17/05/2019  às 15hs13

18 de maio: Informar e cuidar para prevenir e combater

O Dia Nacional de Enfrentamento ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes, celebrado neste sábado, dia 18, visa sensibilizar a sociedade para o enfrentamento do tema.


Assunto foi abordado de forma lúdica, através de teatro e conversa, com alunos da rede municipal e estadual de ensino, em Orleans – Foto: Ketully Beltrame

Assunto foi abordado de forma lúdica, através de teatro e conversa, com alunos da rede municipal e estadual de ensino, em Orleans – Foto: Ketully Beltrame


Romper o silêncio e difundir o conhecimento e a informação para incentivar a denúncia e ampliar a capacidade de prevenção e combate aos crimes. Este é o objetivo do Dia Nacional de Enfrentamento ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes, celebrado neste sábado, dia 18 de maio. Para isso, o engajamento de toda a sociedade, em suas mais diversas esferas - seja a família, escola, poder público e entidades - é de extrema importância.


A denúncia, através do Disque 100 (canal gratuito e anônimo) ou através do Conselho Tutelar é uma das mais importantes ferramentas para ajudar e garantir a proteção das vítimas que estejam em situação de risco. A denúncia pode ser feita também em delegacias especializadas ou comuns, na Polícia Militar, Polícia Federal ou Polícia Rodoviária Federal, pelo número 190 e também através do site www.disque100.gov.br.


A assistente social e coordenadora do Centro de Referência Especializado de Assistência Social (CREAS) de Lauro Müller, Adriana Antunes Rita, explica que, na maior parte dos casos, a violência ou o abuso sexual é cometido por alguém da família ou próximo da vítima. Além disso, é comum que o abusador faça ameaças. Estes dois fatores fazem com que a criança ou o adolescente se torne ainda mais vulnerável à violência ou ao abuso. A minoria dos crimes é cometida por pessoa sem vínculo familiar.


“Há casos em todas as classes sociais, praticados por homens ou mulheres, com as vítimas sendo meninos ou meninas. A maior parte dos crimes são praticados por familiares ou pessoas próximas à família. Aqui no Creas fazemos o acompanhamento da criança e da família, que muitas vezes não sabe lidar com a situação e os conflitos e traumas. Principalmente porque a maioria ocorre com familiares ou pessoas próximas. Muitas vezes, as vítimas acham que a culpa são delas, mas desmitificamos essas e outras questões. O abusador costuma também ameaçar à criança e adolescente e seus familiares para que a vítima não conte. Então é algo bastante sofrido, que deve ser tratado com muita sensibilidade. O trabalho de conscientização é contínuo, batemos sempre na mesma tecla, de diferentes formas, através de campanhas, livros, palestras, apresentações de teatro e entre outras maneiras”, defendeu.


Para as vítimas, que dificilmente esquecem os abusos e violência sexual sofridos, os reflexos do trauma podem perdurar por toda a vida e podem ocorrer a curto ou longo prazo. “O abuso sexual é um fator de risco, já que predispõe a criança ou adolescente a desenvolver transtornos psiquiátricos, dificuldade para resolver problemas interpessoais e bem como a pré-disposição para o uso de álcool e outras drogas”, alertou a psicóloga do Núcleo de Apoio à Saúde da Família (NASF) de Orleans, Gabriela Fernandes. É nesta fase da vida em que ocorrem importantes processos do amadurecimento afetivo, físico e social e, por conta disso, se fazem necessários cuidados especiais. Quanto mais frequentes os abusos, maiores os impactos, sejam eles de forma física, sexual, emocional ou moral.


Identificar os sinais manifestados pelas vítimas possibilita protege-las e romper o com o abuso, exploração ou violência, além de aumentar as chances de penalizar o criminoso. “É comum que as crianças ou adolescentes vítimas manifestem medo do agressor e de pessoas do mesmo sexo que ele; queixas sintomáticas; isolamento social; sentimentos de estigmatização; quadros fóbicos ansioso, obsessivo compulsivo; depressão; distúrbios do sono, aprendizagem e alimentação; sentimento de rejeição e vergonha; e entre outros”, enumerou a psicóloga.


Segundo Annye Baggio, presidente do Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente (CMDCA), em Orleans, ações preventivas estão sendo realizadas em alusão à data. “Na última semana, realizamos uma capacitação para toda a rede municipal, incluindo escolas, CREAS, CRAS, CMDCA e Secretarias da Assistência Social, Saúde e Educação, para que os profissionais saibam qual a forma mais eficiente de identificar e lidar com as situações de abuso. Realizamos também os trabalhos com as escolas, voltadas às crianças da rede municipal e estadual de ensino, através de um teatro que aborda o tema, apresentado por Mabel da Silva, pedagoga e empreendedora social, e Natanael Medeiros, psicólogo e empreendedor social, que desenvolvem o projeto Inocência Roubada. Realizamos este trabalho há três anos e recebe um retorno bastante positivo tanto dos profissionais quanto do público-alvo do teatro”, contou.0


História


O dia 18 maio é o Dia Nacional de Combate ao Abuso Sexual e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes, escolhido em razão da história de Araceli Cabrera Sanches, de 8 anos de idade, que, em maio de 1973, foi sequestrada, drogada, espancada, estuprada e morta por membros de uma tradicional família do Espírito do Santo. Não houve denúncia dos criminosos e a impunidade dos assassinos chocou a população da cidade. Assim, foi instituída a data, pela Lei Federal nº 9.970/2000.


O que é violência sexual?


É a violação dos direitos sexuais, no sentido de abusar ou explorar do corpo e da sexualidade de crianças e adolescentes. Pode ser classificado em abuso sexual (extra ou intrafamiliar) ou exploração sexual. O abuso extrafamiliar se refere aos casos em que o autor não tem vínculo de pertencimento familiar, e o intrafamiliar é o praticado por autores que são responsáveis ou familiares da vítima.


O que é abuso sexual?


É a violação sexual homo ou heterossexual praticada por um adulto ou alguém mais velho em relação a uma criança ou a um adolescente, com o intuito de satisfazer-se sexualmente, valendo-se de poder ou autoridade, envolvendo-os em quaisquer atividades sexuais, tais como palavras obscenas, exposição dos genitais ou de material pornográfico, telefonemas obscenos e sexo. A criança ou o adolescente vive uma experiência sexualizada que está além de sua capacidade ou de consentir ou entender, baseada na extrapolação do limite próprio, no abuso de confiança e poder.


O que é exploração sexual?


É o uso sexual de criança ou adolescente para obter lucro, troca ou vantagem. Expressa-se de quatro formas: prostituição, pornografia, tráfico e turismo sexual. Trata-se de um fenômeno mundial, que atinge em especial o sexo feminino, mas não apenas.


Sinais de violências diversas


• problemas escolares (baixo rendimento, isolamento, brigas com colegas)


• condutas antissociais, tais como agressividade e hostilidade


• ansiedade e medos


• comportamentos autodestrutivos/ideação suicida


• distúrbios na alimentação ou no sono (insônia, pesadelos)


• uso ou abuso de álcool


• marcas e hematomas no corpo: olhos, rosto, pernas, braços


• ferimentos e queimaduras diversas


Sinais específicos de violência sexual


• curiosidade sexual excessiva


• exposição frequente dos genitais


• brinquedos ou jogos sexualizados


• agressividade sexual


• conhecimento sexual inapropriado para a idade


• doenças sexualmente transmissíveis


• gravidez


Fonte: Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT)


Redação Notícias JH


17/05/2019  às 15hs13