13/09/2019  às 09hs30 - Atualizado em 13/09/2019  às 09hs36

Saúde

Área da saúde é a principal reclamação dos orleanenses

Demora para agendamentos de consultas e realização de exames é o que mais incomoda a população.


Nas redes sociais, o assunto saúde de Orleans tem gerado polêmica – Foto: Reprodução

Nas redes sociais, o assunto saúde de Orleans tem gerado polêmica – Foto: Reprodução


Muitos orleanenses têm buscado as redes sociais para externar seus descontentamentos com os atendimentos públicos na área da saúde. A demora para agendamentos de consultas e realização de exames é o que mais tem incomodado a população. Marli Nesi, moradora do bairro Rio Belo, de Orleans, é uma das cidadãs que enfrenta tais problemas.


“Precisei marcar uma consulta para o meu filho na Unidade de Saúde Santa Luzia e demorou. Quando finalmente fizemos a consulta, a médica pediu um ultrassom para ele. E eu optei por pagar pelo exame, porque agora é preciso ir na Secretaria de Saúde para pedir uma autorização que vem de fora. Mostrei a ultrassom no postinho e a médica encaminhou ele a um especialista de Criciúma. Demorou quase quatro meses para conseguir a consulta”, relatou.


“Quando foi feita, o médico em Criciúma deu exames para fazer e, como eu sei que demoraria, acabei pagando por eles, pelo valor de mais de R$ 400. Depois teríamos que fazer o retorno. Liguei para marcar com o médico e eles me pediram um papel. Eu fui solicitar no postinho e me informaram que seria necessária uma nova consulta. Será que vou precisar esperar mais quatro meses para mostrar os exames do meu filho? Isso me preocupa, pois com saúde não se brinca e nem se espera”, acrescentou.


Segundo Marli, o mesmo ocorreu quando ela também precisou de uma consulta. “Eu fui no médico há quase dois meses. A médica me pediu um raio X. Fui até a Secretaria da Saúde e me informaram que leva entre 30 e 40 dias para vir a autorização de Criciúma. Então eu paguei para fazer o exame no mesmo dia. Voltei no postinho para mostrar o resultado para a médica e só consegui paro dia 16 de agosto. Neste meio tempo, eu tive que ir para Videira para cuidar do meu irmão e só voltei de lá por causa dessa consulta. Quando cheguei aqui, descobri que tinha sido remarcada para o dia 26”.


“Quando fui atendida pela médica, ela me disse que eu tinha que procurar um otorrino e um cardiologista com urgência. Fiz um eletro, que saiu em uma semana. Achei que já poderia pegá-lo, mas o exame foi para Florianópolis e disseram que ele chegará dia 11 de setembro. Fiz outros exames e paguei por eles. Fui tentar marcar para mostrar os exames e a moça na Unidade de Saúde Santa Luzia disse que abriria a agenda na segunda-feira, dia 2 de setembro. Eu cheguei bem cedo e fui a quinta pessoa da fila. Consegui marcar para o dia 13 de setembro para mostrar os exames. Mas a própria médica disse que, se eu tivesse condições, era para pagar um médico particular o quanto antes. Mas não tenho dinheiro para isso e, como dependo do SUS, não sei quando conseguirei agendar com estes especialistas”, concluiu.


Secretaria da Saúde explica o funcionamento da ESF


Conforme a Secretária de Saúde de Orleans, Luana Debiasi, a Estratégia Saúde da Família (ESF) busca promover a qualidade de vida da população e intervir nos fatores que colocam a saúde em risco, como falta de atividade física, má alimentação e o uso de tabaco. Ela é a porta de entrada do Sistema Único de Saúde (SUS). O Município é responsável pelas ações básicas, onde é a porta de entrada para os serviços da rede.


O coordenador da Atenção Básica da Secretaria da Saúde, Murilo Debiasi Ferrareis, explicou como funciona assim que a pessoa chega à Unidade de Saúde. “Conforme preconiza o Ministério da Saúde, a pessoa chega e passa pela triagem para ser encaminhada para o atendimento, que pode ser médico, dentário ou de enfermagem. Nesta triagem, é realizada avaliação. Se for necessário um atendimento de emergência, é realizado o acolhimento do mesmo e encaminhamento ao hospital. Conforme preconiza o atendimento médico, na Unidade de Saúde deve ser agendado e também é realizado por demanda espontânea. As unidades de saúde, cada uma com sua especialidade, realizam o agendam mensalmente, outras de 15 em 15 dias, e há outras ainda que não precisam de agendamento e atendem por demanda espontânea. Isso depende de cada Unidade da Saúde, pois cada uma tem uma realidade e uma população atendida específica. Cada Unidade de Saúde tem um dia da semana especifico para renovação de receitas, pois o médico tem que ver o paciente para reavaliar a mediação, mediante agendamento. Nestes dias, é atendida uma média de 30 pacientes por período”.


Caso sejam necessários exames ou consultas com especialistas, existe uma cota, que varia de acordo com a especialidade. Portanto, a espera depende do atendimento necessário. Alguns possuem filas e outros não. Alguns especialistas atendem no município, outros apenas em outras cidades da região. “Em relação aos exames, quando solicitados, passam pelo SISREG [Sistema Nacional de Regulação], tal como as consultas com especialista. Nas unidades temos um responsável pela inserção dos procedimentos e na central de agendamento também insere as informações no sistema, um regulador autoriza e, dois dias depois, a pessoa pode ir até o centro de especialidades para pegar estes exames e procurar qualquer um dos laboratórios credenciados e fazer estes procedimentos. Alguns procedimentos que são inseridos em regulações do estado demoram um tempo maior para serem autorizados devidos aos protocolos”, explicou a secretária.


“Temos um problema onde os muitos pacientes realizam os exames e não vão ao laboratório buscar ou não voltam na Unidade de Saúde para apresentar ao médico e ter registrado em seu prontuário. Estes pacientes faltosos acabam tirando a vaga de outras pessoas que precisam”, alertou Luana. De acordo com o coordenar da Atenção Básica, Murilo Debiasi, a Regulação com a ordem de agendamento e atendimento dos pacientes funciona a partir de um critério cronológico ou de uma avaliação da situação clínica do paciente. “Seguimos as deliberações e portarias ministeriais. Com isso, a intenção é atender a população de acordo com os princípios da equidade. O sistema serve para fazer a equidade da saúde funcionar. Por exemplo, você tem 100 pacientes que precisam do atendimento de uma especialidade, como a ortopedia, mas, no mês, o Município consegue ofertar 50 consultas, então a regulador vai classificar os encaminhamentos e atendimentos para priorizar para as pessoas que mais precisam, para que todos sejam atendidos no tempo mais oportuno e adequado”.


Em Orleans, existem oito Unidades de Saúde em atividade, com 10 médicos atendendo. Duas Unidades de Saúde possuem um médico em período integral e outro em meio período e uma possui dois médicos em período integral. Há também outros profissionais, como ginecologista/obstetra, pediatras, psiquiatras, psicólogos, farmacêuticos, fisioterapeutas, nutricionistas, assistentes sociais, enfermeiros, educador físicos e agentes comunitárias. Há também as Vigilâncias Sanitárias e Epidemiológica que desenvolvem trabalhos voltados à saúde. É importante frisar que todas as Unidades de Saúde realizam horário estendido para atender a população, cada uma com um dia da semana especifico.


Redação Notícias JH


13/09/2019  às 09hs30