31/01/2020  às 14hs49

Economia

A capacitação como aliada no desenvolvimento de jovens empreendedores

Através do conhecimento e apoio mútuo, a Associação Empresarial de Orleans e Lauro Müller (ACIO) caminha lado a lado dos que se aventuram em um universo de desafios e possibilidades.


Foto: Ketully Beltrame

Foto: Ketully Beltrame


A busca pelo sonho de ter seu próprio negócio é desafiadora. Contudo, quem criou coragem e optou por encarar os desafios garante: é recompensador e cheio de possibilidade. Para quem se arrisca ainda quando jovem, além da experiência adquirida ao longo desta jornada, a busca por capacitação é essencial. Neste processo, toda ajuda é bem-vinda. A Associação Empresarial de Orleans e Lauro Müller (ACIO), através do Núcleo de Jovens Empreendedores, anda de mãos dadas com este público.


A associação empresarial tem como missão atuar ativamente em prol do desenvolvimento econômico do município, promovendo a participação e capacitação dos empresários e profissionais do associativismo. Conforme a executiva da ACIO, Paolla Vieira, os núcleos empresariais têm relevância estadual, nacional e internacional. “Eles surgiram através de uma parceria entre a Federação das Associações Empresariais de Santa Catarina (FACISC), em parceria com o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (SEBRAE), em 1987, na cidade de Brusque, onde um projeto piloto para ajudar as micro e pequenas empresas da cidade foi apoiado financeiramente pela Câmara de Comércio e Indústria da cidade de Munique (Alemanha), que já tinha esse programa”.


Segundo ela, a repercussão foi um sucesso e o programa foi implantado também nas cidades de Joinville e Blumenau. “Em 1997, a Facisc, juntamente com o Sebrae, implantou o Programa Empreender em mais cidades. Hoje, ao todo, são mais de 580 núcleos empresarias no estado de Santa Catarina. O Programa Empreender atende hoje 75 Núcleos de Jovens Empreendedores no estado, com um consultor especializado ligado a uma associação e capacitado para orientar e realizar planejamentos com o grupo. O Núcleo de Jovens Empreendedores da ACIO começou a ser sensibilizado em setembro de 2018 e formado no início de 2019. Ele faz parte do Programa Empreender, que, além de ter todo o suporte para a condução dos trabalhos, ainda conta com a troca de experiências e geração de negócios com outros grupos do estado”, detalhou.


O Conselho Estadual do Jovem Empreendedor (Cejesc) determina que os jovens se enquadram na faixa etária de 18 a 40 anos. O Núcleo de Jovens Empreendedores da ACIO é formado por 10 integrantes ativos: Alexandro Augusto Kempfer (sócio proprietário do Salão Toque de Beleza By Shirlei e contador na Wold Serviços Contábeis); Camila Comelli (Camila Comelli Micropigmentação), Cassio Correa da Silva (Burger Grill), Daniel Baggio Galvan (Agropecuária Rio Belo), Daniel Orben Bianco (Vinícola Bianco), Daniela Mazon Pedro (sócia proprietária da Reset Consultoria), Diego Rodrigues Schug (Grupo Schug, Transporte e Comércio, Posto de combustível, Granja), Márcio Redivo Zanprogno (Contador - Unibave), Mateus Pacheco (Ótica Pacheco) e Welinton Mendes Bussolo (Bussolo Empreendimentos).



Para que cada um tenha o apoio e suporte necessário, a capacitação constante é uma importante ferramenta para potencializar as chances de sucesso. “A principal bandeira da ACIO é o desenvolvimento profissional e pessoal, pois acreditamos que a educação transforma a vida das pessoas, o meio e o mundo em que vivemos. O nosso legado é contribuir com o crescimento das pessoas, das empresas e da cidade. Por isso, investimentos em capacitação de qualidade para a nossa cidade. Pessoas capacitadas enxergam diferentes caminhos para buscar uma solução, exercem melhor suas funções, aprendem a lidar com situações do dia a dia e a controlar suas emoções. Assim, a importância de um jovem buscar por capacitação é essencial na sua vida e para o seu negócio. Além do relacionamento que ele gera com outros jovens, troca de ideias, insights e negócios”, observou a executiva.


