvimento dos municípios e região. Pontes e o ramal ferroviário que atendia as cidades foram carregados, lavouras foram devastadas e moradores ficaram ilhados e sem energia elétrica. Os habitantes de Lauro Müller, que haviam vivido o mesmo pesadelo em 1971, apenas três anos antes, ainda não haviam se recuperado completamente de todos os danos causados.


Relatos de sobreviventes:


“Morávamos em Armazém. Também lembro, devia ter 12 anos. Era muito barulho de água, parecia que o mundo ia acabar. Passamos muito medo, foi muito triste. Ficamos apenas numa ilhinha. Se a água subisse mais um pouquinho, não tinha para onde ir, pois em todos os lados só se via água”, Jovelina Serpa.


“Perdi a minha mãe que foi levada pela enchente e nunca encontramos o corpo, em São Ludgero”, Teresinha Brüning Schulz.


“Oito dias depois, fui com meu irmão levar uma carreta de cal para espalhar pela cidade. Tudo cheirava mal. Eu tinha sete anos. Foi o que vi, que não somos nada diante de uma catástrofe natural. Deus nos proteja!”, Carmina Popenga.


Redação Notícias JH


22/03/2019  às 15hs43