18/04/2019  às 15hs20 - Atualizado em 18/04/2019  às 15hs29

Geral

Corpo de Bombeiros em Lauro Müller: um desejo que reacende a cada incêndio

Cidade é atendida pelo pelotão de Orleans, a uma distância mínima de 14 quilômetros, o que causa insegurança e apreensão à população.


Família perdeu tudo em um incêndio que atingiu uma residência de aproximadamente 60m², no distrito de Barro Branco, em 28 de março - Foto: Corpo de Bombeiros

Família perdeu tudo em um incêndio que atingiu uma residência de aproximadamente 60m², no distrito de Barro Branco, em 28 de março - Foto: Corpo de Bombeiros


Preservar vidas e bens materiais. Esta é uma das missões do Corpo de Bombeiros Militar. Contudo, para que se minimize as perdas, o tempo-resposta é um fator essencial. Em Lauro Müller, ter uma unidade física na cidade é uma reivindicação antiga dos moradores, que reascende a cada sinistro registrado. No último mês, dois imóveis foram atingidos por incêndio e o Corpo de Bombeiros Militar de Orleans foi o responsável por atender as ocorrências.


“Por mais que o caminhão seja moderno e tenha velocidade, ele tem um peso mínimo de 4 mil litros de água, além do equipamento e dos profissionais. O percurso é de 14 quilômetros, no mínimo, com subidas, descidas e lombadas. Por mais rápido que se consiga ir, é muito diferente do que se tivesse uma sede lá. No que diz respeito à segurança, Lauro Müller tem em seu território a Serra do Rio do Rastro, que registra acidentes automobilísticos e naturais, como quedas de barreiras. Tem também a rodovia estadual que liga a Criciúma, com tráfego intenso e maior velocidade. Para atender um acidente naquela rodovia, é necessário que a guarnição se desloque de Orleans ou de Criciúma. Ou seja, o tempo-resposta é bem maior”, detalhou o sargento Edson de Freitas, que responde pelo comando em Orleans e Lauro Müller.


Segundo ele, em 2013, os moradores da cidade estiveram bem perto de ter seu desejo atendido. Na ocasião, houve uma movimentação em prol desta reivindicação. “Foram transferidos três bombeiros militares para atuar na cidade. Um desencarcerador também veio em nome do Corpo de Bombeiros de Lauro Müller. Só que, como não havia a estrutura física lá, o equipamento foi transferido para Urussanga e os profissionais para outras cidades. Nós estávamos vendo também a possibilidade de conseguir um caminhão auto bomba tanque lá em Florianópolis de outros quarteis que as vezes renovam a frota e que precisaria apenas de manutenção pequena para mantê-lo em atividade. Mas, como não tivemos essa ligação junto à Administração Municipal, o tempo foi passando e hoje estamos sem Corpo de Bombeiros em Lauro Müller”, relembrou.


Naquele ano, os profissionais também fizeram vistorias em alguns imóveis que poderiam acomodar a estrutura do Corpo de Bombeiros Militar na cidade. “Vimos a possibilidade de utilizar a rodoviária, que estava desativada, e outros dois locais. Mas isso ficou apenas na conversa com alguns vereadores na época. O Corpo de Bombeiros de Orleans ficou esperando por uma resposta e o tempo foi passando”, contou. Segundo o sargento, havia também um terreno no bairro Santa Bárbara com uma placa com a frase “futuras instalações do Corpo de Bombeiros” escrita.


Atualmente, os principais desafios seriam justamente conseguir a estrutura física, o caminhão auto bomba tanque e a mão de obra especializada. “Hoje em dia não se faz necessário um grande número de bombeiros militares. Temos vários exemplos no estado de bombeiros comunitários que prestam serviço à comunidade de forma voluntária. Dessa forma, os custos diminuem bastante, já que é possível reduzir o número de bombeiros militares, a exemplo de São Ludgero e Bom Jardim da Serra”, apontou.


“Até porque o Estado está bem enxuto, então acredito que hoje ficaria mais difícil a questão do efetivo. Além do caminhão bomba tanque, que tem um custo alto. Mas, olhando com bons olhos para o Estado, acho que é possível conseguirmos um caminhão em boas condições para que seja doado para Lauro Müller. Estes são passos que daríamos de acordo com o poder público municipal, uma contrapartida para tentar trazer estes benefícios para a cidade. É uma situação que deve ser pensada com carinho”, avaliou.


Conforme o prefeito Valdir Fontanella, a alternativa estudada pela atual administração é que a sede do Corpo de Bombeiros fique situada na comunidade de Palermo. Com isso, poderia atuar tanto em Lauro Müller quanto em Treviso. “Nós realizamos algumas reuniões com o prefeito de Treviso para viabilizarmos este projeto através de uma parceria entre os dois Municípios. Buscamos informações também junto à Defesa Civil e o Corpo de Bombeiros a nível de estado, mas essa conversa esfriou um pouco, já que houve duas trocas de Governo. Sem o incentivo do Governo do Estado, o Município fica de mãos atadas. Falamos com os ex-governadores Raimundo Colombo e Eduardo Pinho Moreira e logo retomaremos a conversa com o atual governador, Carlos Moisés, com uma esperança maior, em função de que ele é coronel da Reserva do Corpo de Bombeiros Militar e sabe da importância que esse pedido teria para o município”, explicou.


O comandante do Corpo de Bombeiros Militar de Orleans, sargento Edson de Freitas, explica que, após vencidas estas etapas, a manutenção dos trabalhos não seria um problema. “Desde 2013, época em que houve as movimentações pela instalação da sede, nós temos um convênio junto à Prefeitura de Lauro Müller para o funcionamento das Seções de Atividades Técnicas (SAT). Elas estão vinculadas ao Fundo de Melhoria do Corpo de Bombeiros, através de taxas de alvará de funcionamento, aprovação de projeto, vistoria etc. Os recursos angariados através disso são totalmente destinados para a manutenção do Corpo de Bombeiros do município, em melhorias na instalação ou aquisição de viaturas e equipamentos”, detalhou.


Ou seja, caso houvesse uma unidade física do Corpo de Bombeiros na cidade, os recursos seriam utilizados para a manutenção do local.  “A sociedade paga a taxa e o Corpo de Bombeiros reverte em esses valores em prestação de serviço. Além do combate ao incêndio, são feitos trabalhos de prevenção”. Mas, em Lauro Müller, funciona apenas o escritório das Seções de Atividades Técnicas (SAT), onde atua uma estagiária, que recebe a demanda de alvará para que as pessoas não precisem sair de Lauro Müller para requerer. Semanalmente, os profissionais do Corpo de Bombeiros de Orleans vão até a cidade para realização deste serviço. “Com esta taxa, compramos uma viatura e equipamentos, que são usados pelo Corpo de Bombeiros de Orleans, pois atende também naquela cidade”. Além disso, cada atendimento feito com a ambulância gera o valor de R$ 19,20, através de convênio com os Municípios de Orleans e Lauro Müller. O Governo do Estado, por sua vez, custeia a folha de pagamento e o combustível.


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Incêndio registrado na madrugada do dia 26 de fevereiro atingiu um restaurante que fica a uma distância de 22 quilômetros do quartel de Orleans, danificando 90m² de uma área de 250m² – Foto: Corpo de Bombeiro


 


18/04/2019  às 15hs20