Paolla explica ainda como funcionam as atividades do núcleo. “Todo início de ano é feito um levantamento das necessidades, demandas e interesse de cada participante perante os seus negócios, para que possamos formular um planejamento anual, com ações internas e externas, capacitações, visitas técnicas e outras atividades que sejam de interesse da maioria do grupo. Os três pilares dos núcleos empresariais são: aprendizado, relacionamento e geração de negócios, só assim conseguimos contribuir com o crescimento profissional e pessoal desses jovens, e, por consequência, melhorar o cenário econômico de suas empresas e da nossa cidade. Todos crescem juntos!”, reforçou. “Eles têm uma evolução fantástica. No que diz respeito a posicionamento, facilidade ao falar em público, geração de negócios, novos empreendimentos, metas audaciosas e muito comprometimento. O grupo, além de se ajudar profissionalmente, criaram um laço de amizade”, completou.


DESAFIOS E SUPERAÇÃO


Três membros do Núcleo de Jovens Empreendedores da ACIO participaram da entrevista e contaram, entre outras coisas, sobre como é a administração de um negócio na prática. Confira!


PERFIL



Nome completo: Daniela Mazon Pedro


Idade: 27 anos


Empreendimento: Reset Consultoria Empresarial (sócia)


Há quando tempo é empreendedora? 1 ano e 1 mês


Há quanto tempo faz parte do Núcleo Jovem da ACIO? Desde o início de 2019


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Nome completo: Cassio Correa da Silva


Idade: 27 anos


Empreendimento: Burger Grill - Hamburgueria


Há quanto tempo é empreendedor? 1 ano e 9 meses


Há quanto tempo faz parte do Núcleo Jovem da ACIO? Há 9 meses


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Nome completo: Diego Rodrigues Schug da Silva


Idade: 27 anos


Empreendimento: Grupo Schug, Transporte e Comércio, Posto de Combustível e Granja


Há quando tempo é empreendedor? Comecei a trabalhar quando tinha 10 anos


Há quanto tempo faz parte do Núcleo Jovem da ACIO? Desde o início de 2019


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ENTREVISTA


1 –  Para empreender, é necessário ter um propósito ou basta uma ideia basta?


Daniela: Para dar o primeiro passo, basta ter uma ideia na qual você literalmente goste e se identifique e, com o tempo, por consequência, você vai descobrindo o seu propósito. Conosco foi assim!


Cassio: Os dois, pois se você tiver apenas a ideia sem algum propósito, ficará mais difícil de você ir à frente.


Diego: Penso que, a partir de ideias, surgem os propósitos e os mesmos são necessários para saber quais caminhos devemos percorrer.


2 – Muitas pessoas têm um ofício e sabem executá-lo, mas administrar uma empresa exige inúmeras outras habilidades. Como saber que está preparado?


Daniela: Uma coisa é certa, nunca estaremos preparados para tudo! Então seja qual for a área em que tivermos dificuldades, o importante é reconhece-la e, a partir desse ponto, se perguntar: “como resolver?”. Quando isso acontece com nós da Reset, fizemos normalmente duas coisas: primeiro buscamos por conhecimento, seja lendo livros, assistindo vídeos ou fazendo cursos; e, posteriormente, buscamos conversar com pessoas experientes que já passaram por situações similares. Não temos vergonha de pedir ajuda!


Cassio: Você só vai saber se está mesmo preparado, encarando os desafios que surgirem no caminho, acreditando no seu potencial e no que você é capaz.


Diego: No mundo dos negócios dificilmente você encontra alguém que se diz totalmente preparado para administrar uma empresa. O que é preciso é sempre estar disposto a aprender, pois cada dia é um aprendizado. Se você possui uma certa noção, consegue focar e está disposto a se dedicar e dar o seu melhor, ao meu ver, já está preparado.


3 – Quais as principais características que um empreendedor deve ter?


Daniela: Coragem (para encarar os desafios), determinação (para resistir aos obstáculos que aparecerão), visão (para identificar se algo está dentro ou fora do seu objetivo), dedicação (para trabalhar em dias e horários que exigirão mais esforços) e ter disciplina. Estes são os diferenciais.


Cassio: Iniciativa, coragem, humildade, honestidade.


Diego: Otimismo, conhecimento da área que atua ou atuará, foco, entusiasmo e não medir esforços.


4 – Expectativa x realidade: o que mudou entre o que vocês idealizavam sobre empreender e a prática de administração um negócio?


Daniela: Aumentou muito a responsabilidade. Sem dúvida nenhuma, em todas as áreas de um negócio.


Cassio: Pensamos que empreender é criar um negocio e basta. Mas não, empreender é estar por dentro de todo o processo dela, conhecer cada operação que ela realiza, para assim poder tomar certas decisões importantes para o crescimento da mesma.


Diego: Dificuldades que o mercado acaba impondo, concorrência algumas vezes praticamente desleais.


5 – O que difere os empreendedores da sua geração e os de outras gerações?


Daniela: Hoje temos mais acesso às informações do que alguns anos atrás. A internet possibilitou isso, desde a busca por conhecimentos até a parte de vender o nosso produto/serviço, o que por consequência vem abrindo mais portas para o crescimento de qualquer negócio. Por outro lado, a concorrência se tornou mais forte também.


Cassio: Nossa geração vem com menos medo de se arriscar, se atualiza mais fácil e está sempre buscando novidades no mercado, enquanto a geração “antiga” é mais fechada para novas ideias, fica acomodada se está bem e tem medo de arriscar novos projetos.


Diego: Nossa geração tem muito mais acesso às tecnologias, com um mercado mudando rapidamente e sempre com novidades. Independentemente do segmento, precisamos estar antenados a tudo e a todos, precisamos administrar o hoje já pensando em depois de amanhã.


6 – Vocês consideram verdade que empreender é a melhor forma de ganhar dinheiro?


Daniela: Então ainda não descobri se isso realmente é verdade heheheh, mas espero que seja. O que eu percebo olhando outros empreendedores com muito mais experiência é que, apesar de ser um caminho um pouco mais difícil, ele possibilita ganhos maiores no longo prazo.


Cassio: Empreender pode não ser a melhor forma de ganhar dinheiro, mas pode ser a melhor forma de ser reconhecido fazendo o que gosta de verdade.


Diego: Para mim que fui criado no meio do setor produtivo, serviço e comércio, sim!


7 – Cite os principais desafios encontrados por vocês no percurso.


Daniela: No início, vender posso dizer que foi um desafio, pela falta de experiência nessa área. Outro desafio era falar em público, o que a ACIO está contribuindo muito para mim e com os demais colegas do grupo.


Cassio: Inexperiência, não saber quando partir para ação, organização.


Diego: Trazer viabilidade e liquidez para o negócio, trabalhando em um país de tantas leis, tantas regras, onde muito se cobra e muito pouco nos retorna.


8 – Dê dicas para quem tem vontade de empreender, mas ainda não tem coragem.


Daniela: Primeiro, busque estar no meio de pessoas que já tem alguma empresa ou estão começando um negócio, pois elas te encorajaram. A ACIO é um exemplo de lugar para participar. Segundo, se pergunte: o que de pior pode acontecer? Você vai perceber que nada é tão ruim assim e que normalmente são medos que nós mesmos “criamos”. E por último e não menos importante: você só vai saber se dará certo se ARRISCAR, então costumo brincar com essa frase: coloque a “fralda” e vai com medo mesmo.


Cassio: Analise o ramo a seguir. Arrisque.  Aumente seu negócio conforme a necessidade. Tenha calma, tudo tem seu tempo, um passo de cada vez.


Diego: Coragem é essencial para tudo na vida, assim como o medo. Se esperar para se sentir totalmente preparado, dificilmente um dia irá empreender, mete a cara. Empreendendo você nunca erra, sempre aprende.


9 – O que mais os encanta no empreendedorismo?


Daniela: O que mais me encanta é superar um desafio, simplesmente para ter a aquela sensação de dever cumprido, que é maravilhosa.


Cassio: O reconhecimento, os desafios e as novas oportunidades.


Diego: Ver algo que sai de uma ideia se tornar uma realidade, fazer acontecer.


10 – Há barreiras enfrentadas por vocês por serem jovem empreendedores?


Daniela: Até o momento, não tivemos problemas quanto a isso. Pelo contrário, percebemos que as pessoas estão gostando e aderindo as ideias que levamos para sua empresa.


Cassio: Não, pois sempre que converso com pessoas mais velhas, elas me incentivam, me dão ideias, me passam possíveis problemas que posso ter pela frente e me apoiam ao máximo para continuar empreendendo.


Diego: É fato que em primeiro contato a credibilidade nos dada é menor por sermos jovens, mas com competência tudo se conquista.


11 – O que vocês consideram ser um empreendimento de sucesso?


Daniela: Acredito que fazer o que se gosta já é um empreendimento de sucesso, independente se você é o dono da empresa ou trabalha nela.


Cassio: Quando a empresa está bem vista no mercado, funcionando corretamente e satisfazendo seus clientes e parceiros.


Diego: Ter boas parcerias com clientes e fornecedores, ter rentabilidade, gerar empregos e, junto a isso, equipe engajada, vestindo a camisa da empresa com orgulho.


31/01/2020  às 14hs